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Subsídios para uma edição crítica das canções de Camões

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Detalhes bibliográficos
Resumo:[Excerto] Quem quer que demonstre um sério interesse pelos estudos camonianos não pode de forma alguma ignorar os problemas que se levantam relativamente ao cânone lírico do grande Poeta. Com efeito, se o poema épico de Luís de Camões – Os Lusíadas– não suscita problemas de autoria de monta, as dúvidas quanto à autenticidade das suas composições líricas avolumam-se.Várias e sobejamente conhecidas são as razões que contribuem para o alicerçar desta desconfiança, pelo que procuraremos sintetizá-las muito brevemente. A primeira reside no facto de que, contrariamente ao que aconteceu com Os Lusíadas publicados ainda em vida do poeta (mais precisamente em 1572 sob a responsabilidade de Manuel de Lira), os poemas líricos de Camões conheceram pela primeira vez edição apenas em 1595, quinze anos após a morte do seu autor. Como afirma Hernani Cidade1, apenas quatro poesias líricas foram publicadas em vida de Camões: a ode «Aquelle unico exemplo», a elegia «Depois que Magalhães teve tecida» e os sonetos «Vós, ó ninfas da gangética espessura»e «Ditosa pena, como a mão que a guia», sendo este último de atribuição duvidosa. A este facto vêm-se juntar a prática de transladação manual de textos feita pelos próprios autores ou por coleccionadores que nem sempre referiam o nome dos autores dos textos que coleccionavam e que, frequentemente, introduziam alterações nos originais, e a certeza de que no século XVI, época em que Camões viveu e escreveu, os autores se imitavam enormemente fazendo autênticos exercícios paragramáticos sobre textos de outros autores. [....]
Autores principais:Ramon, Micaela
Assunto:Humanidades::Línguas e Literaturas
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:[Excerto] Quem quer que demonstre um sério interesse pelos estudos camonianos não pode de forma alguma ignorar os problemas que se levantam relativamente ao cânone lírico do grande Poeta. Com efeito, se o poema épico de Luís de Camões – Os Lusíadas– não suscita problemas de autoria de monta, as dúvidas quanto à autenticidade das suas composições líricas avolumam-se.Várias e sobejamente conhecidas são as razões que contribuem para o alicerçar desta desconfiança, pelo que procuraremos sintetizá-las muito brevemente. A primeira reside no facto de que, contrariamente ao que aconteceu com Os Lusíadas publicados ainda em vida do poeta (mais precisamente em 1572 sob a responsabilidade de Manuel de Lira), os poemas líricos de Camões conheceram pela primeira vez edição apenas em 1595, quinze anos após a morte do seu autor. Como afirma Hernani Cidade1, apenas quatro poesias líricas foram publicadas em vida de Camões: a ode «Aquelle unico exemplo», a elegia «Depois que Magalhães teve tecida» e os sonetos «Vós, ó ninfas da gangética espessura»e «Ditosa pena, como a mão que a guia», sendo este último de atribuição duvidosa. A este facto vêm-se juntar a prática de transladação manual de textos feita pelos próprios autores ou por coleccionadores que nem sempre referiam o nome dos autores dos textos que coleccionavam e que, frequentemente, introduziam alterações nos originais, e a certeza de que no século XVI, época em que Camões viveu e escreveu, os autores se imitavam enormemente fazendo autênticos exercícios paragramáticos sobre textos de outros autores. [....]