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A criança e o brincar. Tempo e temporalidades (im)possíveis

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A revolução industrial legou à humanidade o trabalho como uma das atividades mais importante e, talvez, a principal na cultura ocidental a partir da era moderna. A vida urbana passou a ser governada pelo trabalho. A escola moderna inspira-se neste modelo, e o trabalho escolar torna-se sinónimo de tarefas a serem cumpridas pelas crianças (trabalhadoras) que devem ser produtivas, transformando a meritocracia no modelo de escola moderna a ser perseguida. Neste sentido, o tempo escolar ajusta-se às exigências da ordem da produtividade e passa a ser regulado, cronometrado e fragmentado em diversas formas de controlo rigoroso, como as rotinas, os calendários, turnos etc., bem como nos usos que se fazem do tempo, direta ou indiretamente conectados com uma altíssima austeridade e disciplina infligida aos corpos. Os corpos-sujeitos, quer se ajustem ou não ao tempo medido e definidor das tarefas escolares, devem submeter-se a este rigor, vivenciando-o da maneira como se impõe, a desrespeitar absolutamente os ritmos individuais e praticamente a escravizar os corpos, os gostos, os sentidos, os significados, os saberes e fazeres corporais em nome da eficiência, da eficácia e do rendimento escolar. Nesse sentido, desejamos recolocar questões engessadas e naturalizadas na rigidez e na austeridade promovida pela tirania dos relógios, principalmente no que diz respeito ao controlo e à supressão do tempo necessário para a liberdade de brincar e se-movimentar das crianças nas instituições de Educação de Infância. Propomos repensar a própria vida da criança no fluxo inevitavelmente contínuo do tempo, sobretudo no que tange às primeiras vivências e experiências a que as crianças são submetidas, pois é nos primeiros anos de vida que incorporamos o tempo como o grande, quiçá, o único e maior, regulador das nossas disposições e comportamentos corporais.
Autores principais:Kuhn, Roselaine
Outros Autores:Cunha, António Camilo
Assunto:Brincar Criança Movimentar-se Temporalidade Ciências Sociais::Ciências da Educação
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A revolução industrial legou à humanidade o trabalho como uma das atividades mais importante e, talvez, a principal na cultura ocidental a partir da era moderna. A vida urbana passou a ser governada pelo trabalho. A escola moderna inspira-se neste modelo, e o trabalho escolar torna-se sinónimo de tarefas a serem cumpridas pelas crianças (trabalhadoras) que devem ser produtivas, transformando a meritocracia no modelo de escola moderna a ser perseguida. Neste sentido, o tempo escolar ajusta-se às exigências da ordem da produtividade e passa a ser regulado, cronometrado e fragmentado em diversas formas de controlo rigoroso, como as rotinas, os calendários, turnos etc., bem como nos usos que se fazem do tempo, direta ou indiretamente conectados com uma altíssima austeridade e disciplina infligida aos corpos. Os corpos-sujeitos, quer se ajustem ou não ao tempo medido e definidor das tarefas escolares, devem submeter-se a este rigor, vivenciando-o da maneira como se impõe, a desrespeitar absolutamente os ritmos individuais e praticamente a escravizar os corpos, os gostos, os sentidos, os significados, os saberes e fazeres corporais em nome da eficiência, da eficácia e do rendimento escolar. Nesse sentido, desejamos recolocar questões engessadas e naturalizadas na rigidez e na austeridade promovida pela tirania dos relógios, principalmente no que diz respeito ao controlo e à supressão do tempo necessário para a liberdade de brincar e se-movimentar das crianças nas instituições de Educação de Infância. Propomos repensar a própria vida da criança no fluxo inevitavelmente contínuo do tempo, sobretudo no que tange às primeiras vivências e experiências a que as crianças são submetidas, pois é nos primeiros anos de vida que incorporamos o tempo como o grande, quiçá, o único e maior, regulador das nossas disposições e comportamentos corporais.