Author(s): Bastazin, Vera ; Zeitel, Gustavo
Date: 2026
Origin: Diacrítica
Subject(s): Hilda Hilst; Modernismo; Oralidade; Desorientação; Contemporâneo intempestivo; Hilda Hilst; Modernism; Orality
Author(s): Bastazin, Vera ; Zeitel, Gustavo
Date: 2026
Origin: Diacrítica
Subject(s): Hilda Hilst; Modernismo; Oralidade; Desorientação; Contemporâneo intempestivo; Hilda Hilst; Modernism; Orality
Nossa abordagem da obra A Obscena Senhora D, publicada em 1982, pela escritora Hilda Hilst, tem como ponto de partida o conceito de desorientação tal como proposto pelo crítico György Lukács (2009), passando também pelo teórico George Agamben (2009), quando esse se refere ao que denomina contemporâneo intempestivo. A partir da morte do marido, a personagem Hillé passa a questionar a sua condição feminina dentro da sociedade patriarcal, dando vazão ao seu desejo sexual. Do mesmo modo, a crença em Deus, que antes lhe servia como um ordenamento, é posta em dúvida. Sob o aspecto formal, a desorientação da personagem se reflete não só nas ações narrativas e indagações imprecisas, repetidas em diferentes direções, mas também na ruptura da escrita com a oralidade, característica que se inscreve como uma herança do modernismo. A cessão à fala se apresenta, por fim, num contexto coloquial, provocando uma atitude irreverente e combativa da personagem feminina, reprimida pela religião e pela opressão masculina.
Our approach to A Obscena Senhora D, published in 1982 by writer Hilda Hilst, takes as its starting point the concept of disorientation as proposed by critic György Lukács (2009), while also drawing on some theoretical assumptions of Giorgio Agamben (2009) regarding what he calls the untimely contemporary. Following her husband's death, the character Hillé begins to question her feminine condition within patriarchal society, giving free rein to her sexual desire. Likewise, her belief in God, which previously served as a source of order, is called into doubt. From a formal standpoint, the character's disorientation is reflected not only in the narrative actions and imprecise inquiries that repeat in different directions, but also in the rupture between writing and orality—a characteristic inscribed as a legacy of modernism. The yielding to speech ultimately presents itself in a colloquial context, provoking an irreverent and combative attitude from the female character, repressed by religion and male oppression.