Publicação
O último dia na terrona
| Resumo: | Enfim havia chegado o grande dia, embora eu relutava em acreditar que já era o momento. Mesmo que todo o processo tivesse levado 6 meses, os últimos 2 meses passaram como um borrão, entre diferentes trabalhos informais e vendas de móveis/itens pessoais. Minha casa havia se tornado um estranho fragmento do que eu e minha esposa vivemos ao longo dos últimos 2 anos. De uma hora para a outra, a casa vazia e destrambelhada carregava uma porção de memórias que se materializavam pela ausência, isto é, o vazio no espaço em que ficava a mesa de jantar me recordava de inúmeras noites de jantar ao som do jornal noturno ou de algum canal de nostalgia do YouTube. O tempo parecia se esticar, apesar de cada olhada no relógio me deixar cada vez mais perto da hora de partir. E meu coração queria que cada minuto se alongasse pelo menos um segundo a mais, nem que fosse para eu reparar mais uma vez no espaço vazio das estantes ou trocar as coisas de uma caixa para a outra pela quinquagésima vez (afinal, todos as revistas do Homem-Aranha precisam estar juntas e, talvez, aquele “Demolidor: Amarelo” devesse ficar junto do Homem-Aranha, já que ambos são de Nova York…). |
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| Autores principais: | Novais, Lucas |
| Assunto: | Passeio Cultura urbana São Paulo Urban culture Ciências Sociais::Ciências da Comunicação |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | outro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Enfim havia chegado o grande dia, embora eu relutava em acreditar que já era o momento. Mesmo que todo o processo tivesse levado 6 meses, os últimos 2 meses passaram como um borrão, entre diferentes trabalhos informais e vendas de móveis/itens pessoais. Minha casa havia se tornado um estranho fragmento do que eu e minha esposa vivemos ao longo dos últimos 2 anos. De uma hora para a outra, a casa vazia e destrambelhada carregava uma porção de memórias que se materializavam pela ausência, isto é, o vazio no espaço em que ficava a mesa de jantar me recordava de inúmeras noites de jantar ao som do jornal noturno ou de algum canal de nostalgia do YouTube. O tempo parecia se esticar, apesar de cada olhada no relógio me deixar cada vez mais perto da hora de partir. E meu coração queria que cada minuto se alongasse pelo menos um segundo a mais, nem que fosse para eu reparar mais uma vez no espaço vazio das estantes ou trocar as coisas de uma caixa para a outra pela quinquagésima vez (afinal, todos as revistas do Homem-Aranha precisam estar juntas e, talvez, aquele “Demolidor: Amarelo” devesse ficar junto do Homem-Aranha, já que ambos são de Nova York…). |
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