Autor(es):
Rapp, Leonie Hanna
Data: 2026
Identificador Persistente: http://hdl.handle.net/10400.14/59825
Origem: Veritati - Repositório Institucional da Universidade Católica Portuguesa
Assunto(s): Strategic foresight; Geopolitical uncertainty; Investment decisions; German automotive industry; Quantification imperative; Previsão estratégica; Incerteza geopolítica; Decisões de investimento; Indústria automóvel alemã; Imperativo de quantificação
Descrição
Since 2022, geopolitical disruptions including the Russian invasion of Ukraine, US tariff volatility, and US-China rivalry have fundamentally challenged the planning assumptions of the German automotive industry. Operating under conditions of high capital intensity and deep global integration, organizations in this sector face growing pressure to anticipate structural geopolitical shifts. Empirical evidence on how organizations translate foresight into long-term investment and capacity decisions remains limited. This study investigates how geopolitical disruptions since 2022 shaped the role of strategic foresight in long-term investment and capacity decisions in the German automotive industry. Thirteen semi-structured expert interviews were conducted with professionals from automotive OEMs, suppliers, financial institutions, and consultancies. The findings reveal a two-speed institutionalization of foresight: large OEMs developed dedicated geopolitical risk functions while smaller suppliers remain largely reactive. Firms adopted resilience-first investment logic, favoring no-regret moves such as local-for-local sourcing and multi-sourcing. The study identifies a quantification imperative as the central barrier: qualitative geopolitical foresight cannot enter investment decision processes unless translated into numerical form. These findings extend existing institutionalization and capital allocation literature and offer a three-layer governance model for integrating geopolitical foresight into organizational decision-making.
Desde 2022, disrupções geopolíticas como a invasão russa da Ucrânia, a volatilidade das tarifas norte-americanas e a rivalidade entre os EUA e a China desafiaram fundamentalmente os pressupostos de planeamento da indústria automóvel alemã. Operando em condições de elevada intensidade de capital e profunda integração global, as empresas enfrentam pressão crescente para antecipar mudanças estruturais de natureza geopolítica. A evidência empírica sobre como as organizações traduzem a previsão estratégica em decisões de investimento a longo prazo permanece limitada. Este estudo investiga de que forma estas disrupções moldaram o papel da previsão estratégica nas decisões de investimento e capacidade na indústria automóvel alemã. Foram realizadas treze entrevistas semiestruturadas a especialistas de construtores automóveis, fornecedores, instituições financeiras e consultoras. Os resultados revelam uma institucionalização a duas velocidades: os grandes construtores desenvolveram funções dedicadas ao risco geopolítico, enquanto os fornecedores de menor dimensão permanecem maioritariamente reativos. As empresas adotaram uma lógica de investimento orientada para a resiliência, privilegiando movimentos sem arrependimento como o aprovisionamento local e o multi-sourcing. O estudo identifica o imperativo de quantificação como a principal barreira: a previsão geopolítica qualitativa não integra os processos de decisão sem ser traduzida em forma numérica. Estes resultados estendem a literatura existente e propõem um modelo de governação de três camadas para a integração da previsão geopolítica na tomada de decisão organizacional.