Publicação
O fenómeno jornalístico de Agosto: uma análise aos noticiários da manhã da Renascença
| Resumo: | É dado adquirido que o mês de Agosto se trata de uma das fases menos férteis do ano no que ao fluxo noticioso diz respeito. Não é, como tal, invulgar que a este período surja associado o conceito anglo-saxónico de silly season, numa alusão à tendência para a falta de acontecimentos de grande relevo para noticiar (Hamer, 2008). Dada a excepcionalidade das circunstâncias, constata-se, ao longo de Agosto, uma tendência para os media se dedicarem ao tratamento de temáticas mais levianas, de modo a colmatar a expectável ausência das chamadas hard news. Este mesmo fenómeno pôde ser constatado durante o estágio curricular efectuado na rádio Renascença. Com efeito, a expressão ‘não há nada’ – repetida múltiplas vezes na redacção ao longo desse mês – permitiu corroborar não só uma notória dificuldade em encontrar matérias dignas de serem notícia, como também um acrescido obstáculo em aceder e contactar numerosas fontes de informação. Apesar dos condicionalismos sentidos em estágio, constatou-se que a quantidade de noticiários emitidos durante as manhãs da Renascença se manteve inalterada durante o mês de Agosto, o que desperta uma curiosidade concreta sobre o tipo de temáticas que terão sido privilegiadas neste período excepcional para os média. Compreender que diferenças podem ser encontradas nos noticiários, bem como alguns dos condicionalismos sentidos e estratégias usadas para a construção dos boletins informativos neste período de Verão afiguram-se, de igual modo, questões legítimas. A fim de melhor se compreender o fenómeno, tal como vivido pela Renascença, procede-se a uma análise ao conteúdo dos noticiários da manhã alusivos aos meses de Agosto (tipicamente associados à silly season) e de Outubro (momento em que o ritmo dos media já está dentro da normalidade), de modo a comparar as características inerentes a cada um destes períodos mediáticos. Posteriormente, os dados da análise de conteúdo são comparados com as informações prestadas, em entrevista, por alguns profissionais da Renascença, para que melhor se compreenda o tipo de estratégias adoptado durante o processo de construção da notícia em Agosto. |
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| Autores principais: | Lopes, José Miguel Dias |
| Assunto: | Silly season Rádio Renascença Jornalismo radiofónico Jornalismo em Agosto Análise de conteúdo Radio journalism Journalism in August Content analysis Ciências Sociais::Ciências da Comunicação |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | É dado adquirido que o mês de Agosto se trata de uma das fases menos férteis do ano no que ao fluxo noticioso diz respeito. Não é, como tal, invulgar que a este período surja associado o conceito anglo-saxónico de silly season, numa alusão à tendência para a falta de acontecimentos de grande relevo para noticiar (Hamer, 2008). Dada a excepcionalidade das circunstâncias, constata-se, ao longo de Agosto, uma tendência para os media se dedicarem ao tratamento de temáticas mais levianas, de modo a colmatar a expectável ausência das chamadas hard news. Este mesmo fenómeno pôde ser constatado durante o estágio curricular efectuado na rádio Renascença. Com efeito, a expressão ‘não há nada’ – repetida múltiplas vezes na redacção ao longo desse mês – permitiu corroborar não só uma notória dificuldade em encontrar matérias dignas de serem notícia, como também um acrescido obstáculo em aceder e contactar numerosas fontes de informação. Apesar dos condicionalismos sentidos em estágio, constatou-se que a quantidade de noticiários emitidos durante as manhãs da Renascença se manteve inalterada durante o mês de Agosto, o que desperta uma curiosidade concreta sobre o tipo de temáticas que terão sido privilegiadas neste período excepcional para os média. Compreender que diferenças podem ser encontradas nos noticiários, bem como alguns dos condicionalismos sentidos e estratégias usadas para a construção dos boletins informativos neste período de Verão afiguram-se, de igual modo, questões legítimas. A fim de melhor se compreender o fenómeno, tal como vivido pela Renascença, procede-se a uma análise ao conteúdo dos noticiários da manhã alusivos aos meses de Agosto (tipicamente associados à silly season) e de Outubro (momento em que o ritmo dos media já está dentro da normalidade), de modo a comparar as características inerentes a cada um destes períodos mediáticos. Posteriormente, os dados da análise de conteúdo são comparados com as informações prestadas, em entrevista, por alguns profissionais da Renascença, para que melhor se compreenda o tipo de estratégias adoptado durante o processo de construção da notícia em Agosto. |
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