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Materialidade da Governação do Ódio no Instagram: Conflitos em Torno da Imigração em Portugal

Author(s): Andrade, Dalvacir Xavier de Oliveira

Date: 2026

Origin: Comunicação e Sociedade

Subject(s): Artigos Temáticos


Description

Este artigo investiga a materialidade da governação do ódio no Instagram, refletindo sobre o papel desta arquitetura sociotécnica nos conflitos em torno da imigração em Portugal. O estudo insere-se num cenário de transformações na governação migratória, ascensão da extrema-direita e centralidade das plataformas digitais na disputa por visibilidade e participação. O objetivo central é interrogar como a definição e o controlo do ódio anti-imigrante são infraestruturalmente organizados pela plataforma. Para tal, adota-se a metodologia neomaterialista da comunicação associal (Lemos, 2020) e realiza-se uma análise material-discursiva (Barad, 2007; Kitchin & Dodge, 2011). O foco empírico é dado aos padrões da comunidade da Meta, especialmente nas secções “Conduta de ódio”, “Violência e incitação” e “Bullying e assédio”, assim como nas interfaces de denúncia disponíveis aos utilizadores do Instagram. A análise demonstra, por um lado, o reconhecimento formal de “refugiados, migrantes, imigrantes e pessoas que procurem asilo” como grupo protegido contra ataques graves. Por outro lado, o estudo evidencia hierarquias de dano que privilegiam a violência física imediata em detrimento de formas de exclusão política, económica e social, bem como zonas de ambiguidade produzidas por critérios de intenção, contexto, sátira e classificação interna das denúncias. Argumenta-se que a governação do ódio no Instagram funciona como mediador sociotécnico que simultaneamente promete proteção e redistribui responsabilidades de segurança pelos utilizadores, tornando o ódio anti-imigrante parcialmente visível nas políticas e pouco legível na interface. O artigo conclui discutindo as implicações desses achados para as condições de visibilidade, segurança e contestação de pessoas imigrantes no espaço digital.

This article investigates the materiality of Instagram’s hate governance, reflecting on the role of this sociotechnical architecture in conflicts surrounding immigration in Portugal. The study is situated within a context of transformations in migration governance, the rise of the far right, and the centrality of digital platforms in struggles over visibility and participation. Its primary objective is to examine how the definition and regulation of anti-immigrant hate are organised through the platform’s infrastructure. To this end, the study adopts the neomaterialist methodology of asocial communication (Lemos, 2020) and conducts a material-discursive analysis (Barad, 2007; Kitchin & Dodge, 2011). The empirical focus is on Meta’s community standards, particularly the sections “Hateful conduct”, “Violence and incitement”, and “Bullying and harassment”, as well as the reporting interfaces available to Instagram users. The analysis identifies the formal recognition of “refugees, migrants, immigrants, and asylum seekers” as a protected group against severe attacks. However, it also uncovers hierarchies of harm that prioritise immediate physical violence over political, economic, and social exclusion. Additionally, the study highlights areas of ambiguity arising from criteria related to intent, context, satire, and the platform’s internal classification of reports. The article argues that Instagram’s hate governance operates as a sociotechnical mediator, offering protection while shifting responsibility for safety onto users. This approach renders anti-immigrant hate only partially visible in policy and minimally discernible through the interface. The conclusion discusses the implications of these findings for the visibility, safety, and contestation experienced by immigrants within digital environments.

Document Type Journal article
Language Portuguese
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