Publicação
Alunos cegos nas aulas de ciências físico-químicas do 3º ciclo: um estudo com professores e alunos
| Resumo: | A inclusão de alunos cegos no ensino regular é sempre uma questão especialmente complexa no caso das Ciências Físico-Químicas (CFQ) pelo facto de esta disciplina envolver a realização de atividades laboratoriais e a utilização não só de vários tipos de representações, como gráficos, diagramas e esquemas, mas também de simbologia própria da Química e da Física. O uso destes recursos constitui uma dificuldade para os alunos cegos e coloca desafios a aluno e professor. Este estudo teve como objetivo a caracterização das perceções de professores de alunos cegos e de alunos cegos relativamente à inclusão destes nas aulas de CFQ, centrada em aspetos como reações de professores de alunos cegos e de alunos cegos sobre essa inclusão e opiniões sobre a utilização de representações visuais, de simbologia da Física e da Química Braille e de atividades laboratoriais. Os alunos foram ainda questionados acerca das razões que levam alunos cegos a escolher, ou a não escolher, a área de ciências, no ensino secundário. Para alcançar estes objetivos, entrevistaram-se 11 professores de CFQ do 3º Ciclo do Ensino Básico que tiveram alunos cegos nas suas turmas, em qualquer um dos anos desse ciclo, e oito alunos cegos que haviam frequentado a disciplina de CFQ nesse mesmo ciclo. Os resultados obtidos sugerem que: apesar dos esforços realizados para dar resposta às necessidades dos alunos cegos, os professores de CFQ manifestam baixas expectativas quanto à capacidade destes alunos realizarem algumas das atividades e tarefas inerentes à disciplina e os alunos evidenciam que não se sentem verdadeiramente integrados nas aulas; as representações visuais externas táteis que estão disponíveis ou não reúnem, segundo os professores, as características desejáveis ou os professores e os alunos não as sabem utilizar; os alunos cegos parecem ter dificuldades em utilizar simbologia de Química e de Física Braille e os professores de CFQ não a conhecem; os alunos cegos desconhecem os materiais de laboratório existentes, adaptados às suas necessidades. Além disso, a maioria dos alunos entrevistados não manifestou interesse em prosseguir estudos numa área científica, Torna-se, assim, pertinente realizar formação de professores nesta área, de modo a que desenvolvam conhecimentos e competências que lhes permitam lidar mais apropriadamente com a inclusão de alunos cegos nas aulas de CFQ. |
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| Autores principais: | Freitas, Joana Patrícia Viana Faria da Silva |
| Assunto: | Ciências Sociais |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A inclusão de alunos cegos no ensino regular é sempre uma questão especialmente complexa no caso das Ciências Físico-Químicas (CFQ) pelo facto de esta disciplina envolver a realização de atividades laboratoriais e a utilização não só de vários tipos de representações, como gráficos, diagramas e esquemas, mas também de simbologia própria da Química e da Física. O uso destes recursos constitui uma dificuldade para os alunos cegos e coloca desafios a aluno e professor. Este estudo teve como objetivo a caracterização das perceções de professores de alunos cegos e de alunos cegos relativamente à inclusão destes nas aulas de CFQ, centrada em aspetos como reações de professores de alunos cegos e de alunos cegos sobre essa inclusão e opiniões sobre a utilização de representações visuais, de simbologia da Física e da Química Braille e de atividades laboratoriais. Os alunos foram ainda questionados acerca das razões que levam alunos cegos a escolher, ou a não escolher, a área de ciências, no ensino secundário. Para alcançar estes objetivos, entrevistaram-se 11 professores de CFQ do 3º Ciclo do Ensino Básico que tiveram alunos cegos nas suas turmas, em qualquer um dos anos desse ciclo, e oito alunos cegos que haviam frequentado a disciplina de CFQ nesse mesmo ciclo. Os resultados obtidos sugerem que: apesar dos esforços realizados para dar resposta às necessidades dos alunos cegos, os professores de CFQ manifestam baixas expectativas quanto à capacidade destes alunos realizarem algumas das atividades e tarefas inerentes à disciplina e os alunos evidenciam que não se sentem verdadeiramente integrados nas aulas; as representações visuais externas táteis que estão disponíveis ou não reúnem, segundo os professores, as características desejáveis ou os professores e os alunos não as sabem utilizar; os alunos cegos parecem ter dificuldades em utilizar simbologia de Química e de Física Braille e os professores de CFQ não a conhecem; os alunos cegos desconhecem os materiais de laboratório existentes, adaptados às suas necessidades. Além disso, a maioria dos alunos entrevistados não manifestou interesse em prosseguir estudos numa área científica, Torna-se, assim, pertinente realizar formação de professores nesta área, de modo a que desenvolvam conhecimentos e competências que lhes permitam lidar mais apropriadamente com a inclusão de alunos cegos nas aulas de CFQ. |
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