Publicação

Nova Angola, problemas antigos

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:As eleições gerais em Angola, realizadas a 23 de agosto de 2017, tiveram como resultado a vitória do Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA). Ao conquistar a maioria qualificada no parlamento, com 150 dos 220 lugares em disputa, o partido que governou o país nas últimas quatro décadas viu também os seus candidatos a Presidente e Vice-Presidente, João Lourenço e Bornito de Sousa, serem eleitos. A presente comunicação pretende analisar a cobertura noticiosa das eleições angolanas feita pela imprensa portuguesa, e faz parte de um projeto mais vasto que visa analisar a forma como os media generalistas em Portugal acompanharam estas eleições. O intervalo temporal aqui considerado corresponde às duas semanas que se seguiram ao ato eleitoral. No período compreendido entre 24 de janeiro e 7 de setembro, foram recolhidas cerca de 500 peças, provenientes de três jornais nacionais (Público, Correio da Manhã e Expresso), das principais estações de radio de vocação noticiosa (TSF, Antena 1 e Rádio Renascença), dos principais canais de televisão de acesso livre (RTP, SIC e TVI) e dos sites de notícias associados a todos estes meios. A grelha de análise adotada, construída com o objetivo de parametrizar a leitura dos dados recolhidos, permite medir a quantidade e a frequência das notícias publicadas ou emitidas e a sua distribuição pelos meios de comunicação acima mencionados. Considera também aspetos como o tema dominante, o posicionamento dos media em relação a esse tema ou, por exemplo, a ênfase dada às notícias. O número de peças recolhidas (que estão atualmente a ser analisadas) permite-nos antecipar desde já uma conclusão: ao contrário do que aconteceu com as eleições realizadas em Cabo Verde – um país com uma democracia consolidada –, as eleições angolanas de 2017 foram objeto de uma grande atenção dos media portugueses. Curiosamente, em Angola não houve mudanças políticas significativas, e vários organismos internacionais continuam a considerar que este país enferma de uma notório défice democrático. No período de tempo em que foram produzidas as peças sobre as quais incide esta comunicação, os media portugueses destacaram amplamente não só o anúncio dos resultados eleitorais, como também o posicionamento de todas as forças políticas angolanas em relação a esses resultados – refletindo o debate e as controvérsias subsequentes e dando espaço à análise e à opinião. Através desta investigação, esperamos apontar diretrizes para uma análise mais ampla das relações entre Portugal e Angola à luz do discurso dos media.
Autores principais:Lopes, Anabela de Sousa
Outros Autores:Trindade, Jorge Francisco Martins; Bonacho, Fernanda
Assunto:Eleições Angola Media portugueses Jornalismo Democracia IPL/2017/RPLMPA _ESCS
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:documento de conferência
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Instituto Politécnico de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Científico do Instituto Politécnico de Lisboa
Descrição
Resumo:As eleições gerais em Angola, realizadas a 23 de agosto de 2017, tiveram como resultado a vitória do Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA). Ao conquistar a maioria qualificada no parlamento, com 150 dos 220 lugares em disputa, o partido que governou o país nas últimas quatro décadas viu também os seus candidatos a Presidente e Vice-Presidente, João Lourenço e Bornito de Sousa, serem eleitos. A presente comunicação pretende analisar a cobertura noticiosa das eleições angolanas feita pela imprensa portuguesa, e faz parte de um projeto mais vasto que visa analisar a forma como os media generalistas em Portugal acompanharam estas eleições. O intervalo temporal aqui considerado corresponde às duas semanas que se seguiram ao ato eleitoral. No período compreendido entre 24 de janeiro e 7 de setembro, foram recolhidas cerca de 500 peças, provenientes de três jornais nacionais (Público, Correio da Manhã e Expresso), das principais estações de radio de vocação noticiosa (TSF, Antena 1 e Rádio Renascença), dos principais canais de televisão de acesso livre (RTP, SIC e TVI) e dos sites de notícias associados a todos estes meios. A grelha de análise adotada, construída com o objetivo de parametrizar a leitura dos dados recolhidos, permite medir a quantidade e a frequência das notícias publicadas ou emitidas e a sua distribuição pelos meios de comunicação acima mencionados. Considera também aspetos como o tema dominante, o posicionamento dos media em relação a esse tema ou, por exemplo, a ênfase dada às notícias. O número de peças recolhidas (que estão atualmente a ser analisadas) permite-nos antecipar desde já uma conclusão: ao contrário do que aconteceu com as eleições realizadas em Cabo Verde – um país com uma democracia consolidada –, as eleições angolanas de 2017 foram objeto de uma grande atenção dos media portugueses. Curiosamente, em Angola não houve mudanças políticas significativas, e vários organismos internacionais continuam a considerar que este país enferma de uma notório défice democrático. No período de tempo em que foram produzidas as peças sobre as quais incide esta comunicação, os media portugueses destacaram amplamente não só o anúncio dos resultados eleitorais, como também o posicionamento de todas as forças políticas angolanas em relação a esses resultados – refletindo o debate e as controvérsias subsequentes e dando espaço à análise e à opinião. Através desta investigação, esperamos apontar diretrizes para uma análise mais ampla das relações entre Portugal e Angola à luz do discurso dos media.