Autor(es): Pires, Helena
Data: 2021
Identificador Persistente: https://hdl.handle.net/1822/92693
Origem: RepositóriUM - Universidade do Minho
Assunto(s): Passeio; Arte urbana; Cultura urbana; Esteiro; Tédio; Ciências Sociais::Ciências da Comunicação
Autor(es): Pires, Helena
Data: 2021
Identificador Persistente: https://hdl.handle.net/1822/92693
Origem: RepositóriUM - Universidade do Minho
Assunto(s): Passeio; Arte urbana; Cultura urbana; Esteiro; Tédio; Ciências Sociais::Ciências da Comunicação
Desde meados do século XIX que se discute o tema do tédio, por alguns designado como o mal du siècle. O tema foi sendo tratado por diversos filósofos: Pascal, Schopenhauer, Kierkegaard, Nietzsche, Heidegger…Em finais dos anos 20, a par dos contributos de outros pensadores tais como Thomas Mann, Siegfried Kracauer ou Walter Benjamin, Heidegger (2005; 2007) questiona-se sobre a essência da modernidade. Poderemos defini-la como “a época da imagem do mundo”? Pode o mundo converter-se em imagem? Falamos de “imagem” no sentido em que se pode discutir uma teoria humanista a partir da observação e da contemplação do mundo, não se prefigurando no uso específico deste conceito o entendimento político-ideológico e crítico que lhe emprestam os autores da Escola de Frankfurt ou mesmo, mais tarde, o Internacional Situacionismo, com Guy Debord e afins. Faço desde já este preâmbulo para notar que talvez, pelo menos, o nosso pequeno mundo subjetivo seja em parte construído pelas e com as imagens-objeto que nos fazem companhia, aquelas que vamos adotando como quem adota um animal doméstico, imagens parceiras do nosso quotidiano. Foi este sentido de perseguição do desejo de transformação da experiência em imagem, auspiciado por Heidegger (2005; 2007), que me levou a revisitar a loja-oficina de Henrique Baixinho, ainda que hesitante sobre as renovadas motivações que para ali me empurram: Estamos no dia 16 de agosto, uma segunda-feira de manhã, em Caminha. Dirijo-me ao atelier de Henrique Baixinho e ainda do outro lado da rua, junto aos CTT, vejo-o à porta. Aproximo-me e sugiro, já lá dentro, que me conte a história do seu “passatempo”, enquanto revisito as suas peças em exposição, ou melhor, objetos amontoados naquele que é agora metade do espaço onde estivera até há um ano atrás, ocupando então duas lojas contíguas, em vez de apenas uma.