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A apicultura em São Tomé e Príncipe. Situação atual e perspetivas futuras

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Detalhes bibliográficos
Resumo:As riquezas naturais de São Tomé e Príncipe, tais como a flora diversificada, o clima e a abundância de água, associadas à eficiência das abelhas locais, permite pensar na apicultura como uma aposta promissora para o país, uma vez que, associada à preservação do ecossistema, constitui uma excelente oportunidade de negócio e fonte de rendimento para as comunidades locais. A apicultura, baseada na gestão sustentável de abelhas Apis mellifera, para além de permitir extrair o mel, a própolis, o pólen, a geleia real, a cera, entre outros produtos da colmeia, é uma atividade do agronegócio que requer um baixo investimento inicial, potenciando a geração de emprego e rendimento, o que permite a manutenção das famílias no seu meio e ainda pode despertar a consciência ambiental, convertendo os apicultores em defensores da natureza. Nesse sentido, o presente trabalho teve como objetivo identificar, analisar e descrever toda a atividade em São Tomé e Príncipe associada com a exploração das abelhas e dos seus produtos, com vista à apresentação de linhas orientadoras para desenvolvimento da apicultura no país. Para isso, foram realizadas entrevistas diretas a apicultores e “caçadores de mel”, bem como visitas de acompanhamento na caça e exploração de colmeias e em todo o processo de produção do mel. Adicionalmente, foi realizada uma recolha de uma amostra de mel para avaliação dos seus parâmetros de qualidade, com o apoio dos laboratórios da Escola Agrária de Bragança. Os resultados obtidos evidenciam que atualmente a atividade apícola no país é insignificante e exercida pontualmente por apenas três apicultores. Em contrapartida, é bem mais evidente a exploração de enxames selvagens na floresta pelos “caçadores de mel”, praticada de forma rudimentar sem recurso a equipamentos adequados, tanto na exploração das abelhas como no manuseamento dos produtos, colocando em causa a vida do apicultor e a segurança alimentar. Esta atividade vem demonstrando uma atratividade crescente devido aos rendimentos obtidos na exploração do mel e também da cera, no entanto, a forma como é realizada provoca elevados danos nos ecossistemas através da destruição dos enxames e mesmo pela queima das árvores para a recolha dos favos. A qualidade do mel obtido, considerando as condições de extração aplicadas, apresenta globalmente um espetro positivo, verificando-se, no entanto, a necessidade de reduzir os níveis de humidade, hidroximetilfurfural e matéria insolúvel, o que facilmente será atingido pela aplicação de equipamentos e metodologias adequadas. Para reverter o quadro atual e potencializar a apicultura, sugere-se a criação de campanhas de sensibilização sobre a importância das abelhas para a biodiversidade e a manutenção dos ecossistemas naturais e agrícolas, sobre a importância da gestão de abelhas em detrimento da caça de enxames selvagens, além da realização de cursos sobre as técnicas de maneio das abelhas e produção de mel, os quais poderão ser organizados por instituições de ensino vocacionadas para a agricultura. Adicionalmente, será importante criar políticas de incentivo à produção e comercialização, promovendo a organização dos apicultores em cooperativas e investindo em equipamentos que garantam a obtenção de produtos de qualidade.
Autores principais:Nascimento, Jeudíger Lima do
Assunto:Apicultura Caçadores de mel Desenvolvimento sustentável
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:As riquezas naturais de São Tomé e Príncipe, tais como a flora diversificada, o clima e a abundância de água, associadas à eficiência das abelhas locais, permite pensar na apicultura como uma aposta promissora para o país, uma vez que, associada à preservação do ecossistema, constitui uma excelente oportunidade de negócio e fonte de rendimento para as comunidades locais. A apicultura, baseada na gestão sustentável de abelhas Apis mellifera, para além de permitir extrair o mel, a própolis, o pólen, a geleia real, a cera, entre outros produtos da colmeia, é uma atividade do agronegócio que requer um baixo investimento inicial, potenciando a geração de emprego e rendimento, o que permite a manutenção das famílias no seu meio e ainda pode despertar a consciência ambiental, convertendo os apicultores em defensores da natureza. Nesse sentido, o presente trabalho teve como objetivo identificar, analisar e descrever toda a atividade em São Tomé e Príncipe associada com a exploração das abelhas e dos seus produtos, com vista à apresentação de linhas orientadoras para desenvolvimento da apicultura no país. Para isso, foram realizadas entrevistas diretas a apicultores e “caçadores de mel”, bem como visitas de acompanhamento na caça e exploração de colmeias e em todo o processo de produção do mel. Adicionalmente, foi realizada uma recolha de uma amostra de mel para avaliação dos seus parâmetros de qualidade, com o apoio dos laboratórios da Escola Agrária de Bragança. Os resultados obtidos evidenciam que atualmente a atividade apícola no país é insignificante e exercida pontualmente por apenas três apicultores. Em contrapartida, é bem mais evidente a exploração de enxames selvagens na floresta pelos “caçadores de mel”, praticada de forma rudimentar sem recurso a equipamentos adequados, tanto na exploração das abelhas como no manuseamento dos produtos, colocando em causa a vida do apicultor e a segurança alimentar. Esta atividade vem demonstrando uma atratividade crescente devido aos rendimentos obtidos na exploração do mel e também da cera, no entanto, a forma como é realizada provoca elevados danos nos ecossistemas através da destruição dos enxames e mesmo pela queima das árvores para a recolha dos favos. A qualidade do mel obtido, considerando as condições de extração aplicadas, apresenta globalmente um espetro positivo, verificando-se, no entanto, a necessidade de reduzir os níveis de humidade, hidroximetilfurfural e matéria insolúvel, o que facilmente será atingido pela aplicação de equipamentos e metodologias adequadas. Para reverter o quadro atual e potencializar a apicultura, sugere-se a criação de campanhas de sensibilização sobre a importância das abelhas para a biodiversidade e a manutenção dos ecossistemas naturais e agrícolas, sobre a importância da gestão de abelhas em detrimento da caça de enxames selvagens, além da realização de cursos sobre as técnicas de maneio das abelhas e produção de mel, os quais poderão ser organizados por instituições de ensino vocacionadas para a agricultura. Adicionalmente, será importante criar políticas de incentivo à produção e comercialização, promovendo a organização dos apicultores em cooperativas e investindo em equipamentos que garantam a obtenção de produtos de qualidade.