Autor(es):
Dias, Fernando ; Franco, Stefanie Gil ; Guérin, Michel ; Peneda, João ; Massaert, Lucien ; Delecroix, Marion ; Sousa, João Gabriel de ; Marsillac, A.L.M. ; Molina, Martin ; Borges, Viviane ; Vaitsman, Marcia ; Harvey, Mark ; Barroca, Daniel ; Pontes, J ; Reis, Jorge dos ; Oliveira, Richard de ; Frayze-Pereira, João Augusto ; Gerino, Alain ; Nogueira, Isabel
Data: 2020
Identificador Persistente: http://hdl.handle.net/10451/53441
Origem: Repositório da Universidade de Lisboa
Assunto(s): Arte; Ciências da Arte; Periódicos
Descrição
(...) Sabendo que já superámos essa construção do «louco» da sociedade disciplinar, permitimo-nos nestes dois volumes de Convocarte a desafiar o estigma. Se pensámos inicialmente para tema, e por inibição que assumimos, a palavra Mania (do grego μανία, «estado de loucura», e de mainesthai, «estar em furor, estar com raiva»), aceitámos o desafio de Stefanie Gil Franco, investigadora especializada nas relações entre a arte e a loucura, a quem convidámos para coordenação científica desta abordagem, para esse confronto directo com a questão através do tema: Arte e Loucura. Apesar de já não se confinar o louco na cela da modernidade disciplinar, e os hospitais psiquiátricos terem evoluído bastante desde finais do século XX, o estigma ainda circula na linguagem, sendo visível na dificuldade em abordar o tema, em falar directa e abertamente, como se o estigma, como uma sombra, ainda abafasse o debate franco e crítico. O lançamento deste tema em Convocarte ambicionou focar alguma luz crítica nessa sombra com o propício apoio das relações com a arte. Trata-se de confrontar o estigma e de fornecer um lugar de escuta à voz da loucura para saúde da própria razão, o que nos fez lembrar a frase de Deleuze sobre a doença de Nietzsche: «[...] quando Nietzsche se tornou demente, foi precisamente quando perdeu esta mobilidade, esta arte de deslocamento, ao não poder mais, pela sua saúde, fazer da doença um ponto de vista sobre a saúde».