Publicação

Lógicas de poder no conselho geral de um agrupamento de escolas

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Com o intuito de propiciar e potenciar a participação de um leque abrangente e multifacetado de atores na gestão estratégica dos estabelecimentos de ensino o Ministério da Educação publicou o Decreto-Lei n.º 75/2008, de 22 de abril com esse propósito emergindo o Conselho Geral como o órgão predestinado para operacionalizar tal intuito. Tendo em conta esta premissa a presente investigação pretendeu aferir se o Conselho Geral se assumia verdadeiramente como um órgão decisório ou se limitava a sua ação à validação de decisões e propostas concebidas noutros órgãos da instituição escolar e que lógicas de poder determinavam essas mesmas decisões. Assim, recorremos a um quadro teórico de análise que privilegiava os modelos de análise burocrático-racional e os modelos políticos atendendo à heterogeneidade de sensibilidades e perspetivas representadas no Conselho Geral e às competências que lhe estão acometidas normativamente. Seguimos uma metodologia de investigação de cariz qualitativo e descritivo na medida em que elegemos as entrevistas semidirigidas, a análise documental e a observação não participante nas reuniões do Conselho Geral em que pudemos estar presentes, como instrumentos fulcrais da nossa investigação. Deste modo, a recolha de dados empíricos ocorreu num Agrupamento de Escolas de um concelho da zona do Vale do Sousa no norte de Portugal, onde pudemos aplicar dezanove entrevistas aos membros integrantes do órgão, analisar as atas das seis reuniões do órgão em que estivemos presentes bem como alguns documentos estruturantes do agrupamento nomeadamente o seu projeto educativo, o seu regulamento interno e o regimento do Conselho Geral. Os dados apurados denotam uma dinâmica decisória do Conselho Geral predominantemente formalista e ritualista em detrimento da sua dimensão estratégica em que a a sobredeterminação política e de poder(es) aparece deveras mitigada. De igual modo a preponderância do Diretor enquanto detentor privilegiado de informação emerge, embora de forma não claramente assumida pelos demais representantes na dinâmica de funcionamento e de orientação estratégica do órgão.
Autores principais:Santos, João Filipe Marinho dos
Assunto:Poder Influência Decisão Autonomia Power Influence Decision Autonomy Ciências Sociais::Ciências da Educação
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Com o intuito de propiciar e potenciar a participação de um leque abrangente e multifacetado de atores na gestão estratégica dos estabelecimentos de ensino o Ministério da Educação publicou o Decreto-Lei n.º 75/2008, de 22 de abril com esse propósito emergindo o Conselho Geral como o órgão predestinado para operacionalizar tal intuito. Tendo em conta esta premissa a presente investigação pretendeu aferir se o Conselho Geral se assumia verdadeiramente como um órgão decisório ou se limitava a sua ação à validação de decisões e propostas concebidas noutros órgãos da instituição escolar e que lógicas de poder determinavam essas mesmas decisões. Assim, recorremos a um quadro teórico de análise que privilegiava os modelos de análise burocrático-racional e os modelos políticos atendendo à heterogeneidade de sensibilidades e perspetivas representadas no Conselho Geral e às competências que lhe estão acometidas normativamente. Seguimos uma metodologia de investigação de cariz qualitativo e descritivo na medida em que elegemos as entrevistas semidirigidas, a análise documental e a observação não participante nas reuniões do Conselho Geral em que pudemos estar presentes, como instrumentos fulcrais da nossa investigação. Deste modo, a recolha de dados empíricos ocorreu num Agrupamento de Escolas de um concelho da zona do Vale do Sousa no norte de Portugal, onde pudemos aplicar dezanove entrevistas aos membros integrantes do órgão, analisar as atas das seis reuniões do órgão em que estivemos presentes bem como alguns documentos estruturantes do agrupamento nomeadamente o seu projeto educativo, o seu regulamento interno e o regimento do Conselho Geral. Os dados apurados denotam uma dinâmica decisória do Conselho Geral predominantemente formalista e ritualista em detrimento da sua dimensão estratégica em que a a sobredeterminação política e de poder(es) aparece deveras mitigada. De igual modo a preponderância do Diretor enquanto detentor privilegiado de informação emerge, embora de forma não claramente assumida pelos demais representantes na dinâmica de funcionamento e de orientação estratégica do órgão.