Autor(es): Tarrío, Ana María S.
Data: 2013
Identificador Persistente: http://hdl.handle.net/10451/33431
Origem: Repositório da Universidade de Lisboa
Autor(es): Tarrío, Ana María S.
Data: 2013
Identificador Persistente: http://hdl.handle.net/10451/33431
Origem: Repositório da Universidade de Lisboa
Nestas páginas, propusemos a elucidação do signi!cado do termo imperium na prosa de Damião de Góis numa perspectiva de contraste ou de contexto, problematizando a sua coexistência no período da poderosa propaganda imperial de Carlos V. Em primeiro lugar, compreende-se no seio da tradição medieval que de!nia o rei como “imperator in regno suo”, de!nição que no próprio modelo político de Carlos V convivia (con"ituosamente) com a interpretação do Sacro Império. O sentido patrió- tico do termo imperium relativamente ao modelo austro-húngaro, patente na obra de Damião de Góis, enquadra-se na sua signi!cativa ocorrência na literatura humanística portuguesa, comprometida com a propaganda imperial desde !ns do século XV. O contributo maior do humanismo luso pendia para a con!guração imagética contrastiva com Castela, no quadro da duplicidade veri!cável nas posições da Coroa e da própria cultura literária portuguesa (apoio ao Imperador, por um lado; autopromoção identitária imperial, por outro). No termo imperium de Góis con"uem traços maiores da singularidade da literatura humanística portuguesa relativamente a Castela: a habilidade da sua diplomacia centro-europeia perante a abordagem militar-imperialista de Carlos V, a riqueza polifacetada do seu exotismo, a consequente relativização da hegemonia dos modelos antigos perante a tendencial lógica centrípeta-europeia do modelo Habsburgo. A Sphera Mundi, a esfera armilar, símbolo de componente matemática concentrada na navegação, neste sentido, contrastada com o Plus ultra de Carlos V, revela-se um !el espelho desta distinção. Ambos os emblemas são en!m espelho da diferença entre os dois humanismos peninsulares, da sua contraditória capacidade de convivência.