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Do cão-tinhoso (Honwana) ao cão das lágrimas (Saramago): Universos distópicos na literatura lusófona

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A presente comunicação visa apresentar uma reflexão que emerge da leitura de duas narrativas: Nós matamos o Cão-Tinhoso, de Luís Bernardo Honwana e Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. Cruzando a poética com a análise literária, no centro desta reflexão coloca-se a construção da personagem “cão” problematizando as suas potencialidades semionarrativas na instauração (e, também, na contestação) de universos distópicos. Além disso, pontualmente, estabelecer-se-ão outras relações intertextuais evidenciando como, a propósito deste tema, vão dialogando diversas vozes narrativas em diferentes espaços e momentos da lusofonia. Neste sentido, recorda-se que as distopias não são apenas apresentações de “lugares” negativos (disfóricos); elas problematizam a capacidade de sonharmos mundos melhores (problematizam-na, sem necessariamente a negarem ou a destruírem). O recurso ao animal (no caso, ao cão) é problematizado como processo de (e)fabular a condição humana na sua sempre complexa relação com o outro. Estas narrativas dão corpo a uma poética que é simultaneamente do desencanto, pela ostentação de universos distópicos, e da subversão, pelo desafio à leitura profundamente crítica desses universos e do próprio desencanto que eles geram. Acresce que a leitura das referidas narrativas nos faz (re)pensar a figura feminina como verdadeiramente poética, isto é, criadora. Diante de um universo distópico, em que o comportamento humano se torna animalesco, a figura e a ação femininas recordam-nos que a esperança persiste. Os universos distópicos trazem para a luz a barbárie, colocando o leitor perante a experiência crua do drama humano, embora lhe recordem (em particular nos textos em análise) que toda essa experiência funciona como rito de (re)iniciação e ostenta uma reflexão acerca da precária realidade do mundo.
Autores principais:Teixeira, Carlos
Assunto:Literatura lusófona Distopia Romance/conto Personagem Cão
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:documento de conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:A presente comunicação visa apresentar uma reflexão que emerge da leitura de duas narrativas: Nós matamos o Cão-Tinhoso, de Luís Bernardo Honwana e Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. Cruzando a poética com a análise literária, no centro desta reflexão coloca-se a construção da personagem “cão” problematizando as suas potencialidades semionarrativas na instauração (e, também, na contestação) de universos distópicos. Além disso, pontualmente, estabelecer-se-ão outras relações intertextuais evidenciando como, a propósito deste tema, vão dialogando diversas vozes narrativas em diferentes espaços e momentos da lusofonia. Neste sentido, recorda-se que as distopias não são apenas apresentações de “lugares” negativos (disfóricos); elas problematizam a capacidade de sonharmos mundos melhores (problematizam-na, sem necessariamente a negarem ou a destruírem). O recurso ao animal (no caso, ao cão) é problematizado como processo de (e)fabular a condição humana na sua sempre complexa relação com o outro. Estas narrativas dão corpo a uma poética que é simultaneamente do desencanto, pela ostentação de universos distópicos, e da subversão, pelo desafio à leitura profundamente crítica desses universos e do próprio desencanto que eles geram. Acresce que a leitura das referidas narrativas nos faz (re)pensar a figura feminina como verdadeiramente poética, isto é, criadora. Diante de um universo distópico, em que o comportamento humano se torna animalesco, a figura e a ação femininas recordam-nos que a esperança persiste. Os universos distópicos trazem para a luz a barbárie, colocando o leitor perante a experiência crua do drama humano, embora lhe recordem (em particular nos textos em análise) que toda essa experiência funciona como rito de (re)iniciação e ostenta uma reflexão acerca da precária realidade do mundo.