Publicação

Caracterização da virulência e dos perfis de resistência de populações microbianas patogénicas presentes no efluente final de ETAR

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Um dos principais problemas com que a sociedade actual se depara é o aumento da prevalência de microrganismos resistentes a antibióticos, levando ao crescimento do número de infecções nosocomiais. As Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) foram pensadas para o tratamento de efluentes domésticos. No entanto, actualmente, as ETAR recebem efluentes de uma panóplia de actividades, contribuindo para o aparecimento de microrganismos patogénicos resistentes nas águas residuais. O objectivo do presente trabalho foi o isolamento de bactérias potencialmente patogénicas, nomeadamente E. coli, S. aureus, S. enterica, P. aeruginosa e K. pneumoniae, no efluente final de quatro ETAR da zona norte de Portugal (adiante designadas F, C, T, V por questões de confidencialidade), e avaliar alguns factores de virulência, como a sua capacidade de formação de biofilme e a susceptibilidade a diferentes classes de antibióticos. Os dados obtidos mostraram que todas as bactérias em estudo foram detectadas no efluente final das quatro ETAR, sendo, em todas elas, a quantidade inicial de microrganismos máxima para E. coli e mínima para S. aureus. Foi na ETAR C que se verificou menor quantidade inicial de microrganismos. Relativamente à capacidade de formação de biofilme, esta variou entre bactérias e entre ETAR, para a mesma bactéria. De forma geral, as bactérias isoladas da ETAR V foram aquelas que apresentaram menor capacidade de formação de biofilme, mas perfis de resistência aos antibióticos mais elevados. Na ETAR F, a capacidade de formação de biofilme das bactérias isoladas foi quase sempre superior à observada nos microrganismos das outras ETAR. No entanto, foi nesta ETAR que as bactérias se revelaram mais sensíveis aos antibióticos testados. Estes resultados permitem concluir que a virulência das bactérias depende da água residual de onde foram isoladas, não se observando nenhum padrão nas várias ETAR analisadas. É ainda possível concluir que os processos utilizados nas ETAR não estão a ser eficazes na remoção de bactérias patogénicas.
Autores principais:Martins, Tânia Maria Correia
Assunto:Estação de tratamento de águas residuais Bactérias patogénicas Formação de biofilme Resistência aos antibióticos Perfis de virulência Wastewater treatment plant Pathogenic bacteria Biofilm formation Antibiotic resistance Virulence profiles
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Um dos principais problemas com que a sociedade actual se depara é o aumento da prevalência de microrganismos resistentes a antibióticos, levando ao crescimento do número de infecções nosocomiais. As Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) foram pensadas para o tratamento de efluentes domésticos. No entanto, actualmente, as ETAR recebem efluentes de uma panóplia de actividades, contribuindo para o aparecimento de microrganismos patogénicos resistentes nas águas residuais. O objectivo do presente trabalho foi o isolamento de bactérias potencialmente patogénicas, nomeadamente E. coli, S. aureus, S. enterica, P. aeruginosa e K. pneumoniae, no efluente final de quatro ETAR da zona norte de Portugal (adiante designadas F, C, T, V por questões de confidencialidade), e avaliar alguns factores de virulência, como a sua capacidade de formação de biofilme e a susceptibilidade a diferentes classes de antibióticos. Os dados obtidos mostraram que todas as bactérias em estudo foram detectadas no efluente final das quatro ETAR, sendo, em todas elas, a quantidade inicial de microrganismos máxima para E. coli e mínima para S. aureus. Foi na ETAR C que se verificou menor quantidade inicial de microrganismos. Relativamente à capacidade de formação de biofilme, esta variou entre bactérias e entre ETAR, para a mesma bactéria. De forma geral, as bactérias isoladas da ETAR V foram aquelas que apresentaram menor capacidade de formação de biofilme, mas perfis de resistência aos antibióticos mais elevados. Na ETAR F, a capacidade de formação de biofilme das bactérias isoladas foi quase sempre superior à observada nos microrganismos das outras ETAR. No entanto, foi nesta ETAR que as bactérias se revelaram mais sensíveis aos antibióticos testados. Estes resultados permitem concluir que a virulência das bactérias depende da água residual de onde foram isoladas, não se observando nenhum padrão nas várias ETAR analisadas. É ainda possível concluir que os processos utilizados nas ETAR não estão a ser eficazes na remoção de bactérias patogénicas.