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Paradigmas de Sustentabilidade na Política Portuguesa. Uma análise de conteúdo e avalia- ção de indicadores de sustentabilidade explorando os conceitos de Degrowth, Green Growth e Wellbeing Economy

Author(s): Almeida, Leonor Gonçalves Peres de

Date: 2025

Persistent ID: http://hdl.handle.net/10362/206212

Origin: Repositório Institucional da UNL

Subject(s): Degrowth; Green Growth; Wellbeing Economy; Desenvolvimento sustentável; Economia ecológica


Description

Num contexto de crise climática, tensões geopolíticas e pressão sobre limites planetários, as economias permanecem formatadas para o crescimento do PIB, métrica crescentemente criticada por desprezar custos ambientais e dimensões de bem-estar. À luz do Acordo de Paris, impõe-se avaliar como a política portuguesa enquadra a transição ecológica, justiça social e prosperidade. Esta dissertação analisa o grau de alinhamento dos principais partidos políticos com três paradigmas de sustentabilidade: Degrowth, Green Growth e Wellbeing Economy. Metodologicamente, combinou-se análise de conteúdo de programas eleitorais (categorial, para quantificar unidades de codificação, e temática, para aferir profundidade programática numa escala de 0–3), com uma análise de indicadores representativos de cada paradigma: Degrowth (pegada ecológica per capita; consumo interno de materiais per capita; duração se- manal efetiva do trabalho), Green Growth (intensidade carbónica do PIB; mix energético; índice de eco-inovação) e Wellbeing Economy (índice de bem-estar; coeficiente de Gini; risco de pobreza). Os resultados obtidos ilustram que: (i) o Green Growth domina o discurso e apresenta maior densidade propositiva, coerente com a queda da intensidade carbónica e a forte substituição de fósseis por eólica/solar no sistema energético; (ii) o Wellbeing Economy é emergente e heterogéneo: observa-se redução do risco de pobreza via transferências, mas estagnação em dimensões imateriais da qualidade de vida; (iii) o Degrowth permanece marginal, e os indicadores materiais (pegada ecológica, consumo interno de materiais) não evidenciam redução estrutural. Conclui-se que a transição em Portugal é operada sobretudo tendo em conta os valores do Green Growth e carece de instrumentos sociais preventivos (rendimento do trabalho, habitação, tempo de vida, serviços públicos) e de gestão da procura (suficiência material/energética, circularidade) para aproximar retórica, qualidade programática e desempenho empírico. O trabalho contribui com um quadro analítico replicável para mapear discursos partidários e conectá-los a resultados mensuráveis de sustentabilidade.

In a context of climate crisis, geopolitical tensions, and pressure on planetary bounda- ries, economies remain geared toward GDP growth, a metric that is increasingly criticized for ignoring environmental costs and dimensions of wellbeing. Considering the Paris Agreement, it is necessary to assess how Portuguese politics frames ecological transition, social justice, and prosperity. This dissertation analyses the degree of alignment of the main political parties with three sustainability paradigms: Degrowth, Green Growth, and Wellbeing Economy. Methodologically, content analysis of electoral programmes (categorical, to quantify coding units, and thematic, to assess programme depth on a scale of 0–3), was combined with an analysis of indicators representative of each paradigm: Degrowth (ecological footprint per capita; domestic consumption of materials per capita; effective weekly working hours), Green Growth (carbon intensity of GDP; energy mix; eco-innovation index) and Wellbeing Economy (wellbeing index; Gini coefficient; risk of poverty). The results obtained illustrate that: (i) Green Growth dominates the discourse and has greater propositional density, consistent with the fall in carbon intensity and the strong sub- stitution of fossil fuels by wind/solar in the electricity system; (ii) Wellbeing Economy is emerging and heterogeneous: there is a reduction in poverty risk via transfers, but stagnation in immaterial dimensions of quality of life; (iii) Degrowth remains marginal, and material indicators (ecological footprint, DMC) show no structural reduction. It can be concluded that the transition in Portugal is mainly driven by Green Growth values and lacks preventive social instruments (income from work, housing, life expectancy, public services) and demand management (material/energy sufficiency, circularity) to bring rhetoric, programme quality and empirical performance closer together. The work contributes a replicable analytical framework for mapping party discourse and connecting it to measura- ble sustainability outcomes.

Document Type Master thesis
Language Portuguese
Contributor(s) RUN; Santos, Rui
CC Licence
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