Autor(es):
Antunes, Maria Brites
Data: 2026
Identificador Persistente: http://hdl.handle.net/10400.14/59467
Origem: Veritati - Repositório Institucional da Universidade Católica Portuguesa
Assunto(s): Cancro da cabeça e pescoço; Radioterapia; Manifestações orais; Polimorfismos genéticos; SNPs; Radiogenómica; Head and neck cancer; Radiotherapy; Oral manifestations; Genetic polymorphisms; Radiogenomics
Descrição
Introdução: O cancro da cabeça e pescoço é um problema na saúde pública, sendo frequentemente tratado através de radioterapia, isoladamente ou em combinação com cirurgia ou quimioterapia. Apesar da sua eficácia terapêutica, a radioterapia pode provocar diversas manifestações orais, nomeadamente mucosite oral, xerostomia, estomatite, candidíase, úlceras orais, alterações do paladar, cárie dentária, doença periodontal e osteorradionecrose. A gravidade destas complicações varia significativamente entre doentes submetidos a regimes terapêuticos semelhantes, sugerindo que fatores biológicos individuais, nomeadamente determinantes genéticos, possam influenciar a
radiossensibilidade dos tecidos orais. Objetivo: Esta revisão teve como objetivo recolher e analisar a evidência científica disponível sobre a possível influência dos fatores genéticos, particularmente dos polimorfismos de um único nucleótido, na ocorrência e gravidade de manifestações orais em doentes com cancro da cabeça e pescoço submetidos a radioterapia. Métodos: Este trabalho consistiu numa revisão sistemática seguindo as diretrizes PRISMA. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica nas bases de dados: PubMed/MEDLINE, Web of Science e Scopus, a 12 de novembro de 2025. A seleção dos estudos foi realizada, com auxílio da plataforma Rayyan, por dois revisores independentes, de acordo com os critérios de inclusão e exclusão previamente definidos, e intervenção de um terceiro revisor para resolução de artigos em conflito. Resultados: Foram incluídos 38 artigos. A mucosite oral foi a manifestação com maior número de associações significativas, seguida da xerostomia e da
disfagia. As associações identificadas envolveram sobretudo genes relacionados com reparação do DNA, inflamação, controlo do ciclo celular, stress oxidativo, autofagia e angiogénese. Contudo, muitos resultados foram reportados em poucos estudos, apresentaram inconsistências ou carecem de validação independente. Conclusão: A evidência disponível sugere que determinados polimorfismos genéticos poderão influenciar a suscetibilidade individual às manifestações orais após radioterapia. No entanto, os SNPs identificados devem ser considerados potenciais marcadores de investigação, e não biomarcadores clinicamente validados. São necessários estudos multicêntricos, com amostras maiores e
critérios padronizados, antes da sua aplicação clínica.
Introduction: Head and neck cancer is a public health concern and is frequently treated with radiotherapy, either alone or in combination with surgery or chemotherapy. Despite its therapeutic efficacy, radiotherapy can cause several oral manifestations, namely oral mucositis, xerostomia, stomatitis, candidiasis, oral ulcers, taste alterations, dental caries, periodontal disease, and osteoradionecrosis. The severity of these complications varies significantly among patients undergoing similar therapeutic regimens, suggesting that individual biological factors, particularly genetic determinants, may influence the radiosensitivity of oral tissues. Objective: This review aimed to collect and analyze the available scientific evidence on the potential impact of genetic factors, particularly single nucleotide polymorphisms, on the occurrence and severity of oral manifestations in patients with head and neck cancer undergoing radiotherapy. Methods: This study consisted of a systematic review conducted in accordance with the PRISMA guidelines. A literature search was performed in the PubMed/MEDLINE, Web of Science, and Scopus databases on November 12, 2025. Study selection was carried out using the Rayyan platform by two independent reviewers, according to previously defined inclusion and exclusion criteria, with the involvement of a third reviewer to resolve conflicting articles. Results: Thirty-eight articles were included. Oral mucositis was the manifestation with the highest number of significant associations, followed by xerostomia and
dysphagia. The identified associations mainly involved genes related to DNA repair, inflammation, cell cycle control, oxidative stress, autophagy, and angiogenesis. However, many results were reported in few studies, showed inconsistencies, or lack independent validation. Conclusion: The available evidence suggests that certain genetic polymorphisms may influence individual susceptibility to oral manifestations after radiotherapy. However, the identified SNPs should be considered potential research markers, and not clinically validated biomarkers. Multicenter studies with larger samples and standardized criteria are needed before their clinical application.