Publicação
Perceção e produção de sons consonânticos do português europeu por aprendentes chineses
| Resumo: | Vários estudos têm mostrado que as dificuldades de produção de certos sons não nativos têm frequentemente uma matriz percetiva (Flege, 1995; Munro & Bohn, 2007). Um dos fatores por detrás deste enviesamento percetivo é a interferência do sistema fonológico da língua materna (L1) do aprendente (Strange, 2005). Este estudo estabeleceu como objetivo identificar os sons consonânticos da língua não nativa produzidos de modo desviante em posição inicial de palavra por falantes nativos de cantonês, aprendentes de português europeu (PE), e avaliar o grau de semelhança percetiva entre as línguas alvo (PE e cantonês) no sentido de averiguar a matriz percetiva dos desvios de produção detetados. Para avaliar o grau de semelhança interlinguística, 11 participantes macaenses (com nível elementar de proficiência em PE e idades entre os 16 e os 19 anos – média=17,09 anos) realizaram uma tarefa de assimilação percetiva (do inglês perceptual assimilation task, PAT – Cebrian, Mora & Aliaga-Garcia, 2010), que consistiu em ouvir 128 estímulos CV (C=consoante, V=vogal) de PE e identificar o segmento inicial do estímulo de acordo com as categorias fonológicas da L1, avaliando, ainda, a qualidade de representatividade categorial numa escala de Likert de 7 valores. Para avaliar a acurácia da produção segmental, foram gravadas produções dos falantes macaenses, através de uma tarefa de leitura de frases-veículo com as consoantes-alvo inseridas em contexto CVto (ex.: É o pato., É o bato.). Os 128 estímulos CVto assim obtidos foram, depois, avaliados por 30 falantes nativos de PE, que identificaram o som inicial e avaliaram-no, numa escala de Likert de 7 valores, quanto à qualidade de representatividade categorial do segmento selecionado. Interpretados à luz do PAM-L2, os resultados da PAT sugerem que, numa fase inicial da aprendizagem, os sons do PE /p/, /b/ , /t/, /d/, /k/, /g/, /ʃ/, /z/, /f/, /v/, /R/, /ʒ/ podem suscitar dificuldades percetivas e apontam para uma (relativa) facilidade na aprendizagem percetiva dos segmentos /m/, /n/, /l/ e /s/. No que respeita ao teste de produção, os dados revelam que os sons nasais /m/ e /n/ da L2 são sistematicamente produzidos de modo inteligível, os segmentos /ʃ/, /l/, /d/, /f/, /s/ e /g/ tendem a ser produzidos de forma inteligível e os sons /p/, /t/, /k/, /b/, /v/, /z/, /ʒ/, /R/ foram classificados como ininteligíveis. Concluiu-se que, à exceção de /d/ e /ʃ/ (para os quais a produção parece ser melhor do que a perceção), a informação disponibilizada por uma PAT pode ser utilizada, com alguma fiabilidade, na antecipação de problemas de produção, elucidando quanto à matriz percetiva desses desvios. |
|---|---|
| Autores principais: | Oliveira, Diana Moreira de |
| Assunto: | Humanidades::Línguas e Literaturas |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Vários estudos têm mostrado que as dificuldades de produção de certos sons não nativos têm frequentemente uma matriz percetiva (Flege, 1995; Munro & Bohn, 2007). Um dos fatores por detrás deste enviesamento percetivo é a interferência do sistema fonológico da língua materna (L1) do aprendente (Strange, 2005). Este estudo estabeleceu como objetivo identificar os sons consonânticos da língua não nativa produzidos de modo desviante em posição inicial de palavra por falantes nativos de cantonês, aprendentes de português europeu (PE), e avaliar o grau de semelhança percetiva entre as línguas alvo (PE e cantonês) no sentido de averiguar a matriz percetiva dos desvios de produção detetados. Para avaliar o grau de semelhança interlinguística, 11 participantes macaenses (com nível elementar de proficiência em PE e idades entre os 16 e os 19 anos – média=17,09 anos) realizaram uma tarefa de assimilação percetiva (do inglês perceptual assimilation task, PAT – Cebrian, Mora & Aliaga-Garcia, 2010), que consistiu em ouvir 128 estímulos CV (C=consoante, V=vogal) de PE e identificar o segmento inicial do estímulo de acordo com as categorias fonológicas da L1, avaliando, ainda, a qualidade de representatividade categorial numa escala de Likert de 7 valores. Para avaliar a acurácia da produção segmental, foram gravadas produções dos falantes macaenses, através de uma tarefa de leitura de frases-veículo com as consoantes-alvo inseridas em contexto CVto (ex.: É o pato., É o bato.). Os 128 estímulos CVto assim obtidos foram, depois, avaliados por 30 falantes nativos de PE, que identificaram o som inicial e avaliaram-no, numa escala de Likert de 7 valores, quanto à qualidade de representatividade categorial do segmento selecionado. Interpretados à luz do PAM-L2, os resultados da PAT sugerem que, numa fase inicial da aprendizagem, os sons do PE /p/, /b/ , /t/, /d/, /k/, /g/, /ʃ/, /z/, /f/, /v/, /R/, /ʒ/ podem suscitar dificuldades percetivas e apontam para uma (relativa) facilidade na aprendizagem percetiva dos segmentos /m/, /n/, /l/ e /s/. No que respeita ao teste de produção, os dados revelam que os sons nasais /m/ e /n/ da L2 são sistematicamente produzidos de modo inteligível, os segmentos /ʃ/, /l/, /d/, /f/, /s/ e /g/ tendem a ser produzidos de forma inteligível e os sons /p/, /t/, /k/, /b/, /v/, /z/, /ʒ/, /R/ foram classificados como ininteligíveis. Concluiu-se que, à exceção de /d/ e /ʃ/ (para os quais a produção parece ser melhor do que a perceção), a informação disponibilizada por uma PAT pode ser utilizada, com alguma fiabilidade, na antecipação de problemas de produção, elucidando quanto à matriz percetiva desses desvios. |
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