Author(s): Fontanillas, Renata Fernandes
Date: 2024
Persistent ID: http://hdl.handle.net/10400.5/96738
Origin: Repositório da Universidade de Lisboa
Author(s): Fontanillas, Renata Fernandes
Date: 2024
Persistent ID: http://hdl.handle.net/10400.5/96738
Origin: Repositório da Universidade de Lisboa
Seria possível, após cinco séculos de governação islâmica entre os séculos VIII e XIII, que Portugal não tivesse produzido Arte islâmica? Apesar do país possuir uma coleção de objetos de Arte deste período, boa parte composta por descobertas arqueológicas do último quartil do século XX, em consulta a literatura especializada em Arte islâmica (especialmente em inglês) publicada entre 1968 e 2018 não se encontra nenhuma menção a essas peças. O al- Andalus que concentra todas as atenções é exclusivamente aquele composto pelos ambientes áulicos, portanto o que provém de partes do território hoje espanhol. Essa mesma literatura de referência tem discutido acerca das definições sobre «Arte islâmica» e ampliado as fronteiras geográficas e temporais do Mundo islâmico, contudo, o espólio português segue omitido. Ao analisar o contexto da História da Arte portuguesa medieval, através da literatura publicada nesses mesmos 50 anos, percebe-se que o comportamento dos especialistas do país frente ao tema tem facultado a essa produção artística um lugar bastante incómodo, não muito diferente daquele que lho dirigiram os historiadores internacionais de Arte islâmica. Para contrapor esta situação, a revisão da literatura alicerça-se num estudo aprofundado sobre os objetos islâmicos portugueses na historiografia de Arte islâmica e de Arte portuguesa enquanto o trabalho de campo em Portugal proporciona a apresentação de um corpus com 60 objetos do país, para subsidiar o estudo do tema. Conclui-se que mesmo a maioria deles não se encaixando nos padrões dos objetos estabelecidos como cânones de Arte islâmica, há neste acervo peças relevantes para a disciplina e capazes de corrigir essa distorção que define a Arte islâmica como presente «da Espanha à China». Assim, esta investigação comprova que existe Arte islâmica de Portugal, preenchendo essa lacuna identificada na literatura especializada e apresentando um novo capítulo para a disciplina de Arte islâmica, com potencial de impacto na sua historiografia, assim como na História da Arte portuguesa.