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Quatro décadas de Portugal democrático. O que oferece aos jovens a formação profissional de nível secundário?

Author(s): Antunes, Fátima ; Sá, Virgínio

Date: 2014

Persistent ID: https://hdl.handle.net/1822/30624

Origin: RepositóriUM - Universidade do Minho

Subject(s): Portugal; Educação profissional; Democratização


Description

O balanço do que, após quatro décadas de democracia em Portugal, oferece aos jovens a educação profissional secundária é mitigado se contrastado com o horizonte das promessas de democratização e bastante mais positivo, se for considerado o caminho percorrido ou o muito que temos a perder se avançar o projeto de subdesenvolvimento do país servido pelas recentes políticas educativas austeritárias e regressivas. Este sistema diferencia-se e é tributário daquele que foi lançado no final dos anos oitenta e durante mais de uma década gerou a reprovação e a desistência massivas, sobretudo entre os jovens das classes populares que, pela primeira vez, frequentavam o ensino secundário. Desde 2005, a resposta à procura de educação secundária ampliou-se, através do crescimento do número de vagas e matriculados nas fileiras profissionais; a taxa de reprovação diminuiu expressivamente entre 2000/01 e 2007/08 e a taxa de conclusão elevou-se consistentemente no mesmo período. A evolução posterior quanto à construção do sucesso e à fabricação do fracasso escolares levanta questões cuja discussão se tornou simultaneamente mais necessária e mais difícil, dados os tempos conturbados que, desde 2011, o país e o setor vivem. Assim, um sinuoso e difícil caminho foi percorrido em Portugal até que, para segmentos importantes de jovens (e professores, com o apoio das escolas), certas fileiras de educação profissional fossem apropriadas como possibilidades de uma outra educação e como um desvio institucional de acesso à educação superior. Hoje, essa ampliação das oportunidades institucionais começa a ficar em questão, a educação profissional está a caminho do acantonamento como uma via terminal de massas e ameaça converter-se numa resposta educativa voltada para a restrição de oportunidades; nesse sentido, torna-se mais visível o resfriamento de aspirações à continuidade de estudos, em favor de uma orientação política de controlo social e conformidade a um projeto de subdesenvolvimento e incoesão da sociedade portuguesa. A educação profissional continua no entanto, hoje como sempre, a ser um campo de luta e ação políticas protagonizadas por atores coletivos (e individuais) (estado, escolas, classes sociais e segmentos de públicos escolares).

Document Type Book part
Language Portuguese
Contributor(s) RepositóriUM - Universidade do Minho
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