Publicação
A vegetação e herbivoria num território em acelerada mudança
| Resumo: | A estrutura das etapas sucessionais e a sua prevalência na composição dos mosaicos vegetacionais à escala da paisagem são, em grande medida, controlados pelos padrões de perturbação. Num passado ainda recente, o território português era esquadrinhado por 15 raças de bovinos, 16 de ovinos, 6 de caprinos (com vários ecótipos) e 6 raças de equídeos, com uma ecologia alimentar diversa e cargas pastoris suficientes para explorar ao limite a enorme diversidade de recursos forrageiros disponíveis. Focando a discussão nos espaços de montanha do norte do país, o pastoreio misto, por vezes conciliando as quatros espécies antes referidas, complementado com um fogo pastoril tópico e a arranca de toiças de arbustos para lenhas e carvões, promoveu um coberto de vegetação herbáceas vivaz em detrimento das comunidades vegetais arbustivas. O bosque detinha outras funções, era a fonte de madeiras de construção e um seguro para os tempos difíceis. A oligotrofia intrínseca do substrato rochoso das nossas montanhas, a intensa lixiviação de bases causada pela baixa CTC e pela elevada precipitação, e a exportação de nutrientes para as terras baixas por via animal explicam que o coberto vegetal fosse dominado por comunidades de Agrostis capillaris em granitos e de A. curtisii em xistos e corneanas, comunidades de Violion caninae (Nardetea strictae) de taxonomia mal conhecida. Uma dependência funcional estrita conectava as formações herbáceas vivazes de montanha, em grande parte de propriedade comunal, aos lameiros privados de Molinio-Arrhenatheretea e às restantes componentes dos sistemas tradicionais de agricultura. A principal função da vegetação herbácea dos baldios de montanha era alimentar de nutrientes os lameiros e terras agrícolas, atuando os herbívoros domésticos como meio de transporte |
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| Autores principais: | Aguiar, Carlos |
| Assunto: | Vegetação herbácea Fitossociologia Herbivoria Fogo Research Subject Categories::FORESTRY, AGRICULTURAL SCIENCES and LANDSCAPE PLANNING::Plant production |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | documento de conferência |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Bragança |
| Idioma: | português |
| Origem: | Biblioteca Digital do IPB |
| Resumo: | A estrutura das etapas sucessionais e a sua prevalência na composição dos mosaicos vegetacionais à escala da paisagem são, em grande medida, controlados pelos padrões de perturbação. Num passado ainda recente, o território português era esquadrinhado por 15 raças de bovinos, 16 de ovinos, 6 de caprinos (com vários ecótipos) e 6 raças de equídeos, com uma ecologia alimentar diversa e cargas pastoris suficientes para explorar ao limite a enorme diversidade de recursos forrageiros disponíveis. Focando a discussão nos espaços de montanha do norte do país, o pastoreio misto, por vezes conciliando as quatros espécies antes referidas, complementado com um fogo pastoril tópico e a arranca de toiças de arbustos para lenhas e carvões, promoveu um coberto de vegetação herbáceas vivaz em detrimento das comunidades vegetais arbustivas. O bosque detinha outras funções, era a fonte de madeiras de construção e um seguro para os tempos difíceis. A oligotrofia intrínseca do substrato rochoso das nossas montanhas, a intensa lixiviação de bases causada pela baixa CTC e pela elevada precipitação, e a exportação de nutrientes para as terras baixas por via animal explicam que o coberto vegetal fosse dominado por comunidades de Agrostis capillaris em granitos e de A. curtisii em xistos e corneanas, comunidades de Violion caninae (Nardetea strictae) de taxonomia mal conhecida. Uma dependência funcional estrita conectava as formações herbáceas vivazes de montanha, em grande parte de propriedade comunal, aos lameiros privados de Molinio-Arrhenatheretea e às restantes componentes dos sistemas tradicionais de agricultura. A principal função da vegetação herbácea dos baldios de montanha era alimentar de nutrientes os lameiros e terras agrícolas, atuando os herbívoros domésticos como meio de transporte |
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