Publicação
Mapeamento do carbono armazenado nos solos da bacia hidrográfica do rio Sabor, NE Portugal
| Resumo: | As atividades exercidas pela sociedade liberaram grande quantidade de carbono para atmosfera e atualmente começa-se a sentir os impactos causados por esta atitude, para isso busca-se definir ações que tenham como objetivo a remoção da atmosfera de compostos ricos em carbono. Portanto é importante ter conhecimento dos fluxos do carbono e quais são os locais e quais características estes devem ter para favorecer o armazenamento de carbono. Compreendendo a importância da remoção de carbono da atmosfera, o presente trabalho busca estudar o carbono orgânico presente nos solos da bacia do Alto rio Sabor, NE Portugal e as relações que este estabelece com componentes da paisagem. A bacia do alto rio Sabor possui 30 645,6 ha, uma parte deste território compreende uma parcela do Parque Natural de Montesinho e outras freguesias do distrito de Bragança, Portugal. É um local com macroclima continental, com temperaturas variando entre 8,5ºC e 12,8 ºC. Aleatóriamente definiu-se 25 unidades primárias de amostragem a contar de uma grade de 1000x1000 m no sistema de coordenadas geográficas WGS 1984 UTM 29 N. Dentro das unidades primárias delimitou-se as unidades secundárias, com 200x200 m, posicionadas nos cantos e centro de cada unidade primária. No centro de cada SU, colheram-se amostras de solo nas camadas 0-5, 5-10, 10-20 e 20-30 cm. Nas mesmas profundidades, colheram-se amostras de solo não perturbadas, de 100 cm3, para determinação da densidade aparente. Primeiramente, as amostras de solo foram secas ao ar, crivadas para determinação das frações terra fina e elementos grosseiros e analisadas quanto à concentração de carbono por combustão seca e assim utilizou-se uma equação para determinar a quantidade de carbono orgânico no solo por unidade de área. Testou-se a normalidade dos dados obtidos e realizou-se comparações entre a quantidade de carbono amostrado com características do ambiente, altitude, declive por meio do teste de regressão, e determinou-se a existência de diferenças significativas entre os usos da terra e tipos de solo. Efetuou-se o teste de regressão linear múltipla em diferentes modelos para determinar a interferência das variáveis ambientais de modo simultâneo sobre a quantidade de carbono presente no solo. A partir das equações obtidas no teste de regressão modelou-se a distribuição do carbono para todo o território. A partir dos resultados obtidos por meio das análises laboratoriais conclui-se que o carbono se encontra em maior densidade na região norte da Bacia do Alto rio Sabor, isto advém da interferência das variáveis ambientais, pois nesta área encontra-se os sítios mais altos e com usos que não propiciam a perda do carbono presente no solo, portanto percebe-se que o armazenamento de carbono no solo é amplamente afetado pelas variáveis ambientais. A partir disto observou-se que a altitude influencia significativamente a quantidade de carbono presente no solo. Os resultados obtidos por meio da modelação estatística utilizando a equação linear mostram-se insensíveis ao decaimento de biomassa quando se tem altitudes superiores a 1200 m. Notou-se que áreas de menor declive são onde há a maior concentração de carbono no solo, porém estas áreas não possuem quantidade de carbono significativamente diferente de áreas com declive mais acentuado, essa variável afeta significativamente apenas a camada mais profunda, de 20 a 30 cm, entre as analisadas. Dentre os usos da terra os matos são os que possuem a maior quantidade média de carbono armazenado, sendo que nas três primeiras camadas este mostra-se significativamente superior as áreas agrícolas. As pastagens possuem a tendência de armazenamento do carbono em camadas mais profunda do solo. Ao comparar a quantidade de carbono armazenado em cada camada de profundidade dos diferentes usos observou-se existe diferenças significativa entre as três primeiras camadas, de 0 a 20 cm. Amostrou-se dez diferentes solos, dentre estes o Leptossolos úmbricos de granitos e os de xistos são os que possuem as maiores quantidades média de carbono armazenado, em alguns casos estes foram superiores significativamente a outros tipos de solo. Os modelos lineares multivariados construídos possuem valores de r2 superior a 0,419, sendo que o modelo para profundidade total possui um r2 de 0,529. Portanto as variáveis utilizadas nestes modelos estatísticos são componentes da paisagem e tidos em macro escala e explicam parte da distribuição do carbono armazenado no solo, e para maior exatidão da compressão dessa distribuição existe a necessidade da observação dos componentes da microescala, como microbiota e característica da biomassa. Observa-se também a necessidade de validação e calibração dos resultados obtidos por este método de modelação e para assim aferir com maior precisão a densidade de carbono presente na bacia do Alto rio Sabor. Portanto, percebe-se que existe uma grande influência do uso da terra e da altitude sobre o armazenamento de carbono no solo, pois a distribuição desse é mais dependente destas duas características do que do tipo de solo e declive. |
|---|---|
| Autores principais: | Patrício, Matheus Bueno |
| Assunto: | Stock de carbono Mitigação Mudanças climáticas |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Bragança |
| Idioma: | português |
| Origem: | Biblioteca Digital do IPB |
| Resumo: | As atividades exercidas pela sociedade liberaram grande quantidade de carbono para atmosfera e atualmente começa-se a sentir os impactos causados por esta atitude, para isso busca-se definir ações que tenham como objetivo a remoção da atmosfera de compostos ricos em carbono. Portanto é importante ter conhecimento dos fluxos do carbono e quais são os locais e quais características estes devem ter para favorecer o armazenamento de carbono. Compreendendo a importância da remoção de carbono da atmosfera, o presente trabalho busca estudar o carbono orgânico presente nos solos da bacia do Alto rio Sabor, NE Portugal e as relações que este estabelece com componentes da paisagem. A bacia do alto rio Sabor possui 30 645,6 ha, uma parte deste território compreende uma parcela do Parque Natural de Montesinho e outras freguesias do distrito de Bragança, Portugal. É um local com macroclima continental, com temperaturas variando entre 8,5ºC e 12,8 ºC. Aleatóriamente definiu-se 25 unidades primárias de amostragem a contar de uma grade de 1000x1000 m no sistema de coordenadas geográficas WGS 1984 UTM 29 N. Dentro das unidades primárias delimitou-se as unidades secundárias, com 200x200 m, posicionadas nos cantos e centro de cada unidade primária. No centro de cada SU, colheram-se amostras de solo nas camadas 0-5, 5-10, 10-20 e 20-30 cm. Nas mesmas profundidades, colheram-se amostras de solo não perturbadas, de 100 cm3, para determinação da densidade aparente. Primeiramente, as amostras de solo foram secas ao ar, crivadas para determinação das frações terra fina e elementos grosseiros e analisadas quanto à concentração de carbono por combustão seca e assim utilizou-se uma equação para determinar a quantidade de carbono orgânico no solo por unidade de área. Testou-se a normalidade dos dados obtidos e realizou-se comparações entre a quantidade de carbono amostrado com características do ambiente, altitude, declive por meio do teste de regressão, e determinou-se a existência de diferenças significativas entre os usos da terra e tipos de solo. Efetuou-se o teste de regressão linear múltipla em diferentes modelos para determinar a interferência das variáveis ambientais de modo simultâneo sobre a quantidade de carbono presente no solo. A partir das equações obtidas no teste de regressão modelou-se a distribuição do carbono para todo o território. A partir dos resultados obtidos por meio das análises laboratoriais conclui-se que o carbono se encontra em maior densidade na região norte da Bacia do Alto rio Sabor, isto advém da interferência das variáveis ambientais, pois nesta área encontra-se os sítios mais altos e com usos que não propiciam a perda do carbono presente no solo, portanto percebe-se que o armazenamento de carbono no solo é amplamente afetado pelas variáveis ambientais. A partir disto observou-se que a altitude influencia significativamente a quantidade de carbono presente no solo. Os resultados obtidos por meio da modelação estatística utilizando a equação linear mostram-se insensíveis ao decaimento de biomassa quando se tem altitudes superiores a 1200 m. Notou-se que áreas de menor declive são onde há a maior concentração de carbono no solo, porém estas áreas não possuem quantidade de carbono significativamente diferente de áreas com declive mais acentuado, essa variável afeta significativamente apenas a camada mais profunda, de 20 a 30 cm, entre as analisadas. Dentre os usos da terra os matos são os que possuem a maior quantidade média de carbono armazenado, sendo que nas três primeiras camadas este mostra-se significativamente superior as áreas agrícolas. As pastagens possuem a tendência de armazenamento do carbono em camadas mais profunda do solo. Ao comparar a quantidade de carbono armazenado em cada camada de profundidade dos diferentes usos observou-se existe diferenças significativa entre as três primeiras camadas, de 0 a 20 cm. Amostrou-se dez diferentes solos, dentre estes o Leptossolos úmbricos de granitos e os de xistos são os que possuem as maiores quantidades média de carbono armazenado, em alguns casos estes foram superiores significativamente a outros tipos de solo. Os modelos lineares multivariados construídos possuem valores de r2 superior a 0,419, sendo que o modelo para profundidade total possui um r2 de 0,529. Portanto as variáveis utilizadas nestes modelos estatísticos são componentes da paisagem e tidos em macro escala e explicam parte da distribuição do carbono armazenado no solo, e para maior exatidão da compressão dessa distribuição existe a necessidade da observação dos componentes da microescala, como microbiota e característica da biomassa. Observa-se também a necessidade de validação e calibração dos resultados obtidos por este método de modelação e para assim aferir com maior precisão a densidade de carbono presente na bacia do Alto rio Sabor. Portanto, percebe-se que existe uma grande influência do uso da terra e da altitude sobre o armazenamento de carbono no solo, pois a distribuição desse é mais dependente destas duas características do que do tipo de solo e declive. |
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