Author(s): Camilo, Eduardo J. M.
Date: 2024
Origin: Vista Revista de Cultura Visual
Subject(s): Varia
Author(s): Camilo, Eduardo J. M.
Date: 2024
Origin: Vista Revista de Cultura Visual
Subject(s): Varia
Neste ensaio, de cunho teórico e descritivo, pretendemos refletir sobre a fotografia de rua, enquadrando as suas práticas e os seus artistas nos conceitos de“flâneur” e “flânerie”, desenvolvidos por Walter Benjamin (1969/1989) e originariamente abordados por Charles Baudelaire. A reflexão encontra-se articulada em três partes: na primeira, apresentaremos os conceitos de “flâneur” e “flânerie” a partir do enquadramento epistemológico originário do filósofo alemão, inscrito nos estudos sobre literatura, defendendo a tese da fotografia de rua ser uma forma de “flânerie fotográfica”; na segunda parte, demonstraremos como os princípios desta flânerie fotográfica vão determinar um registo heterogéneo do espaço público da cidade e dos seus habitantes. A flânerie fotográfica reflete transformações tecnológicas nos equipamentos fotográficos, formas securitárias e eletrónicas emergentes de controlo e registo das esferas públicas, reestruturações espaciais decorrentes de transformações económicas nas cidades e formas distintas de sociabilidade adjacentes a lugares e a não-lugares; na última parte, descreveremos a natureza do registo na fotografia de rua, defendendo a tese de não ser exclusivamente sobredeterminada pelo acaso, mas também pela serendipidade.
This theoretical and descriptive essay presents a reflection on street photography, examining its practices and artists through the concepts of the “flâneur” and “flânerie”, initially discussed by Charles Baudelaire and further developed by Walter Benjamin (1969/1989). The essay is structured into three parts: the first introduces the concepts of “flâneur” and “flânerie” within the epistemological framework of the German philosopher, inscribed in studies on literature, exploring how street photography can be understood as a form of “photographic flânerie”. In the second part, we examine how the principles of photographic flânerie shape a diverse record of the public spaces of cities and their inhabitants. The photographic flânerie reflects on technological advances in photographic equipment, the emergence of security and electronic monitoring in public spaces, spatial transformations driven by economic shifts in urban environments, and the varied forms of sociability associated with places and non-places. In the final part, we explore the nature of the street photography registry, arguing that it is shaped not solely by chance but also by the concept of serendipity.