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A relação entre a desigualdade económica e a concentração de recursos nos setores industriais – o caso da indústria do futebol

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Summary:O futebol é o desporto mais praticado a nível mundial. O seu crescimento para uma indústria multimilionária tem alterado a forma como é gerido e analisado, enquanto aumenta o interesse na relação entre o desenvolvimento socioeconómico e o futebol. Dois dos conceitos de estudo mais importantes no futebol são o equilíbrio competitivo e a incerteza no resultado, ambos fundamentais para garantir a sua atratividade e sobrevivência a longo prazo, pelo que, quanto maior for o equilíbrio competitivo, maior será a incerteza no resultado. A existência de pelo menos uma pequena diferença entre os adversários é fundamental para promover o desporto como um "produto" empolgante, só assim justificando o aumento das receitas geradas e distribuídas pelos clubes, nomeadamente pela UEFA, órgão governativo do futebol europeu. Deste modo, neste trabalho foi calculado o equilíbrio competitivo para as dez principais ligas na Europa, com especial foco nas Big Five e em Portugal, através do recurso a modificações do Índice de Herfindahl- Hirschman (HHI), tais como o HICB e o nHHI. A utilização de um indicador de desigualdade reconhecido e aplicado em diversos contextos (incluindo na economia do desporto) como medida das disparidades económicas dos diferentes países, o Índice de Gini, tornou possível aferir se as desigualdades socioeconómicas de um país influenciam o desequilíbrio competitivo dos campeonatos profissionais de futebol. Esta análise foi aprofundada com o estudo de três grandes alterações que ocorreram nas últimas décadas no futebol europeu (a Lei de Bosman, as alterações na Liga dos Campeões e o Fair Play Financeiro (FFP)). As regressões estimadas demonstram a existência de uma correlação inversa entre a desigualdade socioeconómica e o desequilíbrio competitivo dos campeonatos de futebol, ou seja, uma maior desigualdade origina uma menor concentração competitiva, o que resulta num maior balanço competitivo. O efeito positivo do FFP reduz a mobilidade competitiva e tende a consolidar hierarquias e a posição dos clubes já dominantes, corroborando a literatura acerca deste tempo. As restantes variáveis não apresentam significância estatística. Por fim, esta investigação apresenta implicações pertinentes para os decisores institucionais, nomeadamente ao nível do FFP e das receitas distribuídas pela UEFA, de modo a salvaguardar a sustentabilidade e a relevância a longo prazo do futebol.
Main Authors:Tiago, João Afonso Trigueiro
Subject:Desigualdades económicas Equilíbrio competitivo Futebol Índice de Gini Competitive balance Economic inequalities Football Gini Index Ciências Sociais::Economia e Gestão
Year:2026
Country:Portugal
Document type:master thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade do Minho
Language:Portuguese
Origin:RepositóriUM - Universidade do Minho
Description
Summary:O futebol é o desporto mais praticado a nível mundial. O seu crescimento para uma indústria multimilionária tem alterado a forma como é gerido e analisado, enquanto aumenta o interesse na relação entre o desenvolvimento socioeconómico e o futebol. Dois dos conceitos de estudo mais importantes no futebol são o equilíbrio competitivo e a incerteza no resultado, ambos fundamentais para garantir a sua atratividade e sobrevivência a longo prazo, pelo que, quanto maior for o equilíbrio competitivo, maior será a incerteza no resultado. A existência de pelo menos uma pequena diferença entre os adversários é fundamental para promover o desporto como um "produto" empolgante, só assim justificando o aumento das receitas geradas e distribuídas pelos clubes, nomeadamente pela UEFA, órgão governativo do futebol europeu. Deste modo, neste trabalho foi calculado o equilíbrio competitivo para as dez principais ligas na Europa, com especial foco nas Big Five e em Portugal, através do recurso a modificações do Índice de Herfindahl- Hirschman (HHI), tais como o HICB e o nHHI. A utilização de um indicador de desigualdade reconhecido e aplicado em diversos contextos (incluindo na economia do desporto) como medida das disparidades económicas dos diferentes países, o Índice de Gini, tornou possível aferir se as desigualdades socioeconómicas de um país influenciam o desequilíbrio competitivo dos campeonatos profissionais de futebol. Esta análise foi aprofundada com o estudo de três grandes alterações que ocorreram nas últimas décadas no futebol europeu (a Lei de Bosman, as alterações na Liga dos Campeões e o Fair Play Financeiro (FFP)). As regressões estimadas demonstram a existência de uma correlação inversa entre a desigualdade socioeconómica e o desequilíbrio competitivo dos campeonatos de futebol, ou seja, uma maior desigualdade origina uma menor concentração competitiva, o que resulta num maior balanço competitivo. O efeito positivo do FFP reduz a mobilidade competitiva e tende a consolidar hierarquias e a posição dos clubes já dominantes, corroborando a literatura acerca deste tempo. As restantes variáveis não apresentam significância estatística. Por fim, esta investigação apresenta implicações pertinentes para os decisores institucionais, nomeadamente ao nível do FFP e das receitas distribuídas pela UEFA, de modo a salvaguardar a sustentabilidade e a relevância a longo prazo do futebol.