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Identificação dos termos matemáticos utilizados no ensino básico e sua correspondência na língua gestual portuguesa: um estudo exploratório em escolas inclusivas

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A matemática é uma área fundamental de ensino, cuja especificidade da linguagem representa, para alunos surdos, um desafio à sua aprendizagem, devido à ausência de gestos representativos de muitos conceitos/termos. Em Portugal, as escolas de referência para alunos surdos dispõem de recursos especializados, nomeadamente Professores de Língua Gestual Portuguesa (LGP) e Intérpretes de LGP, com o propósito de mitigar as limitações associadas às questões linguísticas. Os objetivos do presente estudo são (a) identificar os termos matemáticos no 1º e 2º ciclo do Ensino Básico para os quais não existe uma tradução direta para a LGP, (b) perceber como as Intérpretes atuam nas aulas de Matemática perante a inexistência de gestos para alguns termos matemáticos, e c) compreender o processo colaborativo nas aulas de Matemática entre os Professores de LGP, os Professores de Matemática e as Intérpretes de LGP. Neste estudo, foi aplicada uma entrevista semiestruturada, orientada por tópicos em formato de quadro em que é solicitado aos participantes identificarem os termos/conceitos matemáticos que integram a matriz curricular do 1º e 2º ciclo do Ensino Básico. Participaram no estudo três Professores de LGP e três Intérpretes de LGP, com idades compreendidas entre os vinte e seis e os trinta e quatro anos. Os resultados obtidos permitiram realizar um levantamento dos termos matemáticos para os quais não existe tradução para a LGP. Adicionalmente, constatou-se que os Professores de LGP apresentam uma tendência para o ensino restrito de conteúdos relacionados apenas com a disciplina que lecionam, embora tenham-se revelado disponíveis para colaborar na procura de respostas eficazes perante a ausência de gestos formais para alguns termos/conceitos matemáticos, enquanto as Intérpretes adotam diferentes estratégias perante este constrangimento. Este estudo realça a necessidade de criação e difusão de símbolos gestuais representativos dos diversos termos matemáticos que integram o currículo escolar, assim como a importância do trabalho colaborativo entre os diversos agentes educativos que intervém no processo de ensino-aprendizagem com alunos surdos.
Autores principais:Cruz-Santos, Anabela
Outros Autores:Martinho, Maria Helena; Saraiva, João Paulo; Almendra, Isabel
Assunto:Termos matemáticos Surdez Língua gestual Portuguesa Ensino básico Mathematical terms Deafness Portuguese sign language Basic education Ciências Sociais::Ciências da Educação Educação de qualidade
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A matemática é uma área fundamental de ensino, cuja especificidade da linguagem representa, para alunos surdos, um desafio à sua aprendizagem, devido à ausência de gestos representativos de muitos conceitos/termos. Em Portugal, as escolas de referência para alunos surdos dispõem de recursos especializados, nomeadamente Professores de Língua Gestual Portuguesa (LGP) e Intérpretes de LGP, com o propósito de mitigar as limitações associadas às questões linguísticas. Os objetivos do presente estudo são (a) identificar os termos matemáticos no 1º e 2º ciclo do Ensino Básico para os quais não existe uma tradução direta para a LGP, (b) perceber como as Intérpretes atuam nas aulas de Matemática perante a inexistência de gestos para alguns termos matemáticos, e c) compreender o processo colaborativo nas aulas de Matemática entre os Professores de LGP, os Professores de Matemática e as Intérpretes de LGP. Neste estudo, foi aplicada uma entrevista semiestruturada, orientada por tópicos em formato de quadro em que é solicitado aos participantes identificarem os termos/conceitos matemáticos que integram a matriz curricular do 1º e 2º ciclo do Ensino Básico. Participaram no estudo três Professores de LGP e três Intérpretes de LGP, com idades compreendidas entre os vinte e seis e os trinta e quatro anos. Os resultados obtidos permitiram realizar um levantamento dos termos matemáticos para os quais não existe tradução para a LGP. Adicionalmente, constatou-se que os Professores de LGP apresentam uma tendência para o ensino restrito de conteúdos relacionados apenas com a disciplina que lecionam, embora tenham-se revelado disponíveis para colaborar na procura de respostas eficazes perante a ausência de gestos formais para alguns termos/conceitos matemáticos, enquanto as Intérpretes adotam diferentes estratégias perante este constrangimento. Este estudo realça a necessidade de criação e difusão de símbolos gestuais representativos dos diversos termos matemáticos que integram o currículo escolar, assim como a importância do trabalho colaborativo entre os diversos agentes educativos que intervém no processo de ensino-aprendizagem com alunos surdos.