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A cooperação sino-brasileira e o Sul Global: multilateralismo, reformismo e revisionismo

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Resumo:A cooperação sino-brasileira e o Sul Global tem se desenvolvido gradativamente nas últimas duas décadas. Ambos vêm conquistando espaço na arena internacional, ao mesmo tempo em que reivindicam reformas na governança global onusiana. Embora exista uma vasta literatura acerca da relação sino-brasileira e do Sul Global, verifica-se, contudo, uma lacuna na investigação em compreender o papel reformista-revisionista (expressão de Barry Buzan) do Brasil e China no Sul Global. Por conseguinte, esta dissertação busca preencher essa lacuna por meio da resposta à seguinte questão de investigação: De que modo o Brasil, no contexto da cooperação com a China no Sul Global, tem contribuido para a criação de um multilateralismo de carácter reformista-revisonista? Para o efeito, a presente dissertação analisa a evolução da parceria estratégica sino-brasileira e a sua identidade compartilhada no que respeita à percepção do seu papel face ao Sul Global. O período estudado vai do ano de 2013 - quando Xi Jinping assumiu a presidência na China - a 2025, ano marcado pela mudança da política externa brasileira com o retorno de Lula da Silva (2023-2025) após a excepcionalidade do mandato de Jair Bolsonaro (2019-2022). Face ao exposto, consideramos a lente conceitual que melhor se adequa ao nosso estudo é a Role Theory, que ajuda a entender que a role conception do Brasil e da China é determinada por uma aspiração e identidade marcadas por uma história de colonização por parte de potências ocidentais. A partir daí, ambos os países visam promover uma via própria de desenvolvimento, que reconhecemos como role performance, distinta da do chamado Consenso de Washington, a qual serve inclusive de timoneira para outros estados. Neste sentido, quer o Brasil, quer a China têm desenvolvido uma parceria única pautada por uma role adaptation face às contínuas demandas e desafios do sistema internacional, mas relativamente constante nas suas percepções mútuas, apesar de por vezes as dinâmicas do jogo doméstico sofrerem alterações. Em jeito de antecipação das principais conclusões, é expectável propor que as mudanças operadas pelo Brasil e pela China refletem uma atuação conjunta em instâncias multilaterais internacionais, orientadas por interesses pragmáticos e convergentes na governação global. O regresso de Lula da Silva à presidência tem marcado uma tentativa explícita de role adaptation, através da reconstrução do prestígio internacional do Brasil, cuja imagem foi profundamente fragilizada durante o governo Bolsonaro. Mais do que isso, Lula vem defendendo a reforma da ordem monetária internacional, ao propor a desdolarização do comércio global e a criação de uma moeda comum entre países em desenvolvimento como os BRICS+. Tais posicionamentos reforçam a centralidade do Brasil como ator reformista-revisionista.
Autores principais:Carvalho, João Pedro Coimbra Ferraz Lepetri de
Assunto:Brasil China Sul Global Reformismo Revisionismo Multilateralismo Brazil Global South Reformism Revisionism Multilateralism Ciências Sociais::Outras Ciências Sociais
Ano:2026
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A cooperação sino-brasileira e o Sul Global tem se desenvolvido gradativamente nas últimas duas décadas. Ambos vêm conquistando espaço na arena internacional, ao mesmo tempo em que reivindicam reformas na governança global onusiana. Embora exista uma vasta literatura acerca da relação sino-brasileira e do Sul Global, verifica-se, contudo, uma lacuna na investigação em compreender o papel reformista-revisionista (expressão de Barry Buzan) do Brasil e China no Sul Global. Por conseguinte, esta dissertação busca preencher essa lacuna por meio da resposta à seguinte questão de investigação: De que modo o Brasil, no contexto da cooperação com a China no Sul Global, tem contribuido para a criação de um multilateralismo de carácter reformista-revisonista? Para o efeito, a presente dissertação analisa a evolução da parceria estratégica sino-brasileira e a sua identidade compartilhada no que respeita à percepção do seu papel face ao Sul Global. O período estudado vai do ano de 2013 - quando Xi Jinping assumiu a presidência na China - a 2025, ano marcado pela mudança da política externa brasileira com o retorno de Lula da Silva (2023-2025) após a excepcionalidade do mandato de Jair Bolsonaro (2019-2022). Face ao exposto, consideramos a lente conceitual que melhor se adequa ao nosso estudo é a Role Theory, que ajuda a entender que a role conception do Brasil e da China é determinada por uma aspiração e identidade marcadas por uma história de colonização por parte de potências ocidentais. A partir daí, ambos os países visam promover uma via própria de desenvolvimento, que reconhecemos como role performance, distinta da do chamado Consenso de Washington, a qual serve inclusive de timoneira para outros estados. Neste sentido, quer o Brasil, quer a China têm desenvolvido uma parceria única pautada por uma role adaptation face às contínuas demandas e desafios do sistema internacional, mas relativamente constante nas suas percepções mútuas, apesar de por vezes as dinâmicas do jogo doméstico sofrerem alterações. Em jeito de antecipação das principais conclusões, é expectável propor que as mudanças operadas pelo Brasil e pela China refletem uma atuação conjunta em instâncias multilaterais internacionais, orientadas por interesses pragmáticos e convergentes na governação global. O regresso de Lula da Silva à presidência tem marcado uma tentativa explícita de role adaptation, através da reconstrução do prestígio internacional do Brasil, cuja imagem foi profundamente fragilizada durante o governo Bolsonaro. Mais do que isso, Lula vem defendendo a reforma da ordem monetária internacional, ao propor a desdolarização do comércio global e a criação de uma moeda comum entre países em desenvolvimento como os BRICS+. Tais posicionamentos reforçam a centralidade do Brasil como ator reformista-revisionista.