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Impacto da doença de Parkinson na visão: uma revisão de âmbito

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução – A doença de Parkinson é um transtorno neurodegenerativo progressivo com sintomatologia motora, assim como não motora, ao nível oculo-visual. Apresenta uma taxa de incidência anual de 14 pacientes por 100.000 habitantes, aumentando com o avançar da idade. Estima-se que existam cerca de 10 milhões de pessoas na população afetadas pela doença. Objetivos – O objetivo desta revisão de âmbito consiste em identificar as alterações provocadas pela doença de Parkinson na visão, descritas na literatura com base em artigos científicos. Método – Os artigos selecionados para esta revisão de âmbito foram recolhidos entre novembro de 2020 e janeiro de 2021 nas bases de dados PubMed/MEDLINE e Web of Science. Foram pesquisados estudos sobre as alterações da visão na doença de Parkinson, incluindo artigos publicados nos últimos cinco anos. Resultados e Discussão – Obtiveram-se 104 artigos, sendo selecionados 22 artigos de acordo com os critérios de inclusão e exclusão. As duas principais funções visuais mais afetadas na doença de Parkinson são a sensibilidade ao contraste – referida como alterada num maior número de artigos no estadio intermédio, fase 2 (escala de Hoehn e Yahr) e a partir do valor 22,4 (escala ETDRS III) – e a visão cromática. A alteração da acuidade visual, a redução da velocidade de leitura e, consequentemente, das alterações nos movimentos sacádicos e redução da Mobilidade – fase 3 (escala Hoehn e Yahr) e a partir do valor 37 (escala ETDRS III); a atenção visual e a estereopsia também foram relatadas. As alterações na visão funcional surgem, por norma, nas fases avançadas da doença, enquanto que na função visual surgem em fases mais precoces. Conclusões – A disfunção oculo-visual é cada vez mais reconhecida como uma manifestação não-motora da doença de Parkinson, provocando alterações tanto ao nível da função visual (acuidade visual, estereopsia, movimentos oculares, sensibilidade ao contraste e visão cromática) como ao nível da visão funcional (leitura e mobilidade). Seria importante a realização de mais estudos com o objetivo de analisar o impacto destas alterações na qualidade de vida destes doentes.
Autores principais:Silva, Joana
Outros Autores:Pedro, Tânia; Fernandes, Nádia; Poças, Ilda Maria
Assunto:Doença de Parkinson Função visual Visão funcional Disfunções viso-motoras Revisão de âmbito Parkinson's disease Visual function Functional vision Visual-motor dysfunctions Scoping review
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Científico do Instituto Politécnico de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução – A doença de Parkinson é um transtorno neurodegenerativo progressivo com sintomatologia motora, assim como não motora, ao nível oculo-visual. Apresenta uma taxa de incidência anual de 14 pacientes por 100.000 habitantes, aumentando com o avançar da idade. Estima-se que existam cerca de 10 milhões de pessoas na população afetadas pela doença. Objetivos – O objetivo desta revisão de âmbito consiste em identificar as alterações provocadas pela doença de Parkinson na visão, descritas na literatura com base em artigos científicos. Método – Os artigos selecionados para esta revisão de âmbito foram recolhidos entre novembro de 2020 e janeiro de 2021 nas bases de dados PubMed/MEDLINE e Web of Science. Foram pesquisados estudos sobre as alterações da visão na doença de Parkinson, incluindo artigos publicados nos últimos cinco anos. Resultados e Discussão – Obtiveram-se 104 artigos, sendo selecionados 22 artigos de acordo com os critérios de inclusão e exclusão. As duas principais funções visuais mais afetadas na doença de Parkinson são a sensibilidade ao contraste – referida como alterada num maior número de artigos no estadio intermédio, fase 2 (escala de Hoehn e Yahr) e a partir do valor 22,4 (escala ETDRS III) – e a visão cromática. A alteração da acuidade visual, a redução da velocidade de leitura e, consequentemente, das alterações nos movimentos sacádicos e redução da Mobilidade – fase 3 (escala Hoehn e Yahr) e a partir do valor 37 (escala ETDRS III); a atenção visual e a estereopsia também foram relatadas. As alterações na visão funcional surgem, por norma, nas fases avançadas da doença, enquanto que na função visual surgem em fases mais precoces. Conclusões – A disfunção oculo-visual é cada vez mais reconhecida como uma manifestação não-motora da doença de Parkinson, provocando alterações tanto ao nível da função visual (acuidade visual, estereopsia, movimentos oculares, sensibilidade ao contraste e visão cromática) como ao nível da visão funcional (leitura e mobilidade). Seria importante a realização de mais estudos com o objetivo de analisar o impacto destas alterações na qualidade de vida destes doentes.