Publicação
Género e academia: um diálogo de tempos
| Resumo: | Esta comunicação é reflexiva e tem como objetivo elucidar sobre os principais dilemas e desafios que enfrenta a (in)compreensão das desigualdades de género nos contextos da academia e da investigação em Portugal. Nos últimos anos tem havido um incremento de políticas dirigidas à promoção da igualdade de género nas instituições de ensino superior e ciência que sustentam um quadro normativo relativamente elaborado e o qual consagra o princípio da não discriminação. Nesse âmbito, tem vindo a ser desenvolvidos projetos de investigação na base dos quais se sustentam planos de igualdade de género, a implementar caso a caso. No entanto, os próprios promotores e promotoras desses planos tem revelado as dificuldades e as barreiras que enfrentam para conduzir os diagnósticos e, sobretudo, para envolverem e comprometerem os vários participantes organizacionais na conceção, implementação e avaliação dos planos. Para além desta resistência institucionalizada, a análise da situação na academia portuguesa dá conta de tendências que se prendem com o aumento da precaridade do trabalho em ciência, reforço e estandardização dos padrões de avaliação de desempenho individual e crescente valorização da internacionalização e da mobilidade (Araújo, 2016). Estas tendências, assentando num sistema que é patriarcal, acabam por ajudar a gerar vários regimes e desigualdade (Fox, 2005, Acker, 2009) no acesso, permanência e promoção das mulheres na ciência. Sob este quadro genérico e base da análise de dados oficiais sobre a situação de Portugal, em termos de políticas para igualdade de género, procedemos a uma problematização sobre as condições estruturais e organizacionais que inviabilizam a emancipação das mulheres na academia e na ciência e propomos um olhar critico sobre o mainstreaming de género favorável à institucionalização da mediação académica, enquanto metodologia de auscultação e de conceção de mudanças efetivas com expressão ao nível das mulheres académicas, estudantes e staff académico, em geral. |
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| Autores principais: | Araújo, Emília Rodrigues |
| Assunto: | Desigualdades de género Academia e da investigação em Portugal Políticas de igualdade de género Ensino superior |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | outro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Esta comunicação é reflexiva e tem como objetivo elucidar sobre os principais dilemas e desafios que enfrenta a (in)compreensão das desigualdades de género nos contextos da academia e da investigação em Portugal. Nos últimos anos tem havido um incremento de políticas dirigidas à promoção da igualdade de género nas instituições de ensino superior e ciência que sustentam um quadro normativo relativamente elaborado e o qual consagra o princípio da não discriminação. Nesse âmbito, tem vindo a ser desenvolvidos projetos de investigação na base dos quais se sustentam planos de igualdade de género, a implementar caso a caso. No entanto, os próprios promotores e promotoras desses planos tem revelado as dificuldades e as barreiras que enfrentam para conduzir os diagnósticos e, sobretudo, para envolverem e comprometerem os vários participantes organizacionais na conceção, implementação e avaliação dos planos. Para além desta resistência institucionalizada, a análise da situação na academia portuguesa dá conta de tendências que se prendem com o aumento da precaridade do trabalho em ciência, reforço e estandardização dos padrões de avaliação de desempenho individual e crescente valorização da internacionalização e da mobilidade (Araújo, 2016). Estas tendências, assentando num sistema que é patriarcal, acabam por ajudar a gerar vários regimes e desigualdade (Fox, 2005, Acker, 2009) no acesso, permanência e promoção das mulheres na ciência. Sob este quadro genérico e base da análise de dados oficiais sobre a situação de Portugal, em termos de políticas para igualdade de género, procedemos a uma problematização sobre as condições estruturais e organizacionais que inviabilizam a emancipação das mulheres na academia e na ciência e propomos um olhar critico sobre o mainstreaming de género favorável à institucionalização da mediação académica, enquanto metodologia de auscultação e de conceção de mudanças efetivas com expressão ao nível das mulheres académicas, estudantes e staff académico, em geral. |
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