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A distribuição dos adjuntos temporais negativos no português contemporâneo: negação, concordância negativa e construções de grau

Autor(es): Moia, Telmo

Data: 2024

Origem: Diacrítica

Assunto(s): Negação; Adjuntos temporais negativos; Concordância negativa; Construções comparativas; Superlativos; Negation; Negative temporal adjuncts; Negative concord; Comparative constructions; Superlatives


Descrição

Neste trabalho, analisa-se a distribuição contemporânea dos adjuntos temporais negativos do português, com destaque para os advérbios nunca e jamais. O foco é no português europeu, mas é também tido em conta o português brasileiro. Têm lugar central os dois contextos sintáticos em que estes adjuntos predominantemente ocorrem, a saber, posição pré-verbal, como genuínos operadores de negação (e.g., nunca minto), e posição pós-verbal, como expressões positivas existenciais em concordância negativa (e.g., não minto nunca). É também considerada, ainda que superficialmente, a sua ocorrência em contextos negativos elípticos, sem verbo. São estudadas separadamente, com algum pormenor, sequências de expressões negativas em posição pré-verbal, principalmente iniciadas por nunca: nunca ninguém, nunca nada, nunca nenhum N¢. Estas sequências, que têm recebido pouca atenção na literatura, ilustram a persistência da concordância negativa pré-verbal no português contemporâneo. É ainda analisada em detalhe a ocorrência contemporânea de adjuntos temporais negativos em contextos não negativos, nomeadamente de nunca em construções comparativas (e.g., melhor do que nunca) e de jamais em construções superlativas (e.g., a ponte mais comprida jamais construída). Todas as construções discutidas são documentadas com dados de corpora, nomeadamente de texto jornalístico contemporâneo (cetempúblico, para o português europeu, e NILC/São Carlos, para o português brasileiro) e de texto literário português dos últimos 500 anos (Vercial), sendo apresentados dados de frequência para as diversas construções.

This paper analyses the distribution of negative temporal adjuncts in contemporary Portuguese, with a particular focus on the adverbs nunca and jamais (‘never’). The focus is on European Portuguese, but Brazilian Portuguese is also taken into account. Centre stage is occupied by the two prevalent syntactic contexts for the mentioned adjuncts, namely, pre-verbal position, as genuine negation operators (e.g., nunca minto ‘I never lie’), and post-verbal position, as positive existential negative concord items (e.g., não minto nunca, ‘I never lie’, literally ‘I don’t lie never’). Negative elliptical verbless contexts are also considered, although superficially. Sequences of more than one negative expression in pre-verbal position are studied separately in some detail, with focus on those introduced by nunca: nunca ninguém (literally, ‘never nobody’), nunca nada (literally, ‘never nothing’), nunca nenhum N¢ (literally ‘never no N¢’). These sequences, which have received little attention in the literature, illustrate the persistence of pre-verbal negative concord in contemporary Portuguese. Finally, two non-negative contexts where negative temporal adjuncts still occur today are analysed in some detail, viz. comparative constructions with nunca (e.g., melhor do que nunca, ‘better than ever’), and superlative constructions with jamais (e.g., a ponte mais comprida jamais construída ‘the longest bridge ever built’). All constructions are documented with corpus data, namely of contemporary newspaper text (cetempúblico, for European Portuguese, NILC/São Carlos, for Brazilian Portuguese) and of Portuguese literary text from the last 500 years (Vercial). Original data on the frequency of the various constructions is presented.

Tipo de Documento Artigo científico
Idioma Português
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