Author(s): Macedo, Ana Maria da Costa
Date: 2019
Persistent ID: https://hdl.handle.net/1822/60646
Origin: RepositóriUM - Universidade do Minho
Subject(s): Ciências Sociais::Sociologia; Ciências Sociais::Outras Ciências Sociais
Author(s): Macedo, Ana Maria da Costa
Date: 2019
Persistent ID: https://hdl.handle.net/1822/60646
Origin: RepositóriUM - Universidade do Minho
Subject(s): Ciências Sociais::Sociologia; Ciências Sociais::Outras Ciências Sociais
No domínio dos Estudos Culturais e da interdisciplinaridade que estes convocam, propomo-nos discorrer pelo valor dos documentos produzidos voluntariamente no seio do universo familiar, escritos ao longo da sua história pelos membros da família, bem como sobre documentos pessoais, não necessariamente integrados em arquivos, por forma a avaliar o contributo destas fontes para o conhecimento e compreensão da nossa história e vida coletiva. Com este objetivo partimos na busca de recursos documentais inéditos conservados por famílias ou por pessoas singulares ao longo da sua vida, indicativos de percursos e narrativas relevantes. Num primeiro momento, debruçamo-nos sobre duas famílias detentoras de arquivos preservados em casa por tempos longos, expressão de uma continuidade de prestígio e poder na cidade de Braga, ainda hoje mantida nas Casas que conservam e nos arquivos que aí acumularam. Famílias semelhantes no estatuto de elite que deu corpo à sua história, mas diferentes nos percursos singulares que as particularizam na sua identidade própria. Num segundo tempo, desvelamos outro tipo de documentos, estes isolados no seu contexto, sob a forma de autobiografia, cartas e diário, produzidos por duas pessoas individuais com formações e percursos sociais distintos, veiculados até nós pela associação Arquivo dos Diários, recentemente criada em Lisboa - dando extensão a um projeto mais vasto iniciado em Itália no pós-guerra - e que se dedica à preservação de memórias autobiográficas de pessoas comuns. Aqui apresentamos dois casos diferentes, primeiro o percurso de uma mulher nos primórdios do Portugal democrático, depois, um homem em comissão militar, na longínqua Goa, ao tempo colonial/ultramarino, ambos reveladores de histórias de vida intensas e significativas da configuração da nossa história e identidade nacional. Assim, a nossa investigação centra-se na elaboração das histórias de vida de duas famílias com os seus indivíduos e de dois indivíduos com as suas famílias, através do estudo dos documentos por si produzidos e conservados. Convictos de que existem muitas micro-histórias por contar e de que é nas pequenas histórias do quotidiano das pessoas que se configura a grande história, pensamos desta forma contribuir tanto para trazer à luz do conhecimento novas fontes de informação, como para convocar a atenção e o interesse por esta literatura de vida, componente essencial da Nova História Cultural.