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Microfloresta como infraestrutura verde de adaptação sustentável às alterações climáticas em áreas urbanas

Author(s): Santos, Arida Chagas

Date: 2025

Persistent ID: http://hdl.handle.net/10362/206221

Origin: Repositório Institucional da UNL

Subject(s): Microfloresta; Alteração climática; Adaptação sustentável; Áreas urbanas; Resiliência; Políticas públicas


Description

A presente dissertação analisa o potencial das microflorestas enquanto infraestruturas verdes de adaptação sustentável às alterações climáticas em contextos urbanos, tomando como referência empírica os casos de Almada (Portugal) e Belo Horizonte (Brasil). Parte-se da premissa de que o crescimento urbano, resultante de processos acelerados de urbanização, tem amplificado os impactos ambientais e sociais nas cidades contemporâneas, tornando premente a adoção de soluções baseadas na natureza que conciliam resiliência ecológica, coesão social e justiça socioambiental. As microflorestas — soluções inspiradas no método Miyawaki — caracterizam-se pela elevada densidade e diversidade de espécies nativas ou autóctones e pela capacidade de promover a regeneração ecológica em prazos relativamente curtos. Estas intervenções contribuem para o sequestro de carbono, a regulação microclimática, o aumento da biodiversidade e a promoção do bem-estar urbano, configurando-se como instrumentos estratégicos de mitigação e adaptação às alterações climáticas. A investigação, de natureza qualitativa e abordagem interdisciplinar, articula revisão bibliográfica, análise documental e entrevistas semiestruturadas realizadas com gestores, técnicos e representantes comunitários. Os resultados revelam que a governança colaborativa, ancorada na articulação entre o poder público, as instituições académicas e as comunidades locais, constitui condição essencial para o êxito e a perenidade das iniciativas. Contudo, identificou-se que a ausência de políticas públicas integradas, de mecanismos de financiamento estáveis e de processos sistemáticos de monitorização limita a capacidade de replicação e consolidação das microflorestas, especialmente no contexto brasileiro. Conclui-se que as microflorestas urbanas ultrapassam a sua dimensão ecológica, assumindo-se como dispositivos socioecológicos multifuncionais e espaços de educação ambiental, participação cidadã e convivência comunitária. Neste sentido, consolidam-se como instrumentos relevantes para a promoção de cidades mais resilientes, inclusivas e sustentáveis, alinhadas com os princípios da Agenda 2030 e das estratégias globais de adaptação climática.

This dissertation analyzes the potential of microforests as green infrastructures for sustainable climate adaptation in urban contexts, based on empirical case studies conducted in Almada (Portugal) and Belo Horizonte (Brazil). It departs from the premise that urban growth, driven by accelerated processes of urbanization, has intensified environmental and social pressures in contemporary cities, thereby demanding nature-based solutions that integrate ecological resilience, social cohesion, and environmental justice. Microforests—nature-based interventions inspired by the Miyawaki method—are characterized by the high density and diversity of native or autochthonous species and by their capacity to regenerate degraded ecosystems in relatively short time frames. These interventions contribute to carbon sequestration, microclimatic regulation, biodiversity enhancement, and the improvement of urban well-being, positioning themselves as strategic tools for both climate change mitigation and adaptation. The research adopts a qualitative and interdisciplinary approach, combining literature review, documentary analysis, and semi-structured interviews with managers, technical experts, and community representatives. The findings reveal that collaborative governance—anchored in partnerships between public authorities, academic institutions, and local communities—is a fundamental condition for the success and continuity of such initiatives. However, the absence of integrated public policies, stable funding mechanisms, and systematic monitoring processes limits the replicability and long-term consolidation of microforests, particularly within the Brazilian context. It is concluded that urban microforests transcend their ecological function, emerging as multifunctional socio-ecological systems and as spaces for environmental education, civic engagement, and community interaction. In this regard, they represent significant instruments for fostering more resilient, inclusive, and sustainable cities, aligned with the principles of the 2030 Agenda and global strategies for climate adaptation.

Document Type Master thesis
Language Portuguese
Contributor(s) RUN; Ferreira, José; Silva, Caio
CC Licence
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