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Discriminação e barreiras associadas aos cuidados de saúde à pessoa trans

Author(s): Valente, Ana Catarina Teixeira ; Monteiro, Ana Filipa Morais ; Ferreira, Inês Gonçalves ; Lopes, Rosa Cristina Correia

Date: 2022

Origin: Repositório Científico da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra

Subject(s): Discriminação; cuidados de saúde; pessoa trans; Discriminação; Discriminação; cuidados de saúde; cuidados de saúde; pessoa trans; pessoa trans


Description

Introdução A discriminação tem sido vista como uma resposta comportamental, causada por atitudes negativas, em relação a valores específicos de determinadas pessoas, podendo ser considerada como uma forma efetivada de estigma ou preconceito. As pessoas trans são frequentemente alvo de discriminação e vivenciam significativas desigualdades em saúde. O seu impacto, observa-se tanto nos resultados de saúde, como nas suas experiências no acesso aos serviços de saúde. A falta de conhecimento e recetividade para estes aspetos, potenciam a discriminação, influenciando negativamente a saúde mental destas pessoas. Os serviços de saúde são propícios para a ocorrência de discriminação, existindo vários relatos de iniquidade na abordagem da pessoa trans. Recorrentemente, encontram obstáculos no momento da procura de serviços de saúde, seja por oferta de cuidados desadequados, dificuldade em obter encaminhamento médico correto, desconhecimento de guidelines pelos profissionais de saúde que os acompanham, uso de linguagem e comportamentos desadequados, bem como, uso de pronomes e nome social desatualizado. Objetivos Identificar o impacto da discriminação nos cuidados de saúde à pessoa trans; Determinar quais as barreiras associadas aos cuidados de saúde à pessoa trans. Metodologia Utilizou-se a metodologia P[I][C]OD para a elaboração da questão de investigação: "De que forma a discriminação origina barreiras aos cuidados de saúde à pessoa trans?". Para a execução desta monografia, realizou-se uma pesquisa utilizando como motor de busca EBSCOhost, selecionando as bases de dados CINAHL Complete, MEDLINE Complete e Academic Search Complete. Nesta pesquisa foram utilizados os seguintes descritores MeSH: "transgender", "health", "barriers" e "discrimination", conjugados com o operador boleano AND e OR, da qual obtivemos a seguinte expressão de pesquisa: (TI transgender OR AB transgerder) AND (TI discrimination OR AB discrimination) AND (TI health OR AB health) AND (TI barriers OR AB barriers). Foram ainda aplicados critérios de inclusão tais como, estudos publicados entre 2018-2022, que estivessem disponíveis em texto integral e nos idiomas inglês, português ou espanhol, procedendo-se à análise dos estudos da qual foram selecionados 6 artigos. Resultados Os estudos evidenciam que as pessoas trans, são frequentemente estigmatizadas, vítimas de preconceito e discriminação no acesso aos cuidados de saúde, tendo por consequência impacto na saúde mental das mesmas. As diversas barreiras no acesso aos cuidados de saúde são: negação de cuidados, escassez de serviços especializados, falta de conhecimento e apoio, falhas na formação e conhecimento de guidelines pelos profissionais de saúde que acabam por contribuir para estas situações. Assim, é necessário um maior investimento na formação e implementação de guidelines. A linguagem preconceituosa ou insultuosa e a exclusão, são episódios relatados com elevada frequência, sendo também referidos como episódios de discriminação indiretos, a negação e o desencorajamento da exploração da identidade de género. Para além disso, a divulgação do status LGBTQIA+, estigma social, falta de seguro de saúde, atitude negativa do profissional de saúde, insatisfação com os cuidados de saúde e falta de recursos financeiros, são também barreiras identificadas, influenciando negativamente o acesso aos cuidados de saúde. Relativamente à saúde mental da pessoa trans, o stress das minorias de género, causado pelo estigma, preconceito e discriminação nos serviços de saúde, cria um ambiente social hostil e stressante da população trans, que origina problemas de saúde mental, sendo importante o empoderamento e aconselhamento psicológico da comunidade para diminuir estes efeitos. Os resultados sugerem que o stress das minorias de género está intimamente relacionado ao uso de serviços de saúde, na medida em que a discriminação e a transfobia levam ao sofrimento psicológico, sendo necessário intervenções em vários níveis, incluindo a formação sobre Identidades de Género. É necessário adquirir conhecimento sobre a saúde da pessoa trans, particularmente a abordagem das necessidades de saúde específicas e a criação de um ambiente inclusivo entre o profissional e a pessoa cuidada. Por conseguinte, o aumento do apoio, o conhecimento sobre as questões relacionadas com a população trans e o acesso aos cuidados, melhoram a saúde mental da pessoa. A promoção de um ambiente seguro e inclusivo é fundamental para promover o acesso da pessoa trans aos serviços de saúde. Conclusões A inexistência de uma esfera social inclusiva quer na sociedade quer nos sistemas de saúde, omite sistematicamente a pessoa trans dos cuidados de saúde. Os dados extraídos dos estudos revelam um aumento da prevalência de depressão, ansiedade e consequentemente uma taxa elevada de ideação suicida e tentativas de suicídio entre a população trans. A discriminação, o estigma e as consequentes barreiras levam a que a pessoa trans evite o acesso aos cuidados o que a curto e longo prazo podem surgir resultados adversos na sua saúde. Sendo assim, é necessário investir na formação através da alteração do plano de estudos da licenciatura e na formação contínua nos serviços por meio de guidelines de prática clínica e orientação com objetivo de promover a capacitação de profissionais de saúde que prestam cuidados à pessoa trans. O profissional de enfermagem protagoniza um papel fundamental na promoção dos cuidados à pessoa trans, fazendo parte das suas funções a minimização do impacto negativo provocado pela discriminação e barreiras existentes no acesso aos cuidados de saúde. Os profissionais de saúde e a restante equipa multidisciplinar, devem adotar comportamentos de inclusão e não fazer juízos de valor na prática do seu exercício profissional.

Document Type Other
Language Portuguese
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