Publicação
Estratégias coloniais: o papel da infraestrutura ferroviária da Beira no processo de colonização de Manica e Sofala, em Moçambique
| Resumo: | No contexto do movimento de expansão europeu do final do século XIX e início do século XX, a infraestrutura ferroviária em África foi veículo da colonização dos seus territórios. Esse processo de apropriação, transformação e exploração, a partir do estabelecimento das redes ferroviárias, integrou planos de urbanização, nucleos urbanos e equipamentos públicos. Através do estudo da linha de caminho-de-ferro da Beira (1892 a 1900), em Moçambique, esta dissertação procura investigar e representar os processos de transformação do território de Manica e Sofala a partir da introdução da infraestrutura ferroviária. Neste sentido, foi necessário investigar e sistematizar o conhecimento adquirido acerca do estado do território no período imediatamente anterior à construção da linha de caminho-de-ferro para, numa fase posterior, construir hipóteses acerca das motivações e consequências da sua implantação, exploração e modernização. A presente dissertação organiza-se em três capítulos principais, estruturados segundo balizas temporais relativas ao período anterior, contemporâneo e posterior à implementação da rede ferroviária da Beira. O primeiro capítulo, O território segundo Paiva de Andrada: espacialização do “Relatorio de uma viagem ás terras dos landins”, debruça-se sobre um relatório de viagem fundamental a esta pesquisa, espacializando as suas descrições e construindo cartografias que procuram caracterizar, por um lado, o território no período anterior à construção da linha e, por outro, a perceção e entendimento que os colonos portugueses tinham da geografia física e humana do local, bem como do potencial económico que lhe reconheciam. O segundo capítulo, A linha de caminho-de-ferro da Beira: esboço e interpretação de hipóteses na transformação do território, pretende analisar e representar hipóteses, decisões e procedimentos nos processos de desenho, construção e resgate da infraestrutura ferroviária da Beira (de 1891 a 1942). O terceiro capítulo, Vila Pery: a produção urbanística e arquitetónica colonial e a sua relação com a infraestrutura ferroviária, dedica-se à análise e interpretação das práticas urbanísticas e arquitetónicas coloniais durante o período em que vigorou o regime do Estado Novo, através dos casos de estudo do Plano Geral de Urbanização de Vila Pery (1950), do Gabinete de Urbanização Colonial (G.U.C.), e da Estação de Caminhos de Ferro de Vila Pery (1966), da autoria de Paulo Sampaio. Em suma, a investigação permitiu verificar que existiu um grande investimento formal e simbólico na estratégia colonial de domínio dos territórios moçambicanos e de aculturação dos seus povos. Esta lógica dita civilizadora foi materializada em mecanismos segregadores e exploratórios, onde a infraestrutura ferroviária teve um papel fundamental, e que se inseriram de forma estrutural nas suas diversas escalas: no ordenamento do território, no planeamento de núcleos urbanos e na prática arquitetónica. |
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| Autores principais: | Couto, Carolina Pinto |
| Assunto: | Humanidades::Artes |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | No contexto do movimento de expansão europeu do final do século XIX e início do século XX, a infraestrutura ferroviária em África foi veículo da colonização dos seus territórios. Esse processo de apropriação, transformação e exploração, a partir do estabelecimento das redes ferroviárias, integrou planos de urbanização, nucleos urbanos e equipamentos públicos. Através do estudo da linha de caminho-de-ferro da Beira (1892 a 1900), em Moçambique, esta dissertação procura investigar e representar os processos de transformação do território de Manica e Sofala a partir da introdução da infraestrutura ferroviária. Neste sentido, foi necessário investigar e sistematizar o conhecimento adquirido acerca do estado do território no período imediatamente anterior à construção da linha de caminho-de-ferro para, numa fase posterior, construir hipóteses acerca das motivações e consequências da sua implantação, exploração e modernização. A presente dissertação organiza-se em três capítulos principais, estruturados segundo balizas temporais relativas ao período anterior, contemporâneo e posterior à implementação da rede ferroviária da Beira. O primeiro capítulo, O território segundo Paiva de Andrada: espacialização do “Relatorio de uma viagem ás terras dos landins”, debruça-se sobre um relatório de viagem fundamental a esta pesquisa, espacializando as suas descrições e construindo cartografias que procuram caracterizar, por um lado, o território no período anterior à construção da linha e, por outro, a perceção e entendimento que os colonos portugueses tinham da geografia física e humana do local, bem como do potencial económico que lhe reconheciam. O segundo capítulo, A linha de caminho-de-ferro da Beira: esboço e interpretação de hipóteses na transformação do território, pretende analisar e representar hipóteses, decisões e procedimentos nos processos de desenho, construção e resgate da infraestrutura ferroviária da Beira (de 1891 a 1942). O terceiro capítulo, Vila Pery: a produção urbanística e arquitetónica colonial e a sua relação com a infraestrutura ferroviária, dedica-se à análise e interpretação das práticas urbanísticas e arquitetónicas coloniais durante o período em que vigorou o regime do Estado Novo, através dos casos de estudo do Plano Geral de Urbanização de Vila Pery (1950), do Gabinete de Urbanização Colonial (G.U.C.), e da Estação de Caminhos de Ferro de Vila Pery (1966), da autoria de Paulo Sampaio. Em suma, a investigação permitiu verificar que existiu um grande investimento formal e simbólico na estratégia colonial de domínio dos territórios moçambicanos e de aculturação dos seus povos. Esta lógica dita civilizadora foi materializada em mecanismos segregadores e exploratórios, onde a infraestrutura ferroviária teve um papel fundamental, e que se inseriram de forma estrutural nas suas diversas escalas: no ordenamento do território, no planeamento de núcleos urbanos e na prática arquitetónica. |
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