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Hábitos de vida e saúde : o quotidiano dos estudantes do Instituto Politécnico de Bragança

Autor(es): Pimentel, Maria Helena

Data: 2011

Identificador Persistente: https://hdl.handle.net/1822/12386

Origem: RepositóriUM - Universidade do Minho


Descrição

Na sociedade actual, marcada por profundas mutações, os acontecimentos classicamente entendidos como marcadores da transição em direcção à vida adulta revestem-se de contornos diferentes em relação ao passado. Em função da própria dinâmica social, exige-se um período cada vez mais longo de preparação para alcançar o exercício pleno da cidadania: o período de escolarização aumentou, a entrada no mundo laboral tornou-se mais tardia e mais restrita, conseguir uma profissão estável e de independência económica é mais difícil, ao mesmo tempo que a necessidade de mobilização e de afastamento dos ambientes de origem em idades jovens é, por um conjunto de razões, nas quais se enquadram as de ordem académica, uma circunstância cada vez mais frequente. É neste percurso de parcial autonomia que se vivem situações que podem representar, de alguma forma, risco pessoal, sobretudo, se considerarmos que o lazer e o entretenimento, a que também não escapa a vida académica dos estudantes, assumem um valor supremo nos critérios de estruturação das sociedades contemporâneas estando, muitas vezes, na origem de uma indústria lucrativa, com papel activo na criação e modelagem de muitos dos hábitos de vida, do grupo etário em estudo. Por sua vez, o ingresso no Ensino Superior é particularmente exigente requerendo mudanças que, em muitos casos, tendem a exercer repercussões sobre a saúde física e psíquica. Nessa medida, o interesse que norteia a presente investigação enquadra-se na identificação de determinantes de saúde e perfis de risco em estudantes do Ensino Superior, associados a este importante período de socialização. Procurou-se por um lado, identificar hábitos de vida potenciadores de risco ou, ao invés, de promoção para a saúde, que permitam apreender estratégias de autogestão da saúde em estudantes do Ensino Superior do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) e, por outro, identificar possíveis mudanças desses hábitos decorrentes do ingresso e permanência, neste nível de ensino. Conhecer o estado de saúde destes estudantes tendo em conta a morbilidade sentida, a procura dos serviços de saúde, as medidas preventivas e a auto-avaliação do seu estado de saúde, foi outro dos propósitos do estudo. Desenvolveu-se um estudo descritivo-correlacional, tendo-se adoptado uma estratégia metodológica de tipo extensivo, através da aplicação de um questionário para recolha de informação. Recorreu-se a uma amostra estratificada proporcional por curso e por escola que integra 272 alunos do sexo masculino (40,5%) e 400 alunos do sexo feminino (59,5%), totalizando 672. As diferenças observadas, do ponto de vista da inferência estatística, relativamente às variáveis idade, sexo, escola, retenção escolar e, em menor proporção, à proveniência, ao nível socioeconómico e à participação em actividades extracurriculares sugerem a necessidade de uma abordagem diferenciada, no sentido de implementar estratégias de promoção e de educação para a saúde, individualizadas e adequadas a cada grupo. O facto de não se assinalarem resultados, com relevância estatística, na variável “saída de casa” sugere uma maior influência do meio social envolvente por contraponto ao núcleo familiar, circunstância que remete para a necessidade de trabalhar e reforçar comportamentos autoprotectores. Consideramos, ainda, a necessidade de consolidar políticas institucionais que estabeleçam garantias de bem-estar mediante o acesso a uma alimentação saudável, a uma cultura desportiva, ao incentivo de actividades culturais e artísticas. A informação sobre condutas saudáveis e o conhecimento dos riscos inerentes aos consumos excessivos e às condutas sexuais não protegidas provirão em sentido positivo e poderão constituir-se, neste contexto, uma prioridade de acção. Daí a importância da formação de um núcleo de estudos interdisciplinares com implementação de programas educacionais de intervenção, visando alargar a pesquisa e a reflexão sobre esta problemática e fornecer algumas pistas para a acção. Também, a criação de um observatório da Saúde dos Estudantes, a nível das instituições de Ensino Superior nacionais e europeias, permitiria avaliar a saúde e analisar os comportamentos de risco ou promotores da mesma.

Tipo de Documento Tese de doutoramento
Idioma Português
Contribuidor(es) RepositóriUM - Universidade do Minho; Leandro, Maria Engrácia
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