Author(s): Cunha, João Filipe Ribeiro Borges da
Date: 2014
Persistent ID: http://hdl.handle.net/10400.14/14570
Origin: Veritati - Repositório Institucional da Universidade Católica Portuguesa
Author(s): Cunha, João Filipe Ribeiro Borges da
Date: 2014
Persistent ID: http://hdl.handle.net/10400.14/14570
Origin: Veritati - Repositório Institucional da Universidade Católica Portuguesa
Esta tese estuda o espaço na sua qualidade de constructo cultural. Ou seja, e indo além de um simples figurino físico, geográfico e natural, o espaço é aqui visto como o resultado e produto (Lefèbvre, 1991) de práticas culturais que o percebem, concebem e experimentam precisamente enquanto instância privilegiada de representação, uma superfície não-passiva onde se vêm inscrever valores histórico-sociais. É o que este trabalho designa como culturas de espaço, e cujas incidências ele procura analisar em duas obras literárias de narrativa de ficção: Buddenbrooks, de Thomas Mann, e To the Lighthouse, de Virginia Woolf. Estes romances são, aqui, a vários títulos paradigmáticos: enquanto peças que permitem observar o modo como na modernidade o espaço doméstico — a casa, o lar, os décors e envolventes —, foram alvo de uma discursividade própria, isto num tempo de afirmação das classes burguesas europeias na transição entre os séculos XIX e XX; mas também, enquanto constituintes, eles mesmos, de um espaço narratológico, representativo e axiológico, onde se batem aspirações espirituais, visões artísticas, formas estéticas, matéria simbólica e enunciados políticos. Desenvolvida no âmbito do campo disciplinar dos Estudos de Cultura, esta análise, assente no princípio da literariedade da cultura, faz uso de contributos, abordagens e linhas teóricas multímodas e abrangentes, querendo sobretudo verificar — para o que recorre metodologicamente a um close-reading — como determinadas figuras do espaço são culturalmente marcadas. Mais em concreto, a figura da imersão e os espaços interiores.