Publicação

Entre o Índico e o Atlântico: música e diálogos pós-coloniais das comunidades diaspóricas. O caso da comunidade goesa em Moçambique e Lisboa

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A longa tradição migrante da comunidade goesa, registada a partir do século XVI através dos corredores marítimos gerados pela colonização portuguesa, transformou Goa num território que hoje se define também pela sua diáspora. Moçambique constituiu, durante o estatuto colonial de Goa (1510-1961), um território de acolhimento privilegiado para os goeses não só pela condição geográfica de proximidade mas também porque Portugal imprimiu, sobretudo a partir da segunda metade do século XIX, uma política de incentivo à deslocação goeses para aquela ex-colónia africana, oferecendo-lhes cargos na administração pública após a sua formação académica em Portugal ou directamente em Goa. Esta situação conferiu aos goeses em Moçambique um protagonismo especial que foi depois reiterado na sua inserção em Portugal após a descolonização do país em 1974. Mas, e para o caso dos goeses que após 1974 optaram por residir em Portugal, conferiu-lhes também uma espécie de estatuto duplamente pós-colonial uma vez que quer o espaço de origem quer o primeiro território de acolhimento (Moçambique) eram, eles próprios, territórios pós-coloniais e ex-colónias do mesmo colonizador. Sabemos que a música adquire um estatuto central no quadro da cultura goesa quer em Goa quer na diáspora. Assim, esta comunicação, cujo trabalho de campo está em curso, procura incidir sobre uma proposta de análise triangular entre Goa, Maputo e Lisboa, num percurso duplamente oceânico que se reparte entre o Índico e o Atlântico, e duplamente pós-colonial. Procura reflectir sobre o modo como a música viaja nestes itinerários múltiplos constituindo assim um contributo inédito para os estudos sobre música e diáspora no universo da poscolonialidade associado à lusofonia.
Autores principais:Castro, Isabel
Assunto:Migração Música Identidade Goa Moçambique
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:documento de conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:A longa tradição migrante da comunidade goesa, registada a partir do século XVI através dos corredores marítimos gerados pela colonização portuguesa, transformou Goa num território que hoje se define também pela sua diáspora. Moçambique constituiu, durante o estatuto colonial de Goa (1510-1961), um território de acolhimento privilegiado para os goeses não só pela condição geográfica de proximidade mas também porque Portugal imprimiu, sobretudo a partir da segunda metade do século XIX, uma política de incentivo à deslocação goeses para aquela ex-colónia africana, oferecendo-lhes cargos na administração pública após a sua formação académica em Portugal ou directamente em Goa. Esta situação conferiu aos goeses em Moçambique um protagonismo especial que foi depois reiterado na sua inserção em Portugal após a descolonização do país em 1974. Mas, e para o caso dos goeses que após 1974 optaram por residir em Portugal, conferiu-lhes também uma espécie de estatuto duplamente pós-colonial uma vez que quer o espaço de origem quer o primeiro território de acolhimento (Moçambique) eram, eles próprios, territórios pós-coloniais e ex-colónias do mesmo colonizador. Sabemos que a música adquire um estatuto central no quadro da cultura goesa quer em Goa quer na diáspora. Assim, esta comunicação, cujo trabalho de campo está em curso, procura incidir sobre uma proposta de análise triangular entre Goa, Maputo e Lisboa, num percurso duplamente oceânico que se reparte entre o Índico e o Atlântico, e duplamente pós-colonial. Procura reflectir sobre o modo como a música viaja nestes itinerários múltiplos constituindo assim um contributo inédito para os estudos sobre música e diáspora no universo da poscolonialidade associado à lusofonia.