Publicação
Avaliação do risco de exposição a metilmercúrio em amostras de cabelo humano
| Resumo: | O metilmercúrio (MeHg) é um composto orgânico de mercúrio que se acumula facilmente na cadeia alimentar marinha e é eliminado muito lentamente pelo organismo humano. Tal representa um risco significativo para os humanos, sobretudo devido ao consumo de peixe, a principal via de exposição ao MeHg. Esta problemática é particularmente relevante em países com elevado consumo de pescado, como é o caso de Portugal (57 kg per capita por ano). Estudos anteriores revelaram níveis preocupantes de exposição ao MeHg em grupos vulneráveis, como grávidas e crianças. O cabelo humano é um bom indicador de exposição ao metilmercúrio, acumulando concentrações cerca de 250 vezes superiores às do sangue e 50 vezes mais elevadas que no Sistema Nervoso Central, tornando-o um biomarcador de excelência, devido à facilidade e não-invasividade da sua recolha. Assim, o principal objetivo deste projeto é avaliar o risco de exposição da população ao MeHg, tendo em conta a frequência e tipologia do consumo de peixe reportada em inquéritos de frequência alimentar e o nível de mercúrio determinado em amostras de cabelo. Entre os objetivos secundários estão: validar o método, estimar a exposição ao MeHg, comparar resultados analíticos com inquéritos alimentares, identificar perfis de consumo associados a maior risco, e analisar a relação entre exposição recente e continuada. A recolha de cabelo foi realizada de acordo com os protocolos da OMS, sendo as amostras analisadas por espectroscopia de absorção atómica (AAS). Os dados obtidos, com base em 154 amostras, indicaram um baixo risco de toxicidade na população estudada, sendo que apenas 4,5% se encontrava acima do limiar de toxicidade (IR>1), tendo-se igualmente verificado que os inquéritos alimentares tendem a sobrestimar a exposição. A análise segmentada de madeixas do cabelo indicou que a exposição recente nem sempre reflete a exposição do último ano, uma vez que apenas em 53% das amostras o valor mais recente não foi significativamente diferente do valor médio do ano anterior. Um aspeto importante, que pode ser útil no desenho da amostragem para a Avaliação de Risco de exposição a MeHg, é o facto de que, nesta amostra populacional, o risco de exposição individual ter sido independente do risco de exposição dos restantes membros do mesmo agregado familiar. |
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| Autores principais: | Sá, Joana Maria Neves |
| Assunto: | Cabelo humano Espetrometria de absorção atómica Metilmercúrio Risco de exposição |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Egas Moniz - Cooperativa de Ensino Superior, CRL |
| Idioma: | português |
| Origem: | Egas Moniz - Cooperativa de Ensino Superior, CRL |
| Resumo: | O metilmercúrio (MeHg) é um composto orgânico de mercúrio que se acumula facilmente na cadeia alimentar marinha e é eliminado muito lentamente pelo organismo humano. Tal representa um risco significativo para os humanos, sobretudo devido ao consumo de peixe, a principal via de exposição ao MeHg. Esta problemática é particularmente relevante em países com elevado consumo de pescado, como é o caso de Portugal (57 kg per capita por ano). Estudos anteriores revelaram níveis preocupantes de exposição ao MeHg em grupos vulneráveis, como grávidas e crianças. O cabelo humano é um bom indicador de exposição ao metilmercúrio, acumulando concentrações cerca de 250 vezes superiores às do sangue e 50 vezes mais elevadas que no Sistema Nervoso Central, tornando-o um biomarcador de excelência, devido à facilidade e não-invasividade da sua recolha. Assim, o principal objetivo deste projeto é avaliar o risco de exposição da população ao MeHg, tendo em conta a frequência e tipologia do consumo de peixe reportada em inquéritos de frequência alimentar e o nível de mercúrio determinado em amostras de cabelo. Entre os objetivos secundários estão: validar o método, estimar a exposição ao MeHg, comparar resultados analíticos com inquéritos alimentares, identificar perfis de consumo associados a maior risco, e analisar a relação entre exposição recente e continuada. A recolha de cabelo foi realizada de acordo com os protocolos da OMS, sendo as amostras analisadas por espectroscopia de absorção atómica (AAS). Os dados obtidos, com base em 154 amostras, indicaram um baixo risco de toxicidade na população estudada, sendo que apenas 4,5% se encontrava acima do limiar de toxicidade (IR>1), tendo-se igualmente verificado que os inquéritos alimentares tendem a sobrestimar a exposição. A análise segmentada de madeixas do cabelo indicou que a exposição recente nem sempre reflete a exposição do último ano, uma vez que apenas em 53% das amostras o valor mais recente não foi significativamente diferente do valor médio do ano anterior. Um aspeto importante, que pode ser útil no desenho da amostragem para a Avaliação de Risco de exposição a MeHg, é o facto de que, nesta amostra populacional, o risco de exposição individual ter sido independente do risco de exposição dos restantes membros do mesmo agregado familiar. |
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