Autor(es): Azevedo, Liliana ; Desille, Amandine ; Valente, Estelle
Data: 2026
Origem: Vista Revista de Cultura Visual
Assunto(s): Artigos Temáticos
Autor(es): Azevedo, Liliana ; Desille, Amandine ; Valente, Estelle
Data: 2026
Origem: Vista Revista de Cultura Visual
Assunto(s): Artigos Temáticos
For a long time, knowledge production in Europe has relied on epistemologies that marginalise the body. In particular, non-visual senses have been overlooked. Building on a scholarship that foregrounds sensoriality and emotions in migration studies, this paper argues that attending to sensory experience fosters reflexivity and enables renewed understandings of the macro, meso and micro-processes shaping identity and belonging. Authored by a sociologist and a geographer with shared interests in Portuguese intra-European mobilities and creative methods, in collaboration with a photographer, the paper analyses a four-day cultural event they organised in Lisbon in 2025 that gathered artists, scholars and media professionals. The festival “A Arte de Ser Migrante” sought to step outside conventional academic formats and to pay tribute to Portuguese migrants and descendants while interrogating public narratives about Portuguese migrations. Through debates, film screenings, exhibitions, workshops, and sensorial activities involving sound, sight, touch, taste, and movement, the event assembled a heterogeneous audience and invited participants to engage with migration as a multisensory and emotionally textured experience. Drawing on this empirical site, the paper develops three contributions: (a) a reflection on the visibility and invisibility of Portuguese migrations; (b) an examination of participatory cultural events as sites of collaborative and transdisciplinary knowledge production; and (c) an exploration of sensorial and sensitive approaches as tools for revealing blind spots of Portuguese migration research. We conclude by conceptualising the festival as both an act of resistance and a starting point for an ongoing epistemic “craft” that generates new collaborations and opens up new avenues of knowledge in the long term.
Durante muito tempo, a produção de conhecimento na Europa assentou em epistemologias que marginalizam o corpo. Os sentidos não visuais têm sido sistematicamente desvalorizados. Com base em trabalhos que colocam a sensorialidade e as emoções no centro dos estudos das migrações, este artigo sustenta que a atenção à experiência sensorial promove a reflexividade e permite renovar a compreensão dos processos macro, meso e micro que moldam a identidade e o sentimento de pertença. Da autoria de uma socióloga e de uma geógrafa com interesses comuns nas mobilidades intraeuropeias portuguesas e em metodologias criativas, e de uma fotógrafa, o artigo analisa um evento cultural de quatro dias, organizado em Lisboa em 2025, que reuniu artistas, académicos e profissionais dos média. O festival “A Arte de Ser Migrante” procurou ultrapassar os formatos académicos convencionais e prestar homenagem aos migrantes portugueses e aos seus descendentes, enquanto questionava as narrativas públicas sobre as migrações portuguesas. Através de debates, exibições de filmes, exposições, oficinas e atividades sensoriais envolvendo som, visão, tato, paladar e movimento, o evento reuniu um público heterogéneo e convidou os e as participantes a abordar a migração como uma experiência multissensorial e emocionalmente densa. Com base neste terreno empírico, o artigo desenvolve três contributos: (a) uma reflexão sobre a visibilidade e invisibilidade das migrações portuguesas; (b) uma análise de eventos culturais participativos enquanto espaços de produção colaborativa e transdisciplinar de conhecimento; e (c) uma exploração das abordagens sensoriais e sensíveis enquanto ferramentas para revelar lacunas na investigação sobre as migrações portuguesas. Concluímos concetualizando o festival como um ato de resistência e, simultaneamente, como ponto de partida para um “ofício” epistémico em contínuo desenvolvimento — capaz de gerar novas colaborações e de abrir novas vias de produção de conhecimento a longo prazo.