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Toxicidade e metabolismo de novas catinonas: a ameaça das drogas ilícitas emergentes

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Resumo:As catinonas sintéticas, são β-ceto análogos das anfetaminas, e por isso, consideradas psicostimulantes. Estes compostos são sintetizados de forma a serem estruturalmente diferentes dos compostos ilegais, e por isso, aparecem no mercado como substâncias legais, representando uma alternativa de drogas de abuso, de fácil acesso no mercado. Este trabalho teve como objetivos efetuar o estudo da permeabilidade da barreira gastrointestinal de oito catinonas sintéticas: 3’-CMC, 4’-CMC, 3’-CEC, 4’-CEC,3’-CBC, 4’-CBC, 3’-Cl-DEC e 4’-Cl-DEC. Consequentemente, foi ainda necessário avaliar a sua toxicidade na linha celular Caco-2 e desenvolver um método de quantificação destas substâncias por HPLC-DAD. A metodologia de HPLC-DAD desenvolvida mostrou ser linear na gama de concentrações avaliadas (1 a 25 μg/mL). O estudo da permeabilidade para cada catinona, foi efetuado com o valor da concentração do IC50 (entre 1,80 e 6,10 mM), obtido para a citotoxicidade, a partir do método MTT. Esta avaliação permitiu identificar que as catinonas mais tóxicas nas Caco-2 são as 3’-CBC e 4’-CBC, cujos IC50 são 1,87 mM e 1,90 mM, respetivamente. A catinona com maior taxa de permeação é a 4’-CEC, cujo valor de Papp foi de 4,89x10-6 cm/s, indicando que possui permeabilidade moderada. O estudo na linha celular Caco-2 sugere que existe uma relação entre a estrutura das catinonas e a sua citotoxicidade, mostrando que um aumento na cadeia N-alquílica conduz a um aumento da sua toxicidade, contudo a posição do átomo de cloro parece não influenciar a toxicidade. Numa tentativa de perceber se as células normais têm um comportamento semelhante às células cancerígenas foi efetuado um estudo da citotoxicidade da 4’-CBC, por ser uma das mais tóxicas, em fibroblastos da derme humana, cujo valor do IC50 poderá ser, aproximadamente, 0,80 mM. De modo a tentar compreender o mecanismo de toxicidade na linha celular HepG-2 foi ainda realizado um estudo de metabolómica por espectrometria de massa de alta resolução (LC-HRMS) nestas células, com a 4’-CEC, por ter sido a que apresentou maior permeação. No modo positivo, verificou-se que os metabolitos extraídos das células controlo são diferentes dos metabolitos das células expostas à catinona, com variação de 81% e r2=0,79. Para as células controlo foram propostos metabolitos como espermidina e monofosfato de uridina. Nas células tratadas foram propostos a N1-acetilespermidina e oleamida, indicando que a catinona afeta negativamente as células. Apesar de se ter efetuada ainda a quantificação de proteínas extraídas das células da linha celular HepG2, expostas à catinona em comparação com as células controlo e uma SDS-PAGE, os resultados não foram conclusivos. Este trabalho contribuiu para o aumento do conhecimento do efeito tóxico de catinonas sintéticas que circulam no mercado.
Autores principais:Ferreira, Inês Maria Ramos
Assunto:Novas drogas psicoativas Catinonas sintéticas Biodisponibilidade, HPLC-DAD Espectrometria de massa Metabolómica HepG2 Caco-2 New psychoactive drugs Synthetic cathinones Bioavailability, HPLC-DAD Mass spectrometry Metabolomics HepG2
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Científico do Instituto Politécnico de Lisboa
Descrição
Resumo:As catinonas sintéticas, são β-ceto análogos das anfetaminas, e por isso, consideradas psicostimulantes. Estes compostos são sintetizados de forma a serem estruturalmente diferentes dos compostos ilegais, e por isso, aparecem no mercado como substâncias legais, representando uma alternativa de drogas de abuso, de fácil acesso no mercado. Este trabalho teve como objetivos efetuar o estudo da permeabilidade da barreira gastrointestinal de oito catinonas sintéticas: 3’-CMC, 4’-CMC, 3’-CEC, 4’-CEC,3’-CBC, 4’-CBC, 3’-Cl-DEC e 4’-Cl-DEC. Consequentemente, foi ainda necessário avaliar a sua toxicidade na linha celular Caco-2 e desenvolver um método de quantificação destas substâncias por HPLC-DAD. A metodologia de HPLC-DAD desenvolvida mostrou ser linear na gama de concentrações avaliadas (1 a 25 μg/mL). O estudo da permeabilidade para cada catinona, foi efetuado com o valor da concentração do IC50 (entre 1,80 e 6,10 mM), obtido para a citotoxicidade, a partir do método MTT. Esta avaliação permitiu identificar que as catinonas mais tóxicas nas Caco-2 são as 3’-CBC e 4’-CBC, cujos IC50 são 1,87 mM e 1,90 mM, respetivamente. A catinona com maior taxa de permeação é a 4’-CEC, cujo valor de Papp foi de 4,89x10-6 cm/s, indicando que possui permeabilidade moderada. O estudo na linha celular Caco-2 sugere que existe uma relação entre a estrutura das catinonas e a sua citotoxicidade, mostrando que um aumento na cadeia N-alquílica conduz a um aumento da sua toxicidade, contudo a posição do átomo de cloro parece não influenciar a toxicidade. Numa tentativa de perceber se as células normais têm um comportamento semelhante às células cancerígenas foi efetuado um estudo da citotoxicidade da 4’-CBC, por ser uma das mais tóxicas, em fibroblastos da derme humana, cujo valor do IC50 poderá ser, aproximadamente, 0,80 mM. De modo a tentar compreender o mecanismo de toxicidade na linha celular HepG-2 foi ainda realizado um estudo de metabolómica por espectrometria de massa de alta resolução (LC-HRMS) nestas células, com a 4’-CEC, por ter sido a que apresentou maior permeação. No modo positivo, verificou-se que os metabolitos extraídos das células controlo são diferentes dos metabolitos das células expostas à catinona, com variação de 81% e r2=0,79. Para as células controlo foram propostos metabolitos como espermidina e monofosfato de uridina. Nas células tratadas foram propostos a N1-acetilespermidina e oleamida, indicando que a catinona afeta negativamente as células. Apesar de se ter efetuada ainda a quantificação de proteínas extraídas das células da linha celular HepG2, expostas à catinona em comparação com as células controlo e uma SDS-PAGE, os resultados não foram conclusivos. Este trabalho contribuiu para o aumento do conhecimento do efeito tóxico de catinonas sintéticas que circulam no mercado.