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O papel da música na reconstrução da história e da memória em comunidades migrantes

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Os diferentes percursos migratórios desenhados pelos goeses, quer antes da incorporação de Goa pela União Indiana (1961) quer com o fim da Guerra Colonial (1975), definiram espaços de acolhimento preferenciais na Europa e em África, nomeadamente em Portugal e Moçambique. Nas localidades de Catembe e Maputo (Moçambique) vivem dois grupos de uma comunidade de descendentes de goeses, sujeitos que fazem parte da nossa investigação desde 2010. Em Maputo, reside o grupo de indivíduos socialmente inscritos numa elite de certo modo privilegiada e na Catembe habita o grupo de goeses que se dedica sobretudo à pesca do camarão. Os momentos em que estes dois grupos se encontram são frequentemente marcados pela performance musical, como processo de reconstrução e rememoração do lugar de origem – Goa. No decorrer do nosso trabalho de campo, tivemos oportunidade de observar e acompanhar diversos eventos, nomeadamente os que se inserem nas festas de carácter religioso, como a Festa de São Pedro, que se realiza a 29 de junho na Catembe. Esta é dedicada ao padroeiro dos pescadores, incluindo diferentes momentos ritualizados que inscrevem a narrativa e a história de uma comunidade na diáspora: o lançar ao mar da coroa de flores em memória dos antepassados, a oferta de alimentos, os cânticos em konkani, são algumas práticas performativas que definem esses elementos identitários. Este trabalho procura, deste modo, partilhar a experiência de trabalho de campo realizada em Maputo e na Catembe, entre 2010 e 2012, e mostrar como, através da música, no quadro das festas religiosas, é possível rememorar e recontar uma história de migração.
Autores principais:Castro, Isabel
Assunto:História Memória Música Migração
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:documento de conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:Os diferentes percursos migratórios desenhados pelos goeses, quer antes da incorporação de Goa pela União Indiana (1961) quer com o fim da Guerra Colonial (1975), definiram espaços de acolhimento preferenciais na Europa e em África, nomeadamente em Portugal e Moçambique. Nas localidades de Catembe e Maputo (Moçambique) vivem dois grupos de uma comunidade de descendentes de goeses, sujeitos que fazem parte da nossa investigação desde 2010. Em Maputo, reside o grupo de indivíduos socialmente inscritos numa elite de certo modo privilegiada e na Catembe habita o grupo de goeses que se dedica sobretudo à pesca do camarão. Os momentos em que estes dois grupos se encontram são frequentemente marcados pela performance musical, como processo de reconstrução e rememoração do lugar de origem – Goa. No decorrer do nosso trabalho de campo, tivemos oportunidade de observar e acompanhar diversos eventos, nomeadamente os que se inserem nas festas de carácter religioso, como a Festa de São Pedro, que se realiza a 29 de junho na Catembe. Esta é dedicada ao padroeiro dos pescadores, incluindo diferentes momentos ritualizados que inscrevem a narrativa e a história de uma comunidade na diáspora: o lançar ao mar da coroa de flores em memória dos antepassados, a oferta de alimentos, os cânticos em konkani, são algumas práticas performativas que definem esses elementos identitários. Este trabalho procura, deste modo, partilhar a experiência de trabalho de campo realizada em Maputo e na Catembe, entre 2010 e 2012, e mostrar como, através da música, no quadro das festas religiosas, é possível rememorar e recontar uma história de migração.