Publicação
Para uma teoria geral da argumentação : questões teóricas e aplicações didácticas
| Resumo: | A amplitude das questões de argumentação — que vão da problemática filosófica da racionalidade e da relação com o outro até às dinâmicas de sociabilidade, às relações de poder, às metodologias de análise do discurso, aos processos cognitivos, aos modos de raciocinar, aos mecanismos da língua e às técnicas da comunicação retórica — revelam o campo da argumentação como um domínio multidimensional e complexo. Ainda que fazendo transparecer esta complexidade, os aspectos privilegiados na presente investigação foram dois: por um lado, a abordagem e o questionamento de diferentes modelos teóricos da argumentação e, por outro, a interrogação acerca do quadro conceptual que melhor pode responder às exigências de aplicação de uma didáctica da argumentação. Como principais eixos e objectivos em torno dos quais se desenvolveu o presente estudo, podemos elencar os seguintes: • Traçar e precisar o contexto da emergência filosófica e cultural da renovação contemporânea dos estudos da argumentação. • Indagar sobre o actual estado da arte neste domínio de investigação — volvido que está mais de meio século sobre o ano de 1958, data que simbolicamente assinala o surgimento de uma renovada teorização — e perceber a forma como as tendências teóricas foram surgindo e maturando. • Analisar criticamente as diferentes propostas teóricas, quer assinalando os seus contributos mais inovadores, quer questionando os seus limites. • Elaborar alguns conceitos fundamentais para uma compreensão geral da dinâmica argumentativa tendo em vista a adequação descritiva. • Propor uma orientação didáctica que associa as competências de leitura e de análise às de interacção com o discurso do outro através da produção de um contra-discurso. Sustenta-se, neste trabalho, a ideia de que teorizar a argumentação tendo em conta a adequação descritiva — ou seja, a preocupação em estabelecer uma relação de equilíbrio entre aquilo que se considera serem os fenómenos argumentativos e as ferramentas teóricas para a sua descrição e análise — implica trazer a primeiro plano a dinâmica interactiva entre discurso e contra-discurso que caracteriza uma situação argumentativa. Uma tal focalização na tensão entre discursos conduz a pensar a argumentação a partir de noções diferentes daquelas que são habitualmente apresentadas pelos teóricos deste campo, essencialmente voltados para os mecanismos argumentativos ou células de argumentatividade (seja a nível da força do raciocínio, do poder de orientação inerente à enunciação linguística ou dos processos de influência discursiva). E leva, por sua vez, a propor o «assunto em questão» como a unidade metodológica que melhor se ajusta quer à compreensão dos discursos argumentados, quer ao entendimento das situações de interacção argumentativa. Encarando a argumentação como uma disciplina crítica de leitura e interacção entre as perspectivas inerentes à discursividade e cuja divergência os argumentadores tematizam em torno de um assunto em questão, é proposto neste trabalho (onde não deixaram de ser feitas referência ao valor sócio-simbólico da argumentação e à articulação entre racionalidade argumentativa e racionalidade sociológica) que se considerem as práticas argumentativas sob a égide do confronto de perspectivas e os argumentos como valores de troca sob vigilância na interacção comunicacional. Neste enquadramento, em que se tornam fundamentais, entre outras, noções como as de «assunto em questão», «tematização», «perspectiva» e «contra-discurso», as propostas didácticas que no capítulo final se propõem valorizam sobretudo a compreensão da situação argumentativa como uma conjuntura de oposição discursiva e a indissociabilidade entre a avaliação de argumentos e a sua produção circunstanciada associada à prevalência de perspectivas. Colocam, por outro lado, como fundamentais no ensino da argumentação, a competência de leitura argumentativa e a capacidade de interagir criticamente com o discurso do outro através da elaboração de um contradiscurso. Sugerimos, a este respeito, algumas vias metodológicas de análise do discurso argumentado e de produção de sequências contra-argumentativas. |
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| Autores principais: | Grácio, Rui Alexandre |
| Ano: | 2011 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A amplitude das questões de argumentação — que vão da problemática filosófica da racionalidade e da relação com o outro até às dinâmicas de sociabilidade, às relações de poder, às metodologias de análise do discurso, aos processos cognitivos, aos modos de raciocinar, aos mecanismos da língua e às técnicas da comunicação retórica — revelam o campo da argumentação como um domínio multidimensional e complexo. Ainda que fazendo transparecer esta complexidade, os aspectos privilegiados na presente investigação foram dois: por um lado, a abordagem e o questionamento de diferentes modelos teóricos da argumentação e, por outro, a interrogação acerca do quadro conceptual que melhor pode responder às exigências de aplicação de uma didáctica da argumentação. Como principais eixos e objectivos em torno dos quais se desenvolveu o presente estudo, podemos elencar os seguintes: • Traçar e precisar o contexto da emergência filosófica e cultural da renovação contemporânea dos estudos da argumentação. • Indagar sobre o actual estado da arte neste domínio de investigação — volvido que está mais de meio século sobre o ano de 1958, data que simbolicamente assinala o surgimento de uma renovada teorização — e perceber a forma como as tendências teóricas foram surgindo e maturando. • Analisar criticamente as diferentes propostas teóricas, quer assinalando os seus contributos mais inovadores, quer questionando os seus limites. • Elaborar alguns conceitos fundamentais para uma compreensão geral da dinâmica argumentativa tendo em vista a adequação descritiva. • Propor uma orientação didáctica que associa as competências de leitura e de análise às de interacção com o discurso do outro através da produção de um contra-discurso. Sustenta-se, neste trabalho, a ideia de que teorizar a argumentação tendo em conta a adequação descritiva — ou seja, a preocupação em estabelecer uma relação de equilíbrio entre aquilo que se considera serem os fenómenos argumentativos e as ferramentas teóricas para a sua descrição e análise — implica trazer a primeiro plano a dinâmica interactiva entre discurso e contra-discurso que caracteriza uma situação argumentativa. Uma tal focalização na tensão entre discursos conduz a pensar a argumentação a partir de noções diferentes daquelas que são habitualmente apresentadas pelos teóricos deste campo, essencialmente voltados para os mecanismos argumentativos ou células de argumentatividade (seja a nível da força do raciocínio, do poder de orientação inerente à enunciação linguística ou dos processos de influência discursiva). E leva, por sua vez, a propor o «assunto em questão» como a unidade metodológica que melhor se ajusta quer à compreensão dos discursos argumentados, quer ao entendimento das situações de interacção argumentativa. Encarando a argumentação como uma disciplina crítica de leitura e interacção entre as perspectivas inerentes à discursividade e cuja divergência os argumentadores tematizam em torno de um assunto em questão, é proposto neste trabalho (onde não deixaram de ser feitas referência ao valor sócio-simbólico da argumentação e à articulação entre racionalidade argumentativa e racionalidade sociológica) que se considerem as práticas argumentativas sob a égide do confronto de perspectivas e os argumentos como valores de troca sob vigilância na interacção comunicacional. Neste enquadramento, em que se tornam fundamentais, entre outras, noções como as de «assunto em questão», «tematização», «perspectiva» e «contra-discurso», as propostas didácticas que no capítulo final se propõem valorizam sobretudo a compreensão da situação argumentativa como uma conjuntura de oposição discursiva e a indissociabilidade entre a avaliação de argumentos e a sua produção circunstanciada associada à prevalência de perspectivas. Colocam, por outro lado, como fundamentais no ensino da argumentação, a competência de leitura argumentativa e a capacidade de interagir criticamente com o discurso do outro através da elaboração de um contradiscurso. Sugerimos, a este respeito, algumas vias metodológicas de análise do discurso argumentado e de produção de sequências contra-argumentativas. |
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