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Variação semântica nas nominalizações em -ção no português do Brasil e europeu

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O presente trabalho tem como suporte teórico a perspetiva paradigmática aplicada à morfologia derivacional (Hathout & Namer, 2018). Este estudo centra-se numa análise psicolinguística de deverbais que apresentam os sufixos -ção, -mento e -ão. Os derivados dos dois primeiros sufixos não disponibilizam um semantismo de [intensidade/iteratividade], enquanto que o último sufixo provê os seus produtos deste semantismo (contemplação, aluimento vs. empurrão, abusão) No entanto, dados coligidos a partir de corpora e de recolhas no Google mostram que o sufixo -ção, no português do Brasil, mas não no português europeu, está a desenvolver um semantismo de [intensidade/iteratividade] (e.g. viajação, passeação) (Rocha, 1999). O presente trabalho procede a uma abordagem experimental, de carácter psicolinguístico, baseada em tarefas de decisão semântica, levada a cabo com falantes nativos de português do Brasil e de português europeu. Os resultados do experimento revelam que apenas os falantes de português do Brasil identificam o semantismo de [intensidade/iteratividade] nos deverbais em apreço e que os falantes europeus não o fazem, mesmo quando os deverbais se encontram inseridos em co-textos que favorecem a interpretação desse semantismo. Para além de os resultados da abordagem experimental corroborarem a variação em curso entre a morfologia derivacional no PE e no PB, o estudo permite compreender que, comparando as duas variedades da língua, o sufixo -ção se encontra em fase de construção de um novo paradigma intercruzado (Rodrigues & Rodrigues, 2018) no português do Brasil, mas não no português europeu. Estes novos dados apresentam implicações teóricas para a abordagem paradigmática na morfologia derivacional; a saber: os paradigmas derivacionais dispõem de intra- e interplasticidade, mostrando, assim, mais uma vantagem explicativa em relação às regras derivacionais, que não permitem essa plasticidade.
Autores principais:Rodrigues, Alexandra Soares
Outros Autores:Rodrigues, Pedro João
Assunto:Variação semântica Português do Brasil Português europeu Paradigms genolexicais
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:documento de conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:O presente trabalho tem como suporte teórico a perspetiva paradigmática aplicada à morfologia derivacional (Hathout & Namer, 2018). Este estudo centra-se numa análise psicolinguística de deverbais que apresentam os sufixos -ção, -mento e -ão. Os derivados dos dois primeiros sufixos não disponibilizam um semantismo de [intensidade/iteratividade], enquanto que o último sufixo provê os seus produtos deste semantismo (contemplação, aluimento vs. empurrão, abusão) No entanto, dados coligidos a partir de corpora e de recolhas no Google mostram que o sufixo -ção, no português do Brasil, mas não no português europeu, está a desenvolver um semantismo de [intensidade/iteratividade] (e.g. viajação, passeação) (Rocha, 1999). O presente trabalho procede a uma abordagem experimental, de carácter psicolinguístico, baseada em tarefas de decisão semântica, levada a cabo com falantes nativos de português do Brasil e de português europeu. Os resultados do experimento revelam que apenas os falantes de português do Brasil identificam o semantismo de [intensidade/iteratividade] nos deverbais em apreço e que os falantes europeus não o fazem, mesmo quando os deverbais se encontram inseridos em co-textos que favorecem a interpretação desse semantismo. Para além de os resultados da abordagem experimental corroborarem a variação em curso entre a morfologia derivacional no PE e no PB, o estudo permite compreender que, comparando as duas variedades da língua, o sufixo -ção se encontra em fase de construção de um novo paradigma intercruzado (Rodrigues & Rodrigues, 2018) no português do Brasil, mas não no português europeu. Estes novos dados apresentam implicações teóricas para a abordagem paradigmática na morfologia derivacional; a saber: os paradigmas derivacionais dispõem de intra- e interplasticidade, mostrando, assim, mais uma vantagem explicativa em relação às regras derivacionais, que não permitem essa plasticidade.