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O inquérito à Arquitectura Regional Portuguesa e a antropologia: Um caso de transversalidade metodológica

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Resumo:A presente comunicação expõe os resultados de uma investigação em curso conduzida pelas autoras desta comunicação, cujas primeiras abordagens permitiram identificar no Inquérito da Arquitectura Regional Portuguesa uma importante fonte de informação para o aprofundamento do estudo da morfologia urbana em Portugal (MaratMendes e Cabrita, 2015). Assim, partindo dos primeiros resultados dessa investigação, que permitiram identificar a realização de uma sistematização de carácter tipo-morfológico em Portugal, nos finais da primeira metade do século XX, conduzida por Arquitectos Portugueses que participaram na realização do Inquérito atrás referido, através de um confronto com as abordagens morfológicas em uso pelos geógrafos portugueses à época, e identificadas pelas autoras desta comunicação, torna-se agora oportuno aferir que metodologias foram utilizadas pelos Arquitectos, bem como quais as suas eventuais partilhas com métodos conduzidos por outras áreas disciplinares, nomeadamente a Antropologia. No sentido de responder ao objetivo atrás exposto, esta comunicação expõe os resultados de um estudo comparativo das abordagens metodológicas conduzidas por Arquitectos e Antropólogos nas suas análises a um território específico, cujo interesse partilharam durante um mesmo período temporal. O território em apreço refere-se à aldeia de Rio de Onor e aldeias circundantes, que se localiza no noroeste de Portugal. Especificamente, na região identificada como Zona 2 do Inquérito da Arquitectura Regional Portuguesa. O confronto da abordagem metodológica identificada para os Arquitectos e Antropólogos, contemporâneos à realização do Inquérito, leva-nos a concluir pela existência de uma partilha de metodologias que nos propomos aqui a identificar, e que incluem alguns denominadores comuns, nomeadamente a observação directa, a utilização de dados de outras disciplinas, a reflexão e sistematização e a incidência na obra colectiva. Julgamos igualmente importante reflectir sobre o facto de a abordagem metodológica atrás identificada, para os Arquitectos da Zona 2 do Inquérito ter sido central na preparação das soluções propositivas apresentadas por alguns desses arquitectos ao 10º Congresso dos CIAM, em 1956. Configura-se assim a existência de uma transversalidade metodológica, praticada pelos Arquitectos, comum às abordagens dos Antropólogos, contudo vocacionada para aspectos propositivos do projecto; procurando responder por um lado à contemporaneidade dos problemas colocados e com conhecimento das condições locais, nas vertentes do ambiente físico e humano, que também hoje constituem questões prementes na prática profissional de todos os agentes da intervenção na cidade e no território, nomeadamente os arquitectos.
Autores principais:Marat-Mendes, T.
Outros Autores:Cabrita, M. A.
Assunto:Inquérito Método Análise Arquitectura Antropologia
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:documento de conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:ISCTE
Idioma:português
Origem:Repositório ISCTE
Descrição
Resumo:A presente comunicação expõe os resultados de uma investigação em curso conduzida pelas autoras desta comunicação, cujas primeiras abordagens permitiram identificar no Inquérito da Arquitectura Regional Portuguesa uma importante fonte de informação para o aprofundamento do estudo da morfologia urbana em Portugal (MaratMendes e Cabrita, 2015). Assim, partindo dos primeiros resultados dessa investigação, que permitiram identificar a realização de uma sistematização de carácter tipo-morfológico em Portugal, nos finais da primeira metade do século XX, conduzida por Arquitectos Portugueses que participaram na realização do Inquérito atrás referido, através de um confronto com as abordagens morfológicas em uso pelos geógrafos portugueses à época, e identificadas pelas autoras desta comunicação, torna-se agora oportuno aferir que metodologias foram utilizadas pelos Arquitectos, bem como quais as suas eventuais partilhas com métodos conduzidos por outras áreas disciplinares, nomeadamente a Antropologia. No sentido de responder ao objetivo atrás exposto, esta comunicação expõe os resultados de um estudo comparativo das abordagens metodológicas conduzidas por Arquitectos e Antropólogos nas suas análises a um território específico, cujo interesse partilharam durante um mesmo período temporal. O território em apreço refere-se à aldeia de Rio de Onor e aldeias circundantes, que se localiza no noroeste de Portugal. Especificamente, na região identificada como Zona 2 do Inquérito da Arquitectura Regional Portuguesa. O confronto da abordagem metodológica identificada para os Arquitectos e Antropólogos, contemporâneos à realização do Inquérito, leva-nos a concluir pela existência de uma partilha de metodologias que nos propomos aqui a identificar, e que incluem alguns denominadores comuns, nomeadamente a observação directa, a utilização de dados de outras disciplinas, a reflexão e sistematização e a incidência na obra colectiva. Julgamos igualmente importante reflectir sobre o facto de a abordagem metodológica atrás identificada, para os Arquitectos da Zona 2 do Inquérito ter sido central na preparação das soluções propositivas apresentadas por alguns desses arquitectos ao 10º Congresso dos CIAM, em 1956. Configura-se assim a existência de uma transversalidade metodológica, praticada pelos Arquitectos, comum às abordagens dos Antropólogos, contudo vocacionada para aspectos propositivos do projecto; procurando responder por um lado à contemporaneidade dos problemas colocados e com conhecimento das condições locais, nas vertentes do ambiente físico e humano, que também hoje constituem questões prementes na prática profissional de todos os agentes da intervenção na cidade e no território, nomeadamente os arquitectos.