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A(s) crise(s) e a(s) identidade(s). A globalização, a perda de soberania dos Estados e a emergência dos patriotismos

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Resumo:A crise, que ganhou lastro com a falência da ideia de unidade e através da globalização, pontua a vida social. A sua generalização, patente na tendência para ser declinada no plural, parece tê-la “naturalizado”. Nesse contexto, qual o recorte comportamental do cidadão perante a fragmentação do tempo decorrente da incerteza, incrementada desde os anos 60 do século XX? Que identidade emerge, assim, em tempo de ruturas sociais? Da identidade definida, passou-se à identidade não tipificada, deslocada da ideia centrada em “nós” próprios, trazendo ao de cima a sua mobilidade. Nesta crise de paradigmas o plano identitário integra um processo mais amplo de mudança que abala os quadros de referência, antes aparentemente estáveis, já que as ideias preconcebidas sobre si próprio, sobre o outro e sobre o mundo são postas em causa (Dubar, 2011). E, muito embora a globalização relativize as influências dos Estados e a sua própria soberania, em tempo de crise emergem os apelos ao patriotismo. Foi o que aconteceu no caso português que, apesar de o país ter estado sob assistência económica externa, viu os responsáveis políticos a assumirem, transversalmente, posições com um recorte “nacional” sublinhado; o mesmo aconteceu com muitos eventos ligados ao branding, que recuperaram a ideia estado-novista de “portugalidade”, em contraciclo com a realidade vivenciada. Philippe C. Schmitter (2013) refere-se a uma combinação de fatores que poderá levar a um neocorporativismo, especialmente em países europeus de pequena dimensão e internacionalmente vulneráveis, como é o caso de Portugal. Zygmunt Bauman (2013) realça o divórcio entre o poder e a política, com o “velho mundo” a definhar, sem que tenha nascido um outro alternativo, o que pode explicar a perspetiva de Edgar Morin (2010), que observa que a ideia de futuro é marcada pela incerteza.
Autores principais:Sousa, Vítor de
Assunto:Identidade Crise Globalização Patriotismo Ciências Sociais::Ciências da Comunicação
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A crise, que ganhou lastro com a falência da ideia de unidade e através da globalização, pontua a vida social. A sua generalização, patente na tendência para ser declinada no plural, parece tê-la “naturalizado”. Nesse contexto, qual o recorte comportamental do cidadão perante a fragmentação do tempo decorrente da incerteza, incrementada desde os anos 60 do século XX? Que identidade emerge, assim, em tempo de ruturas sociais? Da identidade definida, passou-se à identidade não tipificada, deslocada da ideia centrada em “nós” próprios, trazendo ao de cima a sua mobilidade. Nesta crise de paradigmas o plano identitário integra um processo mais amplo de mudança que abala os quadros de referência, antes aparentemente estáveis, já que as ideias preconcebidas sobre si próprio, sobre o outro e sobre o mundo são postas em causa (Dubar, 2011). E, muito embora a globalização relativize as influências dos Estados e a sua própria soberania, em tempo de crise emergem os apelos ao patriotismo. Foi o que aconteceu no caso português que, apesar de o país ter estado sob assistência económica externa, viu os responsáveis políticos a assumirem, transversalmente, posições com um recorte “nacional” sublinhado; o mesmo aconteceu com muitos eventos ligados ao branding, que recuperaram a ideia estado-novista de “portugalidade”, em contraciclo com a realidade vivenciada. Philippe C. Schmitter (2013) refere-se a uma combinação de fatores que poderá levar a um neocorporativismo, especialmente em países europeus de pequena dimensão e internacionalmente vulneráveis, como é o caso de Portugal. Zygmunt Bauman (2013) realça o divórcio entre o poder e a política, com o “velho mundo” a definhar, sem que tenha nascido um outro alternativo, o que pode explicar a perspetiva de Edgar Morin (2010), que observa que a ideia de futuro é marcada pela incerteza.