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A participação dos cidadãos nos média portugueses : estímulos e constrangimentos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Será porventura intrínseco à natureza dos meios de comunicação social um determinado apelo à implicação daqueles a quem se dirigem (Wolton, 2009; Carpentier & Cleen, 2008). No caso específico do jornalismo, discute-se hoje a natureza de uma eventual maior propensão de trocas comunicativas entre os média e os cidadãos, por via de condições técnicas e tecnológicas favoráveis (Cruz & Bragança, 2002; Harley, 1996), capazes de retroalimentar os processos comunicativos, transfigurando os estáticos papeis de emissor e recetor (Cloutier, 2002). No seio dos estudos em Comunicação, este movimento dialético entre o jornalismo e o público associase frequentemente ao conceito de ‘participação nos média’, como o momento em que as audiências conseguem inscrever a sua voz no discurso jornalístico num determinado formato (Carpentier, 2011; Pinto, 2010; Deuze, 2006, Huesca, 1996). Ora, recortando apenas uma dessas esferas onde este complexo termo intervém, esta investigação problematiza, em primeiro lugar, o conceito de cidadania enquadrado no espaço público e mais concretamente nos média para, num segundo momento, refletir sobre os condicionalismos tecnológicos que servem audiências potencialmente mais ativas e envolvidas no discurso jornalístico. Desta forma, o presente trabalho procura avaliar de que forma está montado o ‘cenário participativo’ nos média portugueses, conhecendo os cidadãos que dele tomam parte e compreendendo as políticas levadas a cabo pelos responsáveis mediáticos. Para tal, convocámos uma amostra que procura representar uma abordagem multidisciplinar do jornalismo, concretizada em diversos espaços participativos: na rádio, o Fórum TSF da TSF – Rádio Notícias; na televisão, o Opinião Pública da SIC Notícias; na imprensa, o Jornal de Notícias com as Cartas do Leitor, e na imprensa online a edição do PÚBLICO com as caixas de comentário às notícias. Resgatando um conceito tradicionalmente associado ao campo político (Dahlgren, 2006), procuramos atualizá-lo numa perspetiva reconfigurada, num novo paradigma comunicacional, conscientes de que poderá ser crucial repensar esta relação em épocas de contenção orçamental e financeira, uma vez que estará inclusivamente em causa a própria sobrevivência dos meios que dependem inexoravelmente das audiências.
Autores principais:Ribeiro, Fábio Fonseca
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Será porventura intrínseco à natureza dos meios de comunicação social um determinado apelo à implicação daqueles a quem se dirigem (Wolton, 2009; Carpentier & Cleen, 2008). No caso específico do jornalismo, discute-se hoje a natureza de uma eventual maior propensão de trocas comunicativas entre os média e os cidadãos, por via de condições técnicas e tecnológicas favoráveis (Cruz & Bragança, 2002; Harley, 1996), capazes de retroalimentar os processos comunicativos, transfigurando os estáticos papeis de emissor e recetor (Cloutier, 2002). No seio dos estudos em Comunicação, este movimento dialético entre o jornalismo e o público associase frequentemente ao conceito de ‘participação nos média’, como o momento em que as audiências conseguem inscrever a sua voz no discurso jornalístico num determinado formato (Carpentier, 2011; Pinto, 2010; Deuze, 2006, Huesca, 1996). Ora, recortando apenas uma dessas esferas onde este complexo termo intervém, esta investigação problematiza, em primeiro lugar, o conceito de cidadania enquadrado no espaço público e mais concretamente nos média para, num segundo momento, refletir sobre os condicionalismos tecnológicos que servem audiências potencialmente mais ativas e envolvidas no discurso jornalístico. Desta forma, o presente trabalho procura avaliar de que forma está montado o ‘cenário participativo’ nos média portugueses, conhecendo os cidadãos que dele tomam parte e compreendendo as políticas levadas a cabo pelos responsáveis mediáticos. Para tal, convocámos uma amostra que procura representar uma abordagem multidisciplinar do jornalismo, concretizada em diversos espaços participativos: na rádio, o Fórum TSF da TSF – Rádio Notícias; na televisão, o Opinião Pública da SIC Notícias; na imprensa, o Jornal de Notícias com as Cartas do Leitor, e na imprensa online a edição do PÚBLICO com as caixas de comentário às notícias. Resgatando um conceito tradicionalmente associado ao campo político (Dahlgren, 2006), procuramos atualizá-lo numa perspetiva reconfigurada, num novo paradigma comunicacional, conscientes de que poderá ser crucial repensar esta relação em épocas de contenção orçamental e financeira, uma vez que estará inclusivamente em causa a própria sobrevivência dos meios que dependem inexoravelmente das audiências.