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A interação netos avós na contemporaneidade

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Detalhes bibliográficos
Resumo:As alterações demográficas e sociais e a participação crescente da mulher no mercado de trabalho, por um lado, e a crise financeira, por outro lado, levam a que haja oportunidades para que os avós assumam um papel mais importante na família e na prestação de cuidados aos netos. Na minha infância, lembro-me de passar muito tempo com os meus avós e esta relação que estabelecemos foi e é muito rica, dada a influência e partilha mútua de conhecimentos. Esta experiência pessoal está na origem do meu interesse pelo tema das interações netos-avós. Elegi as crianças como população-alvo, pretendendo, desta forma, distanciar o meu estudo de grande parte das investigações que se centram sobretudo na opinião dos avós sobre a interação com os seus netos. Optei por um estudo de caráter qualitativo, com uma análise comparativa das interações entre dois grupos: o dos netos e avós que as crianças consideram mais próximos afetivamente e o dos netos e restantes avós. Para o efeito, realizei entrevistas semiestruturadas a 37 crianças entre os 10 e os 12 anos e procedi à análise de conteúdo dos seus discursos. Constatei a existência de diferenças significativas nas interações estabelecidas nos dois grupos anteriormente descritos. Os netos atribuem maior importância ao contacto com os avós mais próximos afetivamente do que ao contacto com os restantes avós. De uma maneira geral, os netos consideram ter uma relação extremamente próxima com os avós maternos porque passam mais tempo com eles. Os netos realizam atividades centradas nas crianças com os avós mais próximos afetivamente mas, com os outros avós, a maioria não desenvolve nenhuma atividade; apenas alguns desenvolvem atividades centradas em ambos. Aprendem comportamentos com os avós mais próximos e competências práticas com os outros avós mas, um número significativo de inquiridos menciona não aprender nada com estes avós. Falam de assuntos centrados nas crianças mas ensinam sobretudo competências a todos os avós. Definiram-se 4 perfis de crianças, tendo em conta a qualidade da relação e as características funcionais da relação intergeracional e o papel desempenhado pelos pais na relação netos-avós: os afetivos, os educadores/transmissores, os desinteressados e os auxiliares.
Autores principais:Fernandes, Sílvia Ferreira
Assunto:Interação Relações intergeracionais Avós Netos Contemporaneidade Social interaction Family relationships Grandparents Grandchildren Ciências Sociais::Ciências da Educação
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:As alterações demográficas e sociais e a participação crescente da mulher no mercado de trabalho, por um lado, e a crise financeira, por outro lado, levam a que haja oportunidades para que os avós assumam um papel mais importante na família e na prestação de cuidados aos netos. Na minha infância, lembro-me de passar muito tempo com os meus avós e esta relação que estabelecemos foi e é muito rica, dada a influência e partilha mútua de conhecimentos. Esta experiência pessoal está na origem do meu interesse pelo tema das interações netos-avós. Elegi as crianças como população-alvo, pretendendo, desta forma, distanciar o meu estudo de grande parte das investigações que se centram sobretudo na opinião dos avós sobre a interação com os seus netos. Optei por um estudo de caráter qualitativo, com uma análise comparativa das interações entre dois grupos: o dos netos e avós que as crianças consideram mais próximos afetivamente e o dos netos e restantes avós. Para o efeito, realizei entrevistas semiestruturadas a 37 crianças entre os 10 e os 12 anos e procedi à análise de conteúdo dos seus discursos. Constatei a existência de diferenças significativas nas interações estabelecidas nos dois grupos anteriormente descritos. Os netos atribuem maior importância ao contacto com os avós mais próximos afetivamente do que ao contacto com os restantes avós. De uma maneira geral, os netos consideram ter uma relação extremamente próxima com os avós maternos porque passam mais tempo com eles. Os netos realizam atividades centradas nas crianças com os avós mais próximos afetivamente mas, com os outros avós, a maioria não desenvolve nenhuma atividade; apenas alguns desenvolvem atividades centradas em ambos. Aprendem comportamentos com os avós mais próximos e competências práticas com os outros avós mas, um número significativo de inquiridos menciona não aprender nada com estes avós. Falam de assuntos centrados nas crianças mas ensinam sobretudo competências a todos os avós. Definiram-se 4 perfis de crianças, tendo em conta a qualidade da relação e as características funcionais da relação intergeracional e o papel desempenhado pelos pais na relação netos-avós: os afetivos, os educadores/transmissores, os desinteressados e os auxiliares.