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Rádios locais e Internet : quem nos mostra o caminho?

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Detalhes bibliográficos
Resumo:(Excerto) Numa das mais icónicas fotografias do final de 2014 o Papa Francisco surge desfocado e parcialmente encoberto por duas ou três mãos segurando dispositivos móveis que registam o momento. Não vemos o Papa, apesar de estarmos na sua presença, mas sugere--se, por via do enquadramento escolhido, que isso não será o mais importante. É uma foto desafiadora, porque parece dizer que vivemos cada vez mais seguros no conforto higienizado que se alcança à margem da experiência sensorial direta e é uma foto indiscutível porque captura esse universo em que o sentir se canaliza cada vez mais por via de aparelhos digitais integrantes do nosso espaço vital. Não se tratando de uma novidade, em sentido estrito, até porque se reconhecem aqui pistas de uma discussão com circularidades necessariamente infindáveis em torno das narrativas sobre o real desde o início da organização humana em sociedade, o facto é que a disseminação de aparatos e ferramentas de captura-edição-publicação erodiu a maioria dos processos verticalizados e lhes acrescentou – pelo menos isso – algumas camadas mais ou menos horizontalizadas de interações que se estendem em redes de congruência não linear.
Autores principais:Santos, Luís António Martins
Assunto:Rádio Internet Práticas Propostas Ciências Sociais::Ciências da Comunicação
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:(Excerto) Numa das mais icónicas fotografias do final de 2014 o Papa Francisco surge desfocado e parcialmente encoberto por duas ou três mãos segurando dispositivos móveis que registam o momento. Não vemos o Papa, apesar de estarmos na sua presença, mas sugere--se, por via do enquadramento escolhido, que isso não será o mais importante. É uma foto desafiadora, porque parece dizer que vivemos cada vez mais seguros no conforto higienizado que se alcança à margem da experiência sensorial direta e é uma foto indiscutível porque captura esse universo em que o sentir se canaliza cada vez mais por via de aparelhos digitais integrantes do nosso espaço vital. Não se tratando de uma novidade, em sentido estrito, até porque se reconhecem aqui pistas de uma discussão com circularidades necessariamente infindáveis em torno das narrativas sobre o real desde o início da organização humana em sociedade, o facto é que a disseminação de aparatos e ferramentas de captura-edição-publicação erodiu a maioria dos processos verticalizados e lhes acrescentou – pelo menos isso – algumas camadas mais ou menos horizontalizadas de interações que se estendem em redes de congruência não linear.