Detalhes do Documento

Ocorrência de fluoretos em sumos, néctares e refrigerantes comercializados em Portugal continental

Autor(es): Fojo, Cristiana Eusébio Santos

Data: 2011

Identificador Persistente: http://hdl.handle.net/10451/11219

Origem: Repositório da Universidade de Lisboa

Assunto(s): Fluoretos; Fluorose; Método potenciométrico; Validação analítica; Teses de mestrado - 2011


Descrição

O fluoreto é ubiquitário na natureza e possui um papel importante no combate à cárie dentária. Devido às suas propriedades anticariogénicas tem sido adicionado à água de abastecimento público, a produtos dentários (dentífricos e elixires), géneros alimentícios, suplementos, entre outros. No entanto, a exposição a todas estas fontes de fluoretos tem aumentado o número de casos de toxicidade por fluoreto, de onde se destacam a fluorose dentária e esquelética. O consumo de bebidas processadas, como os refrigerantes, tem vindo a aumentar substancialmente pela população infantil e, principalmente neste grupo etário, esta pode ser uma das principais vias de exposição aos fluoretos. Com o objectivo de estudar a ocorrência de fluoretos em refrigerantes, sumos, néctares, bebidas de sumo, concentrados, chás e infusões, optimizou-se e validou-se um método potenciométrico com eléctrodo combinado selectivo a ião fluoreto, o qual foi posteriormente utilizado na análise das amostras. Em simultâneo procedeu-se à análise de ácido ascórbico, do pH e do potencialredox nestas matrizes alimentares. O método potenciométrico para a análise de fluoreto foi validado através da aplicação de diversos testes estatísticos que permitiram definir o intervalo de linearidade, a gama de trabalho, os limiares analíticos, a precisão, a exactidão e o efeito de matriz. Para avaliar o consumo destes produtos foi aplicado um inquérito de frequência de consumo alimentar em crianças com idades entre os 6 e os 10 anos. O método espectrofotométrico para a determinação de ácido ascórbico é linear entre 0,1 – 1,6 mg/100 g produto, preciso (DPR<10%) e exacto (erro<10%), apresentando um LOQ de 0,1 mg/100g de produto. A concentração média de ácido ascórbico é mais elevada em néctares (1,25 ± 0,45 mg/100 g) e mais baixa em chás (0,22 ± 0,19 mg/100g). As bebidas designadas vulgarmente como bebidas infantis e os produtos à base de citrinos apresentam teores mais elevados de ácido ascórbico. Os métodos potenciométricos utilizados na determinação do pH e do potencial redox são precisos e exactos, apresentando valores de erro percentual na análise de controlos e valores de desvio padrão relativo na análise de duplicados inferiores a 10%. Todas as matrizes analisadas são ligeiramente ácidas e pouco oxidantes. O método potenciométrico para a determinação de fluoretos é linear na gama de concentrações entre 0,06 e 10 mg/L. O limite de detecção (LOD) e de quantificação (LOQ) foram calculados com base na curva de calibração e em estudos de repetibilidade. Com base na curva de calibração, o LOD e LOQ são de 0,15 mg/L e 0,50 mg/L, respectivamente, e com base em ensaios de repetibilidade são de 0,02 mg/L e 0,06 mg/L, respectivamente. O método potenciométrico para a análise de fluoreto é preciso e exacto com desvios padrão relativo inferiores a 10% recuperações entre 83 e 114 % e um erro percentual inferior a 5%. O método validado permitiu avaliar o teor de fluoreto em 183 amostras, incluindo 106 refrigerantes, 23 sumos, 37 néctares, 6 bebidas de sumo, 5 concentrados, 3 chás e 3 infusões. A concentração média de fluoretos é mais elevada em refrigerantes à base de extratos seguida das bebidas de sumo e dos sumos, apresentando valores médios de fluoretos de 0,86 ± 0,35 mg/L, 0,40 ± 0,24 mg/L e 0,37 ± 0,11 mg/L, respectivamente. A concentração de fluoretos mais baixa foi observada em amostras de infusões, com valor médio de 0,12 ± 0,01 mg/L, seguida dos chás e dos refrigerantes gaseificados com concentração média de fluoretos de 0,16 ± 0,12 mg/L e 0,18 ± 0,07 mg/L, respectivamente. Os néctares, os concentrados e os refrigerantes à base de sumo possuem teores de fluoretos em gamas de concentração muito próximas, apresentando valores médios de 0,33 ± 0,16 mg/L, 0,29 ± 0,12 mg/L e 0,25 ± 0,14 mg/L, respectivamente. As concentrações de fluoretos determinadas nas amostras encontram-se abaixo do valor de dose diária tóxica (DDT=3,5 mg/L), o que indica que os refrigerantes, sumos, néctares, bebidas de sumo, concentrados, chás e infusões, por si só, não são susceptíveis de induzir toxicidade por fluoreto na população. A análise dos inquéritos permitiu verificar que as crianças inquiridas consomem preferencialmente refrigerantes, principalmente refrigerantes à base de extracto, e néctares. As bebidas de sumo integram o tipo de bebida menos consumido pelas crianças na faixa etária estudada. A ingestão diária média de fluoretos a partir do consumo de bebidas é 0,011 mg/kg de peso corporal, verificando-se que algumas crianças excedem a DDR de fluoretos (0,05 mg/kg de peso corporal), principalmente devido ao consumo de refrigerantes. A DDI de fluoretos aumenta consideravelmente quando contabilizada também a deglutição de pasta dentífrica (0,024 mg/kg de peso corporal). Os resultados analíticos, os dados dos inquéritos e o modelo de regressão binária explicam o risco de toxicidade do fluoreto através da dieta pelo consumo de refrigerantes à base de extracto. A área de residência e a escolaridade dos pais discriminam o consumo de bebidas nas crianças, bem como a ingestão diária de fluoretos por esta fonte alimentar.

Tipo de Documento Dissertação de mestrado
Idioma Português
Contribuidor(es) Repositório Científico de Acesso Aberto da ULisboa; Almeida, Cristina M. M.; Figueira, Maria Eduardo
facebook logo  linkedin logo  twitter logo 
mendeley logo

Documentos Relacionados

Não existem documentos relacionados.