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Trajectórias de profissionalização das Ciências Sociais e Humanas no Terceiro sector: contextos, práticas e percepções

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Resumo:É inegável que em Portugal, nas últimas décadas, tem crescido o incentivo à participação da sociedade civil, dos movimentos associativos, em particular de organizações do Terceiro Sector (TS), na criação de soluções inovadoras adaptadas às diferentes realidades sociais. Neste contexto, emergem formas de organização de trabalho mais descentralizadas, participativas e autónomas, pressupondo quase sempre o exercício do trabalho profissional em equipas multidisciplinares. Por sua vez, a difusão de credenciais universitárias em Ciências Sociais e Humanas (CSH) tem permitido reforçar estas organizações de uma estrutura ocupacional e profissional capaz de mobilizar saberes, competências e reflexividade social e institucional na realização de finalidades de interesse público. Porém, trata-se, na maioria dos casos, de um trabalho profissional assalariado com desiguais vínculos contratuais que se concretiza, em maior ou menor grau e de forma desigual conforme as organizações e as profissões em causa. A partir de resultados preliminares do projecto “SARTPRO - Saberes, Autonomias e Reflexividades: O trabalho profissional no Terceiro Sector” (PTDC/CSSOC/098459/2008)1, visa-se neste artigo prosseguir os seguintes objetivos: 1) analisar os contextos organizacionais de trabalho profissional (localização, dimensão, tipologia de serviços prestados, perfil sócio-demográfico); 2) identificar os processos de transformação dos quotidianos de trabalhos (e.g. assalariamento crescente, mobilidade hierárquica, intensificação do ritmo de trabalho); 3) sinalizar principais tendências contraditórias de não linearização dos processos de profissionalização (e.g. tecnicidade vs. responsabilidade e gestão de equipas; autonomia vs. cumprimento de objectivos e controlo burocrático-administrativo). Em termos metodológicos, privilegiar-se-á o nível micro de modo a contribuir para a compreensão de transformações inter-profissionais e da estrutura ocupacional fruto da crescente heterogeneidade de diplomas em áreas de profissionalização próximas, designadamente em Ciências Sociais e Humanas.
Autores principais:Marques, Ana Paula
Outros Autores:Caria, Telmo; Silva, M.
Assunto:Organizações de Terceiro Sector Trabalho e Profissionalização Diplomados em Ciências Sociais e Humanas Ciências Sociais::Sociologia
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:É inegável que em Portugal, nas últimas décadas, tem crescido o incentivo à participação da sociedade civil, dos movimentos associativos, em particular de organizações do Terceiro Sector (TS), na criação de soluções inovadoras adaptadas às diferentes realidades sociais. Neste contexto, emergem formas de organização de trabalho mais descentralizadas, participativas e autónomas, pressupondo quase sempre o exercício do trabalho profissional em equipas multidisciplinares. Por sua vez, a difusão de credenciais universitárias em Ciências Sociais e Humanas (CSH) tem permitido reforçar estas organizações de uma estrutura ocupacional e profissional capaz de mobilizar saberes, competências e reflexividade social e institucional na realização de finalidades de interesse público. Porém, trata-se, na maioria dos casos, de um trabalho profissional assalariado com desiguais vínculos contratuais que se concretiza, em maior ou menor grau e de forma desigual conforme as organizações e as profissões em causa. A partir de resultados preliminares do projecto “SARTPRO - Saberes, Autonomias e Reflexividades: O trabalho profissional no Terceiro Sector” (PTDC/CSSOC/098459/2008)1, visa-se neste artigo prosseguir os seguintes objetivos: 1) analisar os contextos organizacionais de trabalho profissional (localização, dimensão, tipologia de serviços prestados, perfil sócio-demográfico); 2) identificar os processos de transformação dos quotidianos de trabalhos (e.g. assalariamento crescente, mobilidade hierárquica, intensificação do ritmo de trabalho); 3) sinalizar principais tendências contraditórias de não linearização dos processos de profissionalização (e.g. tecnicidade vs. responsabilidade e gestão de equipas; autonomia vs. cumprimento de objectivos e controlo burocrático-administrativo). Em termos metodológicos, privilegiar-se-á o nível micro de modo a contribuir para a compreensão de transformações inter-profissionais e da estrutura ocupacional fruto da crescente heterogeneidade de diplomas em áreas de profissionalização próximas, designadamente em Ciências Sociais e Humanas.